Pixar e os boicotes: como o preconceito continua podando o estúdio
Existem alguns raros momentos na indústria do entretenimento em que olhamos para algo inédito e pensamos: “isso vai revolucionar o mercado”. Em 1995, o mundo teve essa sensação quando a Pixar lançou “Toy Story”, o primeiro longa-metragem de animação em 3D da história.
Desde então, acompanhamos o estúdio ano após ano com produções cada vez mais criativas e adoradas pelo público. “Os Incríveis”, “Ratatouille” e “Procurando Nemo” são apenas alguns exemplos.
No entanto, ao longo do tempo, certas mudanças foram ocorrendo, e os espectadores começaram a arquear as sobrancelhas, questionando se essa sequência de êxitos conseguiria se sustentar. Obras mal recebidas como “Carros 2” e longas com bastidores conturbados, como “Valente”, evidenciaram esse impasse.
Atualmente, a empresa atravessa seu pior momento. A marca perdeu prestígio após diversos lançamentos diretos no Disney+, e “Elio” foi afetado por esse desgaste, tornando-se a pior estreia de todos os tempos para um filme do estúdio.
Com apenas 35 milhões de dólares arrecadados no primeiro fim de semana, o foguete do garotinho apaixonado por espaço simplesmente não decolou.
AS QUESTÕES DE “ELIO”
Na crítica que escrevemos aqui no Amargurado, comentamos como jamais conheceremos a versão original de “Elio”, uma vez que o filme foi praticamente refeito do zero após as sessões de teste.
Na ocasião, quem assistiu considerou a qualidade satisfatória, mas, ao serem questionados se pagariam para ver nos cinemas, ninguém levantou a mão.
O personagem principal, naquela versão, era descrito como um menino com trejeitos associados à comunidade LGBT, inclusive inspirado na infância do próprio diretor. Todavia, a Pixar exigiu que o protagonista fosse “mais masculinizado”.
Uma funcionária da companhia lamentou, afirmando que o personagem, anteriormente, possuía muito mais personalidade.
Isso reacendeu uma grande discussão sobre o descaso da Disney, de forma geral, com representações homoafetivas. Chegou a virar piada o famoso “primeiro personagem gay” que sempre era anunciado, mas acabava sendo um figurante ou tendo um comportamento sutil demais.
As acusações de censura a conteúdos LGBT no estúdio vêm desde 2022. “Vencer ou Perder”, série produzida para o Disney+, teve uma narrativa sobre transexualidade totalmente suprimida.

Engana-se quem pensa que o conservadorismo se limita à sexualidade. De acordo com o The Hollywood Reporter, um cineasta ouviu que não poderia, de forma alguma, abordar o tema divórcio em sua trama. Parte disso, infelizmente, é consequência do próprio público que, por exemplo, rejeitou a abordagem da menstruação em “Red: Crescer é uma Fera”.
O próximo longa-metragem sob o selo do estúdio, “Hoppers”, é mais uma vítima. Como já mencionamos aqui, as discussões ambientais previstas na história foram removidas pelos executivos.
Triste, né? Bom, queremos saber a opinião de vocês. Deixem nos comentários!


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