Apocalipse nos Trópicos: um documentário que você PRECISA assistir

Apocalipse nos Trópicos: um documentário que você PRECISA assistir

Acaba de chegar à Netflix o documentário “Apocalipse nos Trópicos”, uma das produções políticas mais urgentes do ano. Dirigido por Petra Costa, o filme estreou nesta semana, já cercado de debate e promete se tornar um dos assuntos mais comentados entre quem se interessa pelos rumos do Brasil, não só do ponto de vista político, mas também social, histórico e espiritual. Em um país onde a fé se mistura cada vez mais com o poder, Petra nos convida a olhar de frente para o que muitos evitam discutir.

Petra Costa, aliás, não é uma novata nesse tipo de abordagem. Ela ficou conhecida mundialmente por seu documentário “Democracia em Vertigem”, lançado também pela Netflix em 2019. Nele, ela reconta a ascensão e queda dos governos petistas e a polarização que tomou conta do país após o impeachment de Dilma Rousseff. Com uma narrativa pessoal, íntima e política ao mesmo tempo, o filme foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário, um feito raro para produções brasileiras. Aquela obra já deixava claro que ela não tinha medo de se posicionar nem de tocar em feridas profundas.

Agora, em “Apocalipse nos Trópicos”, ela dá um passo ainda mais ousado. O novo longa mergulha na relação entre religião e poder no Brasil, focando especialmente no avanço das lideranças evangélicas dentro do cenário político. O filme tem entrevistas com nomes que dificilmente aparecem juntos: Jair Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva e Silas Malafaia. Sim, os três estão lá, e suas falas ajudam a construir o retrato de um país dividido, não apenas entre esquerda e direita, mas também entre estado laico e teocracia disfarçada.

Silas Malafaia e Bolsonaro juntos em culto.

Lançar esse documentário em 2025, ano em que o Brasil já começa a discutir abertamente as próximas eleições, não é coincidência. Em meio a debates sobre liberdade religiosa, ataques ao STF e discursos inflamados nos púlpitos e nas tribunas, Petra entrega um filme que funciona quase como um espelho incômodo. Ele não traz respostas simples, mas obriga o espectador a encarar de forma direta uma pergunta crucial: a quem interessa o uso da fé como instrumento de poder político?

Um dos momentos mais impactantes do documentário é quando Petra mostra Silas Malafaia protestando contra a criminalização da homofobia, argumentando que isso seria uma forma de “perseguir cristãos”. Essa cena não é apenas forte, ela é reveladora. Mostra como certos discursos religiosos vêm sendo usados para justificar o preconceito e, pior, como esses discursos ganham espaço institucional em nome de uma suposta defesa da liberdade. O filme não ataca a religião, mas questiona sua instrumentalização. Ele aponta como a fé, quando capturada por interesses políticos, pode ser transformada em arma.

E é justamente por isso que você precisa assistir. Porque esse é uma produção que nos força a sair do automático. Ele mostra que o embate entre fé e laicidade não é mais abstrato e ele está nas leis, nas ruas, nas igrejas, nos discursos de campanha. É uma obra que, com uma cinematográfica incrível e uma narração quase poética, ajuda a entender o Brasil de hoje e, talvez, a pensar melhor sobre o país que queremos daqui pra frente.

Se você quer entender por que tanta coisa no noticiário parece mais um delírio coletivo do que uma democracia em funcionamento, “Apocalipse nos Trópicos” é o ponto de partida. Não dá mais pra ignorar o papel da religião na política brasileira. Esse documentário é, acima de tudo, necessário.

Confira o trailer oficial do documentário.

Lucas Martins

Nascido em 2002 na cidade do Rio de Janeiro, cresci com paixão pela literatura e pela música. Sou Bacharel em Publicidade e Propaganda pela Unicarioca e futuro pedagogo pela UERJ. No meu tempo livre, gosto de assistir a filmes e acompanhar cada passo dado por Taylor Swift.

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