Por que as pessoas odeiam a Luísa Sonza?
A cantora gaúcha Luísa Sonza está prestes a lançar um novo álbum e, como sempre, a expectativa é enorme. Afinal, ela se consolidou como um dos maiores nomes do pop nacional nos últimos anos. Desde os covers no YouTube até o sucesso com discos como Doce 22 e Escândalo Íntimo, ela construiu uma carreira sólida e repleta de números impressionantes.
No entanto, ao mesmo tempo em que acumula hits, Luísa também acumula polêmicas que a transformaram em um dos nomes mais odiados da internet. E é justamente nesse ponto que sua trajetória chama atenção: o contraste entre sucesso e rejeição.
Polêmica desde o início
Os primeiros grandes episódios aconteceram no casamento com Whindersson Nunes, onde Luísa sofria com acusações sobre estar com youtuber por interesse. Logo, o casal passou por um rompimento e a internet acusou a cantora de uma suposta traição, informação que nunca foi verídica. Apesar disso, a narrativa se espalhou rapidamente e desencadeou uma onda de ódio sem precedentes contra ela.
Nesse momento, ficou claro o peso do machismo. Enquanto Luísa foi acusada de se aproveitar de Whindersson e destruir o relacionamento, virando alvo de ataques, ele manteve sua imagem praticamente intacta e surfou no hype de “coitado”. O caso mostra como a opinião pública tende a ser muito mais cruel com mulheres, mesmo quando não há provas contra elas.

Azar no amor?
A situação ficou ainda mais evidente quando a artista se envolveu com o youtuber Chico Moedas. O romance foi visto como precoce e forçado, principalmente pelo excesso de exposição e pela música feita para ele com seu nome. O auge veio com a traição de “Chico” e a famosa carta lida por ela no programa Mais Você. O gesto, que poderia ser apenas emocionante, acabou se tornando alvo de chacota. Muitos acharam desnecessário e até vergonhoso. Entretanto, quando ela sofreu a traição, o discurso se inverteu: ele foi exaltado como um “malandro”, enquanto Luísa, mais uma vez, foi ridicularizada. A diferença de tratamento entre as duas situações expõe novamente a desigualdade no julgamento de homens e mulheres.
Desonestidade
Outro ponto que marcou sua trajetória foi o caso de racismo. Em 2020, Sonza foi alvo de um processo por injúria racial. No início, ela negou as acusações e até tentou minimizar o processo, o que ampliou a revolta. Houve quem a acusasse de tentar silenciar a vítima e esconder o episódio. Mais tarde, em seu documentário na Netflix, ela fala sobre reconhecer o erro e afirmou que demorou a entender a gravidade do ocorrido. A partir daí, buscou se aprofundar em estudos sobre questões raciais e até assumiu cargos de representatividade, como quando passou a ocupar o papel de madrinha de um instituto de mulheres negras. A iniciativa, no entanto, também foi alvo de críticas. Parte do público questionou uma mulher branca ocupando esse espaço. Assim, mesmo ao tentar se redimir, Luísa acabou gerando novas polêmicas.
Meus fãs, se vocês quiserem entender minhas músicas…
A música, que deveria ser o ponto central de sua carreira, também se tornou alvo de críticas. Isso porque, com frequência, ela promete um trabalho mais elaborado, com referências culturais, inspiração na MPB e letras inteligentes. Todavia, quando os singles chegam ao público, são geralmente composições genéricas, voltadas para viralizar nas plataformas, quase sempre com forte carga sexualizada. Essa falta de coerência entre discurso e entrega irrita até mesmo os fãs mais fiéis. Afinal, se a promessa é de inovação e profundidade, por que repetir fórmulas superficiais?

Regina?
Nas redes sociais, a situação não melhora. Luísa cultiva a imagem de uma diva debochada, mas muitas vezes acaba escorregando. Quando tenta ironizar ou bancar a irreverente, o tom parece forçado e, em várias ocasiões, gera constrangimento. Soma-se a isso relatos de ex-equipes apontando atitudes de estrelismo nos bastidores, o que reforça a percepção negativa. Assim, a persona pública que ela construiu online se torna combustível para novas ondas de críticas.
No fim das contas, Luísa Sonza se mantém no centro da cultura pop justamente porque não passa despercebida. A mesma postura que a faz ser admirada também a torna alvo de ataques. E, embora grande parte do ódio que recebe seja exagerado e marcado por machismo, é inegável que seus deslizes e contradições também alimentam esse ciclo. Agora, trabalhando com diversos feats e na produção de um novo álbum, o desafio continua: será que ela conseguirá mudar essa narrativa ou seguirá sendo, ao mesmo tempo, uma das artistas mais amadas e mais odiadas do Brasil?


