Beyoncé é acusada de romantizar capítulo violento da história dos EUA em figurino da nova turnê

Beyoncé é acusada de romantizar capítulo violento da história dos EUA em figurino da nova turnê
Figurino usado no show em Paris, durante a turnê Cowboy Carter, trouxe à tona críticas sobre história, racismo e símbolos militares dos EUA (Reprodução/X)

Nem mesmo a grandiosa apresentação de Beyoncé em Paris, com direito a participação surpresa de Jay-Z no palco, conseguiu livrar a cantora de uma nova polêmica. Desde a manhã desta segunda-feira (23), o nome da diva pop está entre os assuntos mais comentados no X (falecido Twitter), e o motivo foi uma escolha de look que acabou dividindo opiniões.

O centro da discussão foi o figurino escolhido por ela durante o show no último dia 19 de junho, data que marca o Juneteenth, celebração do fim da escravidão nos Estados Unidos. Beyoncé subiu ao palco usando uma blusa com o nome “Buffalo Soldiers” estampado, fazendo referência ao regimento de soldados negros que lutou pelo Exército dos EUA no século 19.

Quem são os “Buffalo Soldiers”?

Tudo parecia uma referência histórica importante… mas não demorou para o figurino virar assunto nos trending topics do X. Os “Buffalo Soldiers” eram regimentos de soldados negros formados após a Guerra Civil Americana, compostos por ex-escravizados que lutavam sob comando de oficiais brancos.

Embora sejam lembrados por terem lutado por sua sobrevivência e dignidade em uma sociedade racista, eles também participaram de campanhas militares que expulsaram e atacaram povos indígenas e mexicanos, como parte da política de expansão para o Oeste.


Os chamados “Buffalo Soldiers”, foi um regime de soldados negros formados após a guerra civil americana, composto por ex-escravos

Logo após o show, as redes foram tomadas por comentários negativos. Beyoncé foi acusada de romantizar um período marcado por violência contra indígenas e mexicanos na história dos EUA, principalmente por conta da forma como o figurino traz a referência. A blusa, que descreve os povos originários como “antagonistas, inimigos da paz”, acabou sendo vista como uma forma de reforçar um olhar colonialista e apagar o sofrimento dos povos nativo-americanos.


Beyonce e Buffalo Soldiers
Confira o texto original da blusa da cantora sobre os “Buffalo Soldiers” (Reprodução/X)

O tema da turnê Cowboy Carter de Beyoncé

Muita gente achou de mau gosto a escolha da diva pop de estampar essa referência bem no meio de um show que celebra a cultura negra e a liberdade. A nova turnê da cantora: “Cowboy Carter and Rodeo Chitlin Circuit”, tem um tema forte de resgate cultural. O nome faz referência aos circuitos de rodeios e espaços artísticos onde músicos e artistas negros se apresentavam nos Estados Unidos entre o final do século 19 e o início do século 20, durante o período de segregação racial.

Essa, no entanto, não é a primeira vez que a estética militar e nacionalista dos EUA no palco de Beyoncé chama atenção. Ao longo da turnê, ela tem usado com frequência figurinos e bandeiras americanas no cenário e nas roupas. Nas redes, muitos acusam a cantora de exaltar o patriotismo americano e de romantizar símbolos de opressão, principalmente em um momento em que questões como racismo estrutural, genocídio indígena, imigração e violência policial estão em alta.


Buffalo Soldiers texto
Confira o texto da blusa da cantora sobre os “Buffalo Soldiers”, traduzido em Português (Reprodução/X)

Qual é o limite entre a exaltação e a crítica escondida?

Se por um lado tem gente acusando a cantora de ser insensível ao contexto histórico, por outro há quem defenda que tudo faz parte de uma provocação artística bem planejada. Segundo fãs e críticos mais otimistas, a estética militar, os uniformes, as bandeiras e até a escolha dos Buffalo Soldiers seriam uma forma de criticar a história oficial dos EUA e de jogar na cara do público as contradições de um país construído na base da violência e exploração de minorias.

Para os defensores da artista, tudo faz parte de uma narrativa visual pensada para provocar e questionar temas como identidade, poder e resistência. A ideia, é que Beyoncé estaria usando símbolos como os Buffalo Soldiers e as alegorias dos EUA justamente para fazer uma crítica irônica ao “país da liberdade”.


Beyonce Cowboy Carter
A era “Cowboy Carter” é marcada por críticas ao patriotismo americano e exaltação da cultura negra nos Estados Unidos

O próprio uso da referência aos Buffalo Soldiers, por exemplo, pode ter vindo dessa vontade de discutir a contradição de um grupo negro, oprimido, sendo usado pra oprimir outros povos. No fim das contas, tudo isso seria uma forma de provocar uma reflexão sobre racismo estrutural, apagamento histórico e as incoerências da identidade americana.


No fim das contas, a discussão continua: será que Beyoncé está sendo uma artista ousada fazendo uma crítica social, ou só deu uma escorregada feia ao mexer com um tema tão sensível? Conta pra gente sua opinião!




Joshua Diniz

Carioca e Caxiense, nascido em 2003, estudante de Comunicação Social- Jornalismo na UNISUAM. Obcecado por tudo que envolva Cultura Geek, games, super-heróis e universos fantásticos. Fã apaixonado de música Folk e Indie, de The Lumineers a Wallows.

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