HBO Max: o streaming com “crise de identidade” vale a pena?
Depois de pouco mais de um ano como “Max”, a Warner Bros. Discovery oficializou no dia 9 de julho de 2025 o retorno da marca HBO Max. A decisão havia sido anunciada em maio, mas agora está confirmada com o relançamento global da plataforma, inclusive no Brasil. Com isso, chega ao fim uma das mudanças de nome mais criticadas da indústria do entretenimento nos últimos anos.
Uma reviravolta no streaming
A primeira grande mudança aconteceu em maio de 2023, quando o serviço nos Estados Unidos abandonou o nome HBO Max para adotar apenas Max. A promessa era clara: unir o catálogo da HBO com o da Discovery+, ampliando o público e apostando em uma marca mais genérica. No entanto, a estratégia não saiu como o esperado.

Segundo a Warner, a ideia era desvincular a imagem da HBO, conhecida por conteúdos maduros, intensos e complexos, e tornar o serviço mais “familiar”. Ainda assim, mesmo com essa tentativa de tornar o streaming mais acessível, o público continuou associando a qualidade do serviço ao selo HBO. Afinal, séries como Game of Thrones, Succession, The White Lotus, A Casa do Dragão e The Last of Us continuam sendo algumas das mais assistidas da plataforma.
Por que o nome HBO Max voltou?
De acordo com o CEO da Warner Bros. Discovery, David Zaslav, a retomada do nome original tem como objetivo reforçar o que há de mais valioso no catálogo: a qualidade. Em comunicado oficial, ele afirmou que “a HBO representa a mais alta qualidade em mídia” e que o retorno da marca original é parte da estratégia para acelerar o crescimento da plataforma nos próximos anos.
Além disso, a decisão chega em meio a uma grande reestruturação interna da empresa. A Warner Bros. Discovery pode ser dividida em duas frentes operacionais: de um lado, a HBO e os estúdios de cinema e TV; de outro, marcas voltadas para esportes e notícias, como CNN e Discovery. Essa nova organização busca tornar as operações mais eficientes e, ao mesmo tempo, mais competitivas frente a gigantes como Netflix e Disney+.
Críticas, memes e mudanças silenciosas
Desde o início, o rebranding para “Max” causou confusão. Muitos usuários não entenderam o motivo da retirada da sigla HBO, uma das mais reconhecidas no entretenimento mundial. Não por acaso, a volta do nome original foi comemorada nas redes sociais com memes, ironias e, claro, um certo alívio dos assinantes.

Diferente da primeira mudança, o retorno ao nome HBO Max acontecerá de forma bem mais simples. Os usuários não precisarão baixar um novo aplicativo. Basta atualizar a versão atual para que o nome e a identidade visual sejam alterados automaticamente.
Impactos no catálogo e nos bastidores
Nos bastidores, outras mudanças também chamam atenção. Para reduzir custos e gerar receita, a Warner Bros. Discovery tem vendido os direitos de algumas produções para plataformas concorrentes. É o caso de Breaking Bad e Sex and The City, que agora estão disponíveis em outros streamings.
Outro exemplo é O Incrível Mundo de Gumball. A animação, que fez sucesso no Cartoon Network, retornará com novos episódios sob o nome O Mundo Maravilhosamente Estranho de Gumball. Embora o lançamento nos Estados Unidos ocorra via Hulu e Disney+, o lançamento global, inclusive no Brasil, continuará sendo feito pelo HBO Max, que ainda é a casa oficial das produções do Cartoon Network em diversos países.
Um passo estratégico na guerra do streaming
Com a volta do nome HBO Max, a Warner Bros. Discovery parece reconhecer que o valor da marca vai além de uma sigla. Ele está ligado à confiança do público e à identidade de uma curadoria de alto nível. Nesse sentido, a decisão mostra um reposicionamento claro: menos sobre ser “tudo para todos” e mais sobre reforçar o que o serviço tem de melhor.
Agora, o desafio é reconquistar os usuários que se sentiram perdidos ou insatisfeitos com as mudanças anteriores. Ao mesmo tempo, a HBO Max aposta na força do próprio nome para competir em um mercado cada vez mais disputado.

