Harry Potter: Série ganha nova polêmica antes das filmagens

A nova série da Max, que promete recontar os livros da saga Harry Potter, ainda nem saiu do papel, mas já está causando polêmica entre os fãs. Desta vez, o motivo é a possível escalação do ator britânico Paapa Essiedu, para interpretar Severo Snape, um dos personagens mais importantes da trama.
Segundo o Deadline, Essiedu, conhecido por seu trabalho no teatro e indicado ao Emmy por I May Destroy You, está prestes a fechar contrato para o papel imortalizado por Alan Rickman nos cinemas. Só que, para muitas pessoas, a mudança de etnia do personagem está longe de ser um simples detalhe, o que acabou reacendendo discussões sobre representatividade na cultura pop, fidelidade à obra original, e claro, as declarações polêmicas (e criminosas) da autora J.K Rowling.
A polêmica racial em torno de Snape
Assim como a escalação de Halle Bailey como Ariel no live-action de “A Pequena Sereia”, a ideia de um Snape negro provocou uma reação bastante negativa na internet. Enquanto alguns fãs comemoram a chance de ver um ator negro em um papel de grande destaque, outros argumentam que a mudança de etnia de Snape pode acabar mudando pontos importantíssimos de sua história.
O personagem sempre foi tratado como um excluído desde a infância, sofrendo bullying e sendo ridicularizado por ser considerado esquisito, algo que poderia ser encarado como racismo, caso o personagem seja retratado como um homem negro. Nos livros, Snape é descrito como um “homem pálido, de roupas pretas, cabelos longos e branco como o gelo”

E aí entra outro problema: o embate entre Snape, Tiago Potter e os outros marotos. Nos livros, o pai de Harry é um valentão que inferniza a vida do futuro professor de Poções. Se Snape for negro e Tiago for branco, a dinâmica passa a ter uma leitura racial que não existia antes. A série e os criadores vão encarar isso de frente ou fingir que não tem nada acontecendo? Além disso, tem gente dizendo que a escolha só reforça um estereótipo ruim, já que Snape passa a história toda sendo visto como suspeito pelo Harry e só se redime no final.
Mudanças de etnia anteriores
Essa não é a primeira vez que um personagem de Harry Potter tem sua etnia alterada em uma adaptação. Em 2015, a peça Harry Potter e a Criança Amaldiçoada escalou uma atriz negra para viver Hermione Granger, o que também gerou muita controvérsia e hate na época.
A mudança inclusive, foi defendida pela própria J.K Rowling, mas, a diferença é que, enquanto a mudança de Hermione não interferia em sua trajetória na história, a de Snape levanta narrativas mais profundas, envolvendo questões raciais e de preconceito no mundo real.

A mudança de etnia de personagens ao longo dos anos sempre gerou debates acalorados nas redes sociais, mas é bem óbvio perceber que são dois pesos e duas medidas. Enquanto vimos Elizabeth Olsen ser escalada como Wanda Maximoff no UCM, (uma personagem com descendência Romani) sem muito alarde, Michael B. Jordan e a própria Halle Bailey, foram massacrados por serem escolhidos para viver o Tocha Humana e a Ariel.
No Brasil por exemplo, Taís Araújo e Bella Campos foram escolhidas para interpretar Raquel e Maria de Fátima no remake de Vale Tudo. Anteriormente, as personagens foram interpretadas por Regina Duarte e Glória Pires, duas atrizes brancas, e claro, também gerou hate e reações negativas nas redes sociais, antes mesmo da novela estrear.
Representatividade ou engajamento?
Esse tipo de alteração anda provocando reações ainda mais intensas, principalmente agora que as pessoas que dizem “anti-woke” e “lacração” estão ganhando cada vez mais voz e atenção na internet. Criando um cenário em que discussões sobre identidade e representatividade tornaram-se ainda mais polarizadas.
Fora isso, a mudança étnica sempre gera o mesmo questionamento: mudar a etnia de personagens brancos realmente ajuda a representatividade ou só serve para grandes estúdios fingirem que se importam? Se a intenção é diversidade, por que não criar novos personagens ao invés de transformar os antigos?
Você consegue lembrar quantos personagens não-brancos foram relevantes durante os filmes da saga Harry Potter? Pois, de cabeça, só consigo lembrar de dois: Dino Thomas e Kingsley Shacklebolt, que se tiverem mais de 20 frases ao longo dos 8 filmes, seria uma grande surpresa.

