Hollywood e a “mesmice” nas escalações: não existem outros atores?
Você já reparou como certos atores parecem estar em absolutamente todos os lugares? Filmes, séries, comerciais, entrevistas, até propagandas de perfume e moda. Essa sensação de “onipresença” em Hollywood virou pauta frequente nas redes sociais, muito por conta da ascensão meteórica de Pedro Pascal nos últimos anos. E, olhando para a última década, não dá pra negar que certos nomes realmente dominaram a indústria, para o bem e para o mal.
Além de Pascal, também entram nessa lista Sydney Sweeney, Zendaya, Jacob Elordi, Jenna Ortega e Florence Pugh. Eles aparecem em franquias gigantes, dramas premiados, séries de sucesso e ainda estampam campanhas de marcas globais. Mas será que isso é mesmo um problema ou só estamos repetindo uma “mesmice” que sempre existiu na indústria do cinema?
O fenômeno da onipresença em Hollywood
A principal razão para essa repetição é simples: lógica de mercado. Rostos já conhecidos pelo público vendem mais facilmente qualquer filme. E vale lembrar que isso não é novidade em Hollywood. Nos anos 80 e 90, os chamados Movie Stars praticamente sustentavam estúdios inteiros. Nomes como Tom Cruise, Julia Roberts, Will Smith, Leonardo Di Caprio e Brad Pitt eram unanimidade, conhecidos por todos e não apenas dentro de “bolhas”. Se um deles estampava o cartaz, a bilheteria era certa.
Hoje, a lógica é parecida, mas com algumas diferenças: os atores não estão só nos cinemas. Eles aparecem no streaming, nas redes sociais, aparecem em comerciais, e até em memes. É isso que gera a tal sensação de saturação, como aconteceu com Jennifer Lawrence nos anos 2010, que estrelou Jogos Vorazes, X-Men, O Lado Bom da Vida, Trapaça e Joy em poucos anos, até decidir fazer uma pausa.
Pedro Pascal, o inimigo do desemprego
O chileno Pedro Pascal, talvez seja o maior símbolo dessa discussão. Depois de Game of Thrones e Narcos, ele explodiu com The Mandalorian e, mais recentemente, com The Last of Us. Até aí, tudo bem. O problema é que a agenda do ator parece não ter fim: em 2025, ele já esteve no novo Quarteto Fantástico, na “comédia romântica” Amores Materialistas com Dakota Johnson, e em Eddington, dirigido por Ari Aster.
Além das controvérsias recentes sobre seu “carinho exagerado” com colegas de elenco, o público parece realmente cansado da imagem do ator. Nos últimos meses, a reclamação se tornou cada vez mais frequente: “não aguento mais ver Pedro Pascal em tudo”. Fora os filmes já lançados esse ano, ele ainda está confirmado nos próximos Vingadores e também em The Mandalorian & Grogu, novo longa do universo Star Wars.
Boa parte dessa saturação vem dos papéis parecidos que ele costuma interpretar, figuras paternas, em um clássico caso de typecasting, quando um ator é escalado sempre para o mesmo tipo de papel. Um bom exemplo disso é Giancarlo Esposito, que sempre interpreta o mesmo tipo de vilão desde sua atuação como Gus Fring em Breaking Bad.

Sydney Sweeney e os jovens em ascensão de Hollywood
Outro nome que não sai da boca do povo é a polêmica Sydney Sweeney. Recentemente, ela virou assunto por estrelar uma campanha bizarra de jeans com trocadilhos eugenistas e, antes disso, outra ainda mais esquisita, em que vendia sabonete feito com a “água do próprio banho”.
Desde que ganhou destaque em Euphoria, a atriz não parou mais: passou pelo oscarizado Era Uma Vez em Hollywood, a comédia romântica Todos Menos Você, o terror Imaculada, o suspense Echo Valley, o amaldiçoado Madame Teia e ainda tem pelo menos cinco projetos listados no IMDB, incluindo um live-action do game Split Fiction.

Vale lembrar que o filme do Tarantino (Era Uma Vez em Hollywood) também foi uma vitrine para outros jovens atores que hoje estão em alta. Mikey Madison, que venceu o Oscar por Anora, Austin Butler (Elvis e Duna), Margaret Qualley (Death Stranding e A Substância) e a nossa Robin de Stranger Things, Maya Hawke, foram alguns que aproveitaram esse empurrão e agora aparecem com frequência cada vez maior nas telas.
A superexposição de Zendaya e Tom Holland
O elenco de Euphoria talvez seja um dos que mais souberam aproveitar esse empurrãozinho em Hollywood. Zendaya é o maior exemplo: deixou para trás a imagem de “estrela da Disney” e se tornou uma atriz versátil, que dominou a temporada de premiações com Duna: Parte Dois e Rivais. E já tem novos projetos confirmados, incluindo A Odisseia, próximo filme de Christopher Nolan, onde vai contracenar com seu noivo, Tom Holland.
Falando nele, o próprio Holland também encara a superexposição, mesmo não lançando grandes filmes todos os anos. Isso porque o peso de ser o Homem-Aranha deixou sua imagem atrelada ao papel e transformou seu nome em aposta certeira para qualquer grande franquia, a ponto de virar meme. Ele estrelou Uncharted em 2022, que foi bastante criticado, e já aparece entre os favoritos para assumir o manto de James Bond. Além disso, volta às telas em Homem-Aranha: Um Novo Dia, previsto para 2026.

