Cartão Jaé: atualizações na implementação e problemas
A implementação do Cartão Jaé no município do Rio de Janeiro está avançando rumo à sua fase final. A partir de 5 de julho, a operação será exclusiva para todas as gratuidades da cidade do Rio. Já, no dia 2 de agosto, passará a abranger todos os usuários do transporte público municipal: BRT, VLT, ônibus municipais, vans e os populares “cabritinhos”.
Novidades
O Cartão Jaé é uma iniciativa da prefeitura do Rio de Janeiro, com o objetivo de modernizar a bilhetagem municipal, substituindo o antigo sistema Riocard. Desde julho de 2023, ele está em fase de implantação, inicialmente nas linhas de BRT e VLT.

A adoção passará a ter caráter obrigatório a partir de 5 de julho de 2025, com exclusividade para as gratuidades: idosos, pessoas com deficiência, pacientes crônicos e estudantes públicos ou bolsistas. Logo, no mês seguinte, todos os usuários do transporte municipal precisarão do Cartão Jaé, que será o único sistema de bilhetagem aceito nesses modais.
A Prefeitura reforça o uso do app Jaé, permitindo pagamento via QR Code, consulta de saldo e histórico, bloqueio e segunda via do cartão pelo celular. Assim, idosos com gratuidade receberão o Cartão Jaé grátis em casa, já os demais podem optar pela retirada gratuita em lojas ou envio com taxa de R$ 7,95. Vale destacar que o saldo do Jaé não expira quando vinculado ao app, entretanto, se não for usado por 12 meses sem estar associado a uma conta, ele reverte à prefeitura.
Vai ser eficaz?
Apesar dos avanços, a implementação enfrentou sérios problemas de logística e atendimento. Desde o início da distribuição, usuários relatam atrasos significativos: há casos de cartões solicitados em 2024 que, mesmo após nove meses, ainda não foram entregues. A situação se agravou com a proximidade da obrigatoriedade do uso do Jaé. Com isso, resultando em filas intermináveis nos poucos postos de atendimento disponíveis, como o de Madureira, onde faltam condições básicas de acessibilidade para espera. A empresa responsável pela gestão do sistema foi notificada e multada por descumprir prazos contratuais e deficiências na transparência e prestação de serviços.

Além disso, a população que depende de modais estaduais, como metrô, trens, barcas e ônibus intermunicipais, precisará manter dois cartões, já que esses meios continuarão vinculados ao Riocard.
O impacto para os trabalhadores é significativo. As empresas devem cadastrar seus funcionários no sistema Jaé para fornecer vale-transporte, podendo consolidar créditos de diferentes empregadores em um único cartão ou app. A migração também oferece maior transparência na arrecadação, eliminando a “caixa-preta” do Riocard, segundo o vice-prefeito Eduardo Cavaliere. Ainda assim, a falta de integração entre os sistemas municipais e estaduais continua sendo um incômodo. A Justiça chegou a suspender à venda da empresa gestora Jaé, gerando incertezas sobre a governança e controle do sistema.
Integração
A integração entre BRT, VLT e ônibus municipais funciona de acordo com as regras do Bilhete Único Carioca (BUC). Assim, esse modelo continuará em vigor a partir de agosto. O sistema permite que o passageiro realize até três viagens consecutivas em um período de até três horas, utilizando diferentes modais municipais, desde que uma das viagens inclua o BRT e todas sigam o mesmo sentido. Caso não ocorra o uso do BRT, a integração se limitará a duas viagens consecutivas no mesmo sentido.
Contudo, em relação às linhas de ônibus municipais 309; 538; 539; 548; 583; e 584, que, hoje, fazem integração com o metrô nas estações Botafogo e Antero de Quental, o Jaé informou que não será possível o abatimento na tarifa.