Por que então não dar mais espaço e visibilidade para uma história que sempre foi centrada em sua maioria, em personagens brancos? Dando uma nova chance para que outras pessoas consigam enxergar-se nessa trama mágica, criada por uma autora que não parece seguir muito dos seus próprios ensinamentos.
O legado (problemático) de J.K Rowling
Nos últimos anos, o tema: “Devemos separar a obra do autor?”, ficou mais em evidência. Desde Monteiro Lobato a H.P Lovecraft, esse assunto têm sido muito discutido, mas, como fazer no caso de J.K Rowling, que ainda está na ativa? Rowling tem sido alvo de críticas por suas declarações sobre identidade de gênero, que foram consideradas transfóbicas por parte do público e de membros do elenco original dos filmes, incluindo Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint (e mesmo assim, ela continuou).
É meio irônico pensar que a mesma autora que criou todo o universo bruxo e apoiou a escolha de uma atriz negra para viver Hermione no teatro, siga acumulando declarações transfóbicas. As falas de J.K. Rowling não só dividiram a base de fãs Potterheads, mas também resultaram em boicotes a produtos da franquia.

Hogwarts Legacy, jogo ambientado no mundo de Harry Potter, foi alvo de tentativas de cancelamento por conta do envolvimento da autora, mas acabou vendendo milhões, provando que, na prática, a maioria dos fãs já separou a obra de sua criadora. No fim das contas, parece que o público adotou o universo para si e deixou Rowling de lado, tipo: “Valeu por criar isso aqui, mas agora a gente cuida.”
Mesmo com as controvérsias, Rowling permanece envolvida na produção da série como produtora executiva, o que levanta debates sobre o impacto disso na recepção da nova adaptação. Para muitos, separar a obra da criadora se tornou um dilema, especialmente nesse caso, onde ela pode usar a influência e a fortuna para prejudicar a causa trans. No fim do dia, tudo se resume a capitalismo e nostalgia.
Desafios para a nova adaptação
Além de Paapa Essiedu, outro nome citado para integrar o elenco da série é Janet McTeer, que estaria em negociações para viver a professora Minerva McGonagall. Já o único ator confirmado mesmo até agora, é John Lithgow, que interpretará Alvo Dumbledore. O veterano já trabalhou em The Crown, Dexter e recentemente, em Conclave.
A série será uma adaptação mais fiel e completa dos livros de J.K. Rowling e está prevista para estrear no final de 2026 ou início de 2027. As filmagens começam entre junho e agosto deste ano, mas o trio de ouro formado por Harry, Rony e Hermione, ainda não foi escolhido (mas pode ter certeza que quando for, vai gerar ainda mais polêmicas), e a produção está realizando testes com cerca de 32 mil crianças no Reino Unido e na Irlanda.

Desde o anúncio da série, a HBO Max enfrenta uma forte resistência, e não apenas pela inevitável comparação com os filmes. A recepção tem sido bem dividida, e cada novo anúncio só parece gerar mais controvérsias. A empresa, dona da DC Studios, está vendendo a série como a “versão definitiva” de Harry Potter, prometendo algo mais fiel e completo.
Mas o maior desafio não será apenas superar a nostalgia dos filmes, e sim provar que essa série realmente tem um propósito. Caso contrário, a existência dela só vai provar o que muita gente já suspeitava: a Warner se meteu em um beco sem saída de ideias com a franquia e, sem saber mais o que fazer com ela, resolveu dar um reboot na base do desespero.
E você, o que acha dessa treta toda? A mudança de etnia em personagens clássicos são um avanço necessário ou apenas uma jogada de marketing? Deixe sua opinião nos comentários!