Queridinhos dos filmes alternativos
O futuro vencedor do Oscar (como muitos já acham), Timothée Chalamet, virou em pouco tempo o queridinho das grandes franquias alternativas. Em poucos anos, ele passou de produções menores como Me Chame Pelo Seu Nome e Adoráveis Mulheres, para protagonizar Duna, Wonka e a cinebiografia de Bob Dylan. Além de já estar filmando Duna: Parte 3 ao lado de Zendaya, também vai protagonizar Marty Supreme, cinebiografia sobre o tenista Marty Mauser.
Alguns já o consideram “o rosto da geração” entre os joves atores, mas, ao mesmo tempo, começam as comparações com atores que sofreram de desgaste precoce por aceitarem projetos demais em um curto espaço de tempo. Ironicamente, Leonardo DiCaprio teria aconselhado Chalamet a evitar filmes de herói, mas mesmo assim, ele se jogou em outros blockbusters de peso.

Seguindo esse caminho, temos também Jacob Elordi, que veio de Euphoria (sim, mais um) e a trilogia Barraca do Beijo para virar o queridinho dos dramas autorais. Ele brilhou em Priscilla e Saltburn, de Emerald Fennell, e agora está em Frankenstein, de Guillermo del Toro, ao lado de Oscar Isaac. Além disso, vai estrelar a nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes, junto com Margot Robbie. E, para completar, entrou na mesma lista de apostas que Tom Holland para interpretar o próximo James Bond.

As novas musas da Marvel e Netflix
Florence Pugh, que também esteve em Duna, segue conquistando espaço em Hollywood desde que sua atuação em Midsommar chamou atenção. Desde então, ela protagonizou Viúva Negra e se tornou uma das personagens mais importantes da Marvel ao viver Yelena Belova em Thunderbolts.
Além disso, atuou em Adoráveis Mulheres, ao lado de Timothée Chalamet e Saoirse Ronan, em Oppenheimer, de Christopher Nolan, e no recente drama Todo Tempo Que Temos, contracenando com o Andrew Garfield. Diferente de outros nomes desta lista, Pugh parece dosar bem seus projetos, entre dramas e blockbusters, evitando a superexposição que afetou alguns de seus jovens colegas.

Jenna Ortega, por outro lado, virou a nova musa do Tim Burton e uma das maiores estrelas da Netflix. Desde que deixou a Disney e a série A Irmã do Meio, ela mergulhou de cabeça no terror, virando praticamente uma scream queen da geração Z, com papéis em X – A Marca da Morte e Pânico.
Depois do sucesso em Wandinha, Ortega se tornou presença certa em qualquer produção de suspense ou terror juvenil, como Beetlejuice 2 no ano passado. Agora, com a estreia da segunda temporada de Wandinha, Jenna está em todo lugar, de outdoors a campanhas publicitárias, e qualquer tipo de marketing possível.

Mas por que não reclamam da Emma Stone e Willem Dafoe?
Curiosamente, ninguém parece cansado de ver Emma Stone, mesmo com uma sequência de lançamentos seguidos graças à parceria com o diretor Yorgos Lanthimos. Em 2023, ela estrelou Pobres Criaturas, que levou o Oscar; no ano seguinte, apareceu em Tipos de Gentileza, que viralizou principalmente por sua dança no trailer. Agora, vem aí Bugonia, mais uma colaboração com Lanthimos, que já passou pelo Festival de Veneza e estreia ainda este ano.
Mas por que ninguém reclama de “saturação” nesse caso? A diferença está no tipo de projeto: são filmes mais autorais, longe dos blockbusters bilionários da Marvel ou das franquias de streaming como a Netflix. Além disso, Emma não aparece em campanhas publicitárias ou marketing pesado nas redes sociais como Zendaya, Jenna Ortega ou Sydney Sweeney.

Willem Dafoe é outro exemplo: ele também aparece com frequência em produções alternativas, como os dois últimos projetos de Yorgos Lanthimos, ao lado de Emma, além de Nosferatu, Beetlejuice 2 e O Farol. Mesmo com tanta presença anualmente, ele é celebrado como um ator versátil, e não como alguém que o público se cansaria de ver.
Nada de novo em Hollywood
A verdade é que Hollywood sempre teve seus rostos favoritos em cada década. Antes eram os astros da Era de Ouro, depois os galãs dos anos 90, e agora os queridinhos do momento da internet. O que mudou foi a velocidade com que consumimos conteúdo: com streaming, trailers no TikTok e marketing pesado, a sensação de que eles estão em tudo, e em todos os lugares ao mesmo tempo se tornou mais intensa.
Então, será que isso é realmente um problema? Depende. Para os estúdios, não. Para os atores, muito menos. Já para o público, pode ser cansativo, mas também é reflexo da era digital que vivemos aliada ao sistema de estrelas que Hollywood sempre alimentou. A diferença é que agora a “mesmice” é impossível de ignorar, e enquanto a bilheteria mandar, as mesmas cinco (ou dez) caras vão continuar dominando as telas do cinema.
E você, está cansado de ver o Pedro Pascal em toda produção hoje em dia? Qual celebridade faltou nesta lista? Conta pra gente nos comentários!








