“Coisas Naturais” de Marina Sena exalta a latinidade e arte

A artista brasileira Marina Sena lançou, nesta segunda-feira (31), seu terceiro álbum de estúdio, “Coisas Naturais”. O disco, no qual voltou a trabalhar com sua antiga banda “A Outra Banda da Lua”, reflete, de acordo com a mineira, sua verdadeira fluidez e criatividade.

Este trabalho é também o primeiro de Marina após o fim do seu relacionamento com seu ex-produtor, Iuri Rio Branco. A posição foi então passada para Janluska, visando referências brasileiras e latinas para o álbum, que já está causando na internet por supostas indiretas da cantora.
Confira a crítica de Coisas Naturais:
Banho de mar
Acima de tudo, Marina Sena tinha o desejo de experimentar e trabalhar com diferentes ritmos, principalmente latinos num geral. A música título já deixa claro esse objetivo e inicia bem o disco com seus instrumentais variados, trazendo referências caribenhas e jamaicanas, com o tambor de metal e um toque da musicalidade oriental com seus vocais e efeitos.
O single “Numa Ilha”, que saiu antecipadamente, foi um grande acerto comercial e também traz todas as referências praianas e latinas. Seu lançamento, com o clipe, gerou muitas expectativas para o álbum por conta de sua produção e sonoridade. A música consolida o lado sensual e envolvente que o disco leva, além de sua lírica mais poética, juntamente com a melodia da guitarra elétrica. Entretanto, com mais de 4 minutos e poucos versos, acaba ficando meio cansativa.
Babado
As músicas têm uma vibe estimulante e é exatamente isso que ela traz com “Desmitificar”, que é um dos maiores destaques do álbum. Inspirada nos ritmos baianos e de terreiro, a mineira criou a energia de carnaval mas versão techno! Assim como a letra fala, é transcendental e mágica. Esta faixa traz calor, e esquentou tanto que gerou polêmica…

Em um dos trechos, Marina canta: “Ali, na praça do coqueiro, a gente passava o dia inteiro ali, naquela esquina, você com aquela menina, até bonitinha, mas tinha cara de santinha, não era das minhas. Agora que cê tá solteiro, vou te mostrar todo o tempero, toda essa malícia”.
Dessa forma, o verso causou nas redes sociais com diversas especulações de que Sena estaria falando sobre a influencer e cantora Vivi Wanderley, ex de seu atual namorado Juliano Floss. Além disso, a mineira recentemente brincou em uma entrevista ao falar que “É melhor ser artista tentando ser sub do que sub tentando ser artista”.

Latinidades
Ao desenvolver o disco, Marina brinca com o brega em “Lua Cheia”, que conta com um toque exotérico dos sintetizadores. Além disso, o reggae abrasileirado, com inspirações de Natiruts e BaianaSystem se mantém presente, principalmente em “Combo da Sorte” e “Sem Lei”. A artista também trabalha com feats nas músicas “Tokitô” e “Doçura”, ambas puxadas para o reggaeton mas com propostas totalmente diferentes. Enquanto uma traz sensualidade, a outra traz a batida.
Do mesmo modo, o projeto aproveita seus vocais e ritmos, com referências claras de MPB e Bossa Nova. Buscando uma sonoridade disco e anos 80, relembrando Tim Maia, Gal Costa e Negra Li, “Anjo” e “Mágico” são grandes destaques dentro do álbum. Seguindo na cultura brasileira, Sena ainda inseriu a faixa “Carnaval”, que é um funk no estilo paredão do Furacão 2000. Com uma batida intensa, a música, apesar de curta, coloca força no rumo final do disco.

Lugar profundo
A faixa “Sensei” trabalha com o sensorial e reflexões sentimentais profundas, como um desabafo. Sua melodia foca no estilo Lo-fi, construída de forma não óbvia e carrega uma energia transcendental, com uma virada inesperada no final, que a fecha muito bem.
Para fechar de forma potente, “Ouro de Tolo” é uma faixa com muitas referências de MBP, com a construção diferenciada e vocais fortes. Quase como uma conversa consigo mesma, Marina passa a impressão de finalmente ter tirado tudo do peito e estar reajustando sua mente e coração. Conforme seu monólogo, ela se exalta e exalta sua religiosidade, homenageando a umbanda/candomblé e finaliza o álbum super bem com um sentimento incrível.
Fica bem nítido que Marina Sena tem um senso musical muito perspicaz e uma abrangência de referências em que soube trabalhar bem. Ela sabe usar sua voz, sua beleza, seu corpo e sua estética. Da mesma forma, a produção do disco tem muitas camadas interessantes e versáteis e uma musicalidade envolvente e consistente. As suas letras não são tão complexas, mas tem poder e fazem sentido com toda narrativa do álbum (e as alfinetadas ao seu ex são perceptíveis). Entretanto, além da música, ela também usa visuais impecáveis para os clipes e visualizers, criando quase uma estética perfeita pro álbum. Nota 4,5.