James Gunn x Zack Snyder: quem entendeu melhor o universo DC?
Agora que Superman já está em cartaz, quebrando recordes e conquistando o público, é hora de levantar a pergunta que não quer calar: qual diretor realmente entendeu o que a DC precisava nos cinemas? Zack Snyder ou James Gunn?
De um lado, temos Zack Snyder, querido e idolatrado por uma legião de fãs fiéis que seguem pedindo insistentemente o retorno do antigo DCEU (Universo Estendido da DC), mesmo com todos os erros que ele acumulou ao longo dos anos. Do outro, James Gunn, o novo líder criativo da DC Studios, que acumula sucessos e já começou a colher os frutos do seu novo filme do Homem do Amanhã, com sua abordagem mais leve, humana e esperançosa.
Zack Snyder e suas ideias “ousadas”
Zack Snyder chegou na DC em 2013 com O Homem de Aço, tentando criar a base para um universo cinematográfico que competisse com a Marvel. A comparação com Homem de Ferro (2008) era inevitável, já que ambos seriam a origem de seus universos. Mas enquanto o primeiro filme do UCM abriu caminho para algo coeso e expansivo, Snyder acabou se perdendo em escolhas apressadas e um tom exageradamente sombrio.
O universo construído por ele foi extremamente bagunçado ao longo dos anos, cheio de mudanças de rumo, conflitos criativos e tentativas frustradas de expandir sem planejamento algum. O Superman de Henry Cavill, com seu tom messiânico e dramático, chegou a ser boicotado dentro do próprio estúdio (sua “participação” em Shazam! é só um dos exemplos).

No início, o universo do diretor teve seus méritos. Em uma época em que a Marvel Studios começava sua Fase 2 com um tom mais humorístico, a abordagem sombria da DC trouxe um frescor interessante. O Superman de Cavill, com todo aquele peso dramático, era algo diferente do que estávamos acostumados. Porém, seu desenvolvimento foi deixando a desejar a cada vez que ele aparecia, e no fim, seu potencial não chegou nem perto de ser aproveitado.
Um universo cheio de erros e remendos
Snyder idealizou um universo onde os heróis eram tão inalcançáveis e divinos que não cabiam no mundo humano dos “mortais”. O público não se conectou com eles e essa apatia ficou clara desde O Homem de Aço, com a destruição em Metrópolis, e seguiu até Liga da Justiça (2017), com os heróis enfrentando o vilão em um ambiente frio, sem vida e sem conexão com o mundo real.
Essa desconexão só piorou com uma das decisões mais questionáveis do DCEU: matar o Superman de Henry Cavill logo em seu segundo filme, Batman vs Superman: A Origem da Justiça, antes mesmo do público ter criado qualquer laço emocional com o personagem.

O diretor tinha a intenção de adaptar, com algumas diferenças, o arco de Injustice, onde o Superman se torna um tirano após perder Lois Lane, mas isso definitivamente não fazia sentido em um universo ainda engatinhando. O plano de futuro que ele estava traçando para a DC era sombrio e fechadinho demais.
Pode até ter sido ousado, mas era um caminho sem espaço para crescimento, diversidade de histórias ou expansão do universo, e foi justamente isso que acendeu o alerta vermelho na Warner, que já começava a pensar em uma reestruturação.
Caos na DC e na Warner. Bros
E aí veio o desastre de Liga da Justiça (2017), finalizada por Joss Whedon (Vingadores) após a saída de Snyder por conta de uma tragédia familiar. O longa era um verdadeiro Frankenstein cinematográfico, e marcou o início do fim do DCEU. Mesmo com a tentativa de redenção no Snyder Cut de 2021, o universo já estava fadado ao fim, que aconteceu de forma morna em Aquaman 2.
Como se a situação já não estivesse péssima, uma guerra pelo controle criativo da DC Studios começou nos bastidores da Warner. Antes da chegada de James Gunn, a situação ficou ainda mais caótica com a tentativa de Dwayne Johnson (The Rock) de tomar as rédeas da DC após Adão Negro.
O astro da WWE forçou o retorno de Henry Cavill como Superman, mesmo sem qualquer consentimento do estúdio, criando uma situação desconfortável para todos os envolvidos, principalmente Cavill (que só queria jogar Warhammer em paz). O ator chegou a sair de The Witcher da Netflix acreditando em um futuro na DC que nunca veio.
Já Zack Snyder continua cultuado por seus fãs, mas seu portfólio recente não tem sido animador. Sua tentativa de criar um novo universo sci-fi com Rebel Moon na Netflix foi um fracasso de crítica e dividiu até seus seguidores mais fiéis.
Nova era de esperança para o universo DC com James Gunn
Enquanto a DC afundava cada vez mais nos cinemas, com uma sequência de oito flops ao longo da última década, do outro lado, James Gunn ganhava cada vez mais reconhecimento. Ele transformou um grupo praticamente desconhecido da Marvel em um dos times mais amados do estúdio com Guardiões da Galáxia, e logo passou a carregar o imenso fardo de que tudo que ele toca vira ouro.
Porém, após uma polêmica causada por antigos tweets, Gunn acabou sendo demitido do estúdio. A Warner enxergou ali uma oportunidade de ouro: chamando o diretor para comandar um novo Esquadrão Suicida, iniciando assim uma nova era promissora para a DC.
O mundo deu voltas, e hoje, James Gunn tem o comando total do novo DCU. Seu universo compartilhado está apenas começando, e cada projeto terá seu próprio tom, visual e identidade (como sempre deveria ter sido).

Por exemplo, a série dos Lanternas terá uma pegada mais séria, com clima de série investigativa ao estilo True Detective. Já o novo filme do Batman, que trará vilões mais surreais como o Cara de Barro, promete um retorno às origens góticas e fantasiosas do personagem, bem diferente do tom da versão de Robert Pattinson.
Inclusive, reunimos aqui no Amargurado todos os próximos lançamentos de séries e filmes do novo DCU para você não perder nada! Com Gunn no comando, tudo parece ter um plano, e isso já é uma enorme vitória para uma franquia que passou os últimos anos com uma imagem arranhada.
Snyder ou James Gunn? O público já escolheu
Apesar do barulho (e até das ameaças virtuais) feitas por uma parte dos fãs de Snyder, os números e a recepção de Superman deixam claro que o público está mais disposto a abraçar um novo começo do que ficar preso ao passado sombrio e problemático do antigo DCEU.
O Superman de David Corenswet mostrou que ser gentil é o novo normal. Ele resgata o espírito escoteiro, o herói que inspira e que a gente quer ser amigo. Depois de mais de uma década vendo versões malignas ou traumatizadas do personagem pela cultura pop, é um respiro ver o Superman como ele deveria ser: um símbolo de esperança.

Enquanto Snyder apostava no épico sombrio, o cabeça branca (apelido carinhoso dado pelos fãs brasileiros ao James Gunn) surge como um raio de luz nesse novo começo e aposta na empatia e na construção de personagens com alma e coração. O diretor entendeu o que torna esses heróis especiais e está provando que é possível respeitar a essência dos personagens enquanto se cria algo novo.
Se depender dele, o novo DCU tem tudo pra rivalizar com a Marvel, que não anda exatamente em sua melhor fase nos últimos anos. E se você quiser se aprofundar ainda mais nesse tema, vale muito a pena assistir à análise do youtuber Ph Santos, que comparou perfeitamente o Superman de Zack Snyder e o de James Gunn. Fica aqui a recomendação!
E aí, você gostou do novo Superman? Tá animado para o futuro do universo DC? Conta pra gente nos comentários!

