Cartão Jaé estreia com novas integrações e gera dúvidas
A implementação do cartão Jaé nos transportes municipais do Rio de Janeiro tem sido marcada por incertezas desde o início. Lançado com a promessa de modernizar a bilhetagem da cidade, o sistema passou por diversos adiamentos e mudanças de cronograma. Agora, às vésperas de sua consolidação, a transição ainda levanta dúvidas entre os usuários, especialmente por causa das novas regras de integração com outros modais, como metrô, ônibus, vans e BRT.
A partir deste sábado, 2 de agosto, o Jaé passa a ser obrigatório nos ônibus municipais, BRT, VLT e vans legalizadas que operam na capital. O Riocard Mais, que ainda é aceito no metrô, trens e ônibus intermunicipais, deixará de funcionar nos transportes sob gestão municipal. Isso significa que quem usa o Bilhete Único Carioca precisará estar com o novo cartão para continuar pagando a tarifa integrada.

Integrações com o metrô e outros modais
O Jaé já pode ser utilizado nas 41 estações do MetrôRio desde o fim de julho. Com isso, as integrações tarifárias também mudaram, e só são válidas quando feitas com o Jaé. Cartões Riocard não têm mais esse benefício, a menos que estejam vinculados a programas estaduais, como a Tarifa Social ou o Bilhete Único Intermunicipal, que seguem funcionando exclusivamente com o Riocard.
A lógica é simples: para quem se desloca apenas dentro da cidade do Rio e utiliza transportes municipais, o Jaé se torna indispensável. Já quem combina modais estaduais e municipais, como trens e ônibus municipais, pode acabar precisando usar os dois cartões.
Demanda alta e dúvidas persistentes
De acordo com a Prefeitura do Rio, o sistema já soma mais de 3,3 milhões de cadastros e cerca de 1,1 milhão de embarques diários com o Jaé. Em julho, registros marcam 22 milhões de viagens e uma alta expressiva na procura pelo vale-transporte. Mesmo assim, a adesão ainda enfrenta obstáculos. Cerca de 161 mil cartões aguardam retirada, e muitos passageiros relatam incerteza sobre qual cartão usar em determinadas situações.
A orientação oficial é que idosos não precisam enfrentar filas: basta apresentar um documento com foto para embarcar gratuitamente. Ainda assim, postos registram grande movimento nesta semana de transição.
Onde e como usar o Jaé
Com a mudança, o Jaé passa a ser aceito em ônibus municipais, vans regulamentadas, VLT, BRT e, agora, também no metrô. Em 114 estações do BRT, inclusive, já é possível comprar e recarregar o cartão com dinheiro nas bilheterias exclusivas do novo sistema. A recarga também pode ser feita pelo aplicativo Jaé e em redes autorizadas.

Estudantes, pessoas com deficiência e idosos que tinham gratuidade precisam se cadastrar no novo sistema para manter o benefício ativo. Quem ainda não fez o pedido do novo cartão pode se cadastrar pelo site jae.com.br e buscar o ponto de retirada mais próximo.
Apesar da estreia oficial no próximo sábado, a transição entre Riocard e Jaé deve continuar ao longo de agosto. Empresas, usuários e operadores do sistema ainda estão se adaptando às mudanças. Por isso, a recomendação é clara: quem ainda não solicitou o novo cartão deve fazer isso o quanto antes para evitar problemas no embarque.
Embora a promessa seja de um sistema mais moderno e eficiente, a chegada do Jaé veio com falhas de comunicação, cronogramas alterados e informações que mudam em cima da hora. Para o carioca, o desafio agora é entender, de fato, o que muda na rotina de quem depende do transporte público todos os dias.

