“Quarteto Fantástico” é bom, mas não fantástico.

“Quarteto Fantástico” é bom, mas não fantástico.

Desde sua primeira aparição nos quadrinhos da Marvel em 1961, o Quarteto Fantástico é considerado o “primeiro time de super-heróis” da editora, abrindo caminho para toda uma geração de personagens icônicos. Formado por Reed Richards (Senhor Fantástico), Sue Storm (Mulher Invisível), Johnny Storm (Tocha Humana) e Ben Grimm (Coisa), o grupo é conhecido tanto pelos poderes quanto pela dinâmica familiar e emocional que os une.

Nos cinemas, os heróis já tiveram diferentes encarnações, incluindo duas versões feitas pela Fox em 2005 e 2015. A primeira tentativa até conseguiu agradar à audiência e receber uma sequência, mas o longa da década passada, estrelado por Miles Teller e Kate Mara, é considerado um dos piores projetos de heróis de todos os tempos.

Agora, a equipe finalmente recebe um filme no Universo Cinematográfico da Marvel. Essa obra não só precisa construir a confiança do público nos personagens, fragilizada após o passado deles nas telas, como também fortalecer o próprio MCU, que vem de bilheterias fracas como “Capitão América: Admirável Mundo Novo”.

Imagem promocional de “Quarteto Fantástico” (2015).

Aqui no Amargurado, já falamos sobre como este filme tem um papel fundamental no futuro do gênero dos heróis nos cinemas. Será que a Disney deu conta? É o que vamos abordar agora.

A AMEAÇA ESPACIAL

“Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” se passa em um mundo alternativo ao de rostos conhecidos como o do Homem-Aranha ou Doutor Estranho. Na verdade, eles estão na Terra 828 (uma homenagem a um dos criadores do grupo, Jack Kirby), que funciona como uma versão futurística dos anos 60, como se eles estivessem em um episódio de “Os Jetsons”.

Após ganharem superpoderes, eles tornam-se os protetores da Terra e são amados pela população. Tudo isso muda quando uma estranha, a Surfista Prateado, aparece anunciando a chegada de Galactus, um ser diferente de tudo que eles já viram, que planeja devorar todo o planeta.

Esse deus intergaláctico propõe algo inimaginável para nossos protagonistas: deixar os terráqueos a salvo, caso eles entreguem seu primogênito, Frankie.

A partir daí, todo o enredo se baseia em tentar descobrir uma maneira de derrotar o inimigo enquanto protegem o bem-estar do bebê.

É assim que a Mulher Invisível, interpretada por Vanessa Kirby (Napoleão), brilha. A heroína nos quadrinhos, originalmente chamada de Garota Invisível, foi pioneira em um contexto muito machista. A personagem costumava ser reduzida a apenas um interesse romântico e constantemente era apagada das histórias — não é à toa que seu poder é literalmente sumir.

UMA FAMÍLIA FANTÁSTICA

Em “Primeiros Passos”, dá para dizer que Sue Storm é o grande destaque. Além da ótima atuação da atriz, é impossível não se conectar com ela. Ela é uma mãe que está disposta a fazer qualquer coisa para proteger seu filho, e isso é algo com que milhões de pessoas podem se identificar, sem ser do modo equivocado da Wanda em “Multiverso da Loucura”.

Ela está muito mais presente na trama do que o próprio Pedro Pascal (The Last Of Us), que, apesar de líder, soa aqui como o integrante menos interessante da equipe. Até suas habilidades parecem ser subutilizadas, chega a revoltar que alteraram a Miss Marvel no Disney+ para isso.

Outro que não foi bem desenvolvido é o Ben, conhecido como Coisa. Ele é divertido, e todo mundo adorou vê-lo usando a frase clássica, mas não vai muito além disso.

Por um lado, acho bom não terem feito a mesma trama dele lidando com os efeitos dos raios cósmicos e a mudança em sua aparência, entretanto não dá para negar que falta uma cena de impacto como a do filme de 2005, onde sua esposa coloca a aliança no chão. Neste “Quarteto Fantástico”, ele tem um mini plot romântico (se é que dá para chamar assim) que não leva a lugar nenhum e parece estar ali só para encher linguiça.

O seu melhor momento, no entanto, é quando ele olha uma gravação antiga sua na TV e, quando acaba, vê o próprio reflexo atual. Ali, você consegue captar toda a dor que ele carrega de forma simples e sem palavras.

Por último, mas não menos importante, Jhonny é um dos pontos positivos de F4. A escolha de Joseph Quinn (Stranger Things) não agradou muito os fãs na época do anúncio, pois o Twitter não achou que o ator era “bonito o bastante” para o papel. Porém, ele mandou bem. O Tocha Humana, além de alívio cômico, é alguém que claramente quer ser levado a sério e busca aprovação.

Cena de “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos”.

Essa é, sem dúvidas, a adaptação onde os quatro mais parecem com uma família de verdade. Há provocações e conflitos internos, mas há amor de verdade entre eles.

VALE A PENA ASSISTIR?

Esse definitivamente vai ser o filme favorito do Quarteto da maioria das pessoas — não que seja algo muito difícil. O longa é bom, isso é um fato. Ele lembra, de muitas maneiras (incluindo as piadas fora de hora), as produções da primeira fase do MCU, onde, ainda que construísse terreno para continuações, estava mais preocupado em estabelecer uma história com início, meio e fim.

A grande questão, na minha opinião, é que a história não é tão empolgante como muitos afirmam. O filme não erra muito, além dos pontos que já citei, todavia, também não é um grande acerto e parece acabar antes mesmo de começar. Comparando com produções recentes de super-heróis, claro, realmente está acima da média, mas perde se comparado a algo como “Superman”, também em cartaz neste mês. Discordo totalmente dos que afirmam que é o melhor do gênero desde “Ultimato”.

“Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” estreia dia 24 nos cinemas e vale muito o ingresso para os fãs dos personagens e os aficionados pela Marvel. Aqueles que não são tão fervorosos assim podem, tranquilamente, esperar a chegada no Disney+.

Lucas Martins

Nascido em 2002 na cidade do Rio de Janeiro, cresci com paixão pela literatura e pela música. Sou Bacharel em Publicidade e Propaganda pela Unicarioca e futuro pedagogo pela UERJ. No meu tempo livre, gosto de assistir a filmes e acompanhar cada passo dado por Taylor Swift.

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