“Coração de Ferro”, Marvel e o ódio do “fã conservador” disfarçado de crítica
Antes mesmo de estrear, Coração de Ferro, a mais nova série da Marvel Studios, foi bombardeada por críticas negativas e notas baixas no Rotten Tomatoes e no IMDb. A prática, conhecida como review bomb, acontece quando usuários despejam avaliações negativas em massa movidos por pura motivação ideológica. Infelizmente, isso já se tornou comum sempre que uma produção protagonizada por mulheres, pessoas negras ou LGBTQIA+ está prestes a ser lançada.
Já vimos isso acontecer com “She-Hulk”, “Echo”, “The Marvels” e até com “Capitão América: Admirável Mundo Novo”, que colecionou ofensas porque Anthony Mackie assumiu o escudo. As acusações são sempre as mesmas: “lacração”, “cultura woke”, “estão destruindo nossos heróis”. Às vezes, a produção realmente não é boa, mas mesmo quando é mediana ou promissora, já chega com uma enorme rejeição.
O review bomb de “Coração de Ferro”
Protagonizada por Riri Williams (Dominique Thorne), uma jovem gênia negra que cria sua própria armadura inspirada no Homem de Ferro, a produção tem enfrentado um forte movimento de hate. E isso não é um caso isolado. Outras produções da Marvel e até da DC que colocam mulheres, negros, indígenas ou LGBTQIAPN+ no centro da narrativa têm sido alvos de ataques bem antes de chegarem ao público.
O termo “lacração” volta e meia aparece nos comentários, geralmente acompanhado de frases como “a Marvel acabou em Ultimato”, “Militância e agenda acima da história”, “agora só fazem cultura woke”. Inclusive, temos uma matéria falando exclusivamente desse tema aqui no Blog Amargurado!
Coração de Ferro só foi o mais recente alvo dessa prática. O trailer da série sofreu uma chuva de dislikes, no YouTube, e a série chegou a amargar uma pontuação de apenas 35% no Rotten Tomatoes. Essa onda de rejeição tem se tornado cada vez mais comum quando o protagonismo foge do padrão: homem, branco e hétero.
A régua parece ser bem diferente…
Vale dizer que algumas dessas produções realmente não são boas. Miss Marvel, Echo, Admirável Mundo Novo e She Hulk sofreram com seus roteiros, CGI, direção e até excessivas regravações. Só que a cobrança em cima delas é infinitamente maior do que a que vimos em desastres como Thor: Amor e Trovão, Invasão Secreta ou o esquecível Quantumania.
O nível de ódio e rejeição quando o elenco é diverso costuma ser bem mais alto do que o reservado a bombas protagonizadas por homens brancos. É só comparar. Ninguém vê os “fãs” indo xingar em massa o Paul Rudd, Chris Hemsworth, ou até o diretor Taika Waititi nas redes sociais, mesmo quando protagonizam ou entregam filmes ruins.
Nada se compara ao hate exagerado e ofensivo que atrizes como Brie Larson, Iman Vellani e Tatiana Maslany enfrentaram durante os lançamentos de The Marvels e She-Hulk. O mesmo padrão se repetiu com Bella Ramsey, que foi alvo de piadas maldosas e críticas sobre sua aparência durante a segunda temporada de The Last of Us, chegando a abandonar as redes sociais.

A cultura do boicote seletivo e os “fãs conservadores”
Existe hoje um movimento real, mesmo que não totalmente organizado, que tenta boicotar tudo o que não se encaixa na visão de mundo dos ditos “fãs”. Sempre com o mesmo discurso: “ninguém quer ver isso”, “ninguém pediu essa série”, “estão forçando diversidade”. Mas se a gente for ver os números de engajamento, o burburinho, os trending topics… parece que muita gente se importa, sim (pelo menos com boas produções).
Desde a pandemia, entre as produções que esse público conservador costuma rotular como “lacração”, apenas Shang-Chi e Agatha desde Sempre conseguiram escapar do massacre e alcançar uma recepção majoritariamente positiva. O que isso mostra? Que o problema nunca foi o elenco diverso, e sim as decisões da própria equipe criativa, os rumos do estúdio e a qualidade do que está sendo entregue.

Para esse tipo de público, apontar a representatividade como culpada é sempre o caminho mais fácil. Eles querem provar, a qualquer custo, que ela “não funciona”, e quando uma produção fracassa, seja em crítica ou bilheteria, usam isso como munição para reforçar um discurso que ignora completamente o contexto de cada obra.
O limite entre a crítica e o ódio contra “Coração de Ferro”
O que o fandom tóxico apelida de “lacração” é, na verdade, o simples ato de dar espaço para vozes que sempre foram deixadas de lado em universos fantásticos como esse. É o que está acontecendo, de forma polêmica e controversa, com a nova série de Harry Potter.
No fim das contas, é importante saber separar uma crítica justa de puro preconceito. Sim, tem produção que realmente deixa a desejar, seja no roteiro ou até no visual, e tá tudo bem apontar isso. Mas o que está acontecendo com Coração de Ferro já virou padrão na cultura pop. Enquanto isso, estúdios como a Marvel e Disney ainda hesitam em defender com firmeza suas próprias escolhas, diante dos fãs raivosos.
E você, já assistiu “Coração de Ferro”? O que acha da onde de ódio que essas produções vêm sofrendo, sendo boas ou não? Conta pra gente a sua opinião nos comentários!



