Karol G e Bruno Mars no funk: é apropriação?

Karol G e Bruno Mars no funk: é apropriação?

Karol G está de volta com força total: a estrela colombiana acaba de lançar seu novo álbum, “Tropicoqueta”, que busca resgatar uma herança cultural latina, com gêneros como a cumbia, o reggaeton e a bachata. O grande destaque, no entanto, é a última faixa do disco, que traz a cantora com vocais em português em um funk.

Seguindo os moldes de Bad Bunny, que fez um ótimo trabalho ao homenagear seu povo, ela se dedicou a entregar seu melhor projeto até então.

Este álbum é uma carta de amor para quem somos. Para tudo o que sentimos, e o universo infinito de coisas que nos definem como latinos. É o que, para mim, seria a playlist perfeita. Um projeto em que eu não conseguia escolher uma faixa favorita, mesmo que tentasse. Eu amo todas elas, porque cada uma leva você a um mundo completamente diferente de sensações.

Karol G falando sobre Tropicoqueta.

Essa não foi a primeira vez que a artista apresentou um funk, tampouco a primeira em que colaborou com produtores brasileiros. Além do remix de “Tá Ok”, ela tem parcerias com Simone & Simaria, Léo Santana e também participou de um remix obscuro de “Sua Cara”, sucesso de Anitta e Pabllo Vittar.

A dupla Tropkillaz ficou responsável pela produção da canção “Bandida Entrenada”, que encerra o disco. O trapper Wiu, de “Coração de Gelo”, foi o compositor.

Visualizer de “Bandida Entrenada”.

No mesmo dia, Bruno Mars divulgou oficialmente “Bonde do Brunão”, música que ele compôs para o público brasileiro durante sua passagem por aqui no último ano.

Ninguém esperava que isso fosse chegar às plataformas de streaming, mas acabou servindo como marketing para a entrada do cantor no jogo Fortnite. Uma das skins dele no game aparece vestida com as cores do Brasil.

Era de se esperar que ambos os lançamentos fossem bem recebidos pelo nosso povo, porém não foi exatamente isso que aconteceu.

Embora muita gente tenha ficado feliz com a atenção dada pelos ídolos, outros acreditam que se trata de uma forma de “apropriação cultural” ou uma estratégia para lucrar facilmente com o público brasileiro.

Crítica de internauta.
Elogio para a faixa.

Essa questão de “apropriação” também veio à tona com a notícia de que “São Paulo”, single de The Weeknd com Anitta, deve em breve se tornar o funk mais ouvido de todos os tempos no Spotify, superando “Olha a Explosão”. Não faltaram comentários reclamando de que um gringo tomaria esse título de alguém daqui, mesmo que a carioca de “Envolver” também estivesse creditada.

Para mim, essa discussão é um pouco desnecessária. Por anos, falamos sobre a popularização e internacionalização do funk. O que as pessoas esperavam que fosse acontecer? Artistas estrangeiros estão se interessando pelo nosso ritmo e o estão reproduzindo — isso é um caminho natural e positivo. Até porque, se vocês repararem, essas músicas são feitas por produtores e compositores brasileiros.

É o mesmo percurso que o reggaeton fez alguns anos atrás. É claro que o gênero teve seus representantes locais, mas foi com Justin Bieber cantando em inglês que “Despacito” atingiu o topo das paradas.

Enfim, cada um tem a sua opinião. Por isso, queremos saber a sua! Deixe nos comentários o que você acha dessa história toda!

Lucas Martins

Nascido em 2002 na cidade do Rio de Janeiro, cresci com paixão pela literatura e pela música. Sou Bacharel em Publicidade e Propaganda pela Unicarioca e futuro pedagogo pela UERJ. No meu tempo livre, gosto de assistir a filmes e acompanhar cada passo dado por Taylor Swift.

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