James Gunn exagera na sexualização de personagens da DC? Entenda a polêmica

James Gunn exagera na sexualização de personagens da DC? Entenda a polêmica
Relembre a carreira polêmica do atual presidente do DC Studios

Desde que James Gunn assumiu a DC Studios e lançou seus três primeiros projetos oficiais, Comando das Criaturas, Superman e a nova temporada de Pacificador, os fãs começaram a notar um padrão que vai além do humor ácido, das trilhas dos anos 80 e da estética estilizada. Temas sexuais, explícitos ou insinuados, aparecem com frequência em praticamente todas essas produções, algo que o próprio Gunn já definiu como parte do seu “humor provocador”.

Essa discussão ganhou força nas últimas semanas, especialmente com a estreia da segunda temporada de Pacificador. A cena em que Freddie Stroma (Adrian Chase) aparece apenas de cueca fez o público ir à loucura, para o bem e para o mal.

Somada a uma sequência de orgia no primeiro episódio, a impressão de que Gunn pode estar sexualizando demais seus personagens se intensificou, levantando críticas de que certas cenas parecem ser gratuitas ou desnecessárias.

Ao mesmo tempo, memes e piadas pipocaram na internet sobre o fato de Gunn colocar a esposa, Jennifer Holland (Emilia Harcourt), em situações quentes com John Cena, protagonista da série. Fazendo algumas velhas questões voltarem à tona: os tweets antigos de Gunn, que levaram à sua demissão na Marvel, têm alguma relação com esse padrão? Seu estilo de direção que antes parecia fresco e ousado estaria começando a saturar?

Vamos revisitar a carreira do diretor e ver se essas suspeitas fazem sentido!

De demitido da Marvel a chefão do DC Studios

Para entender o contexto, é preciso voltar um pouco no tempo. Em 2018, James Gunn foi demitido da Marvel após tweets antigos virem à tona, com piadas pesadas envolvendo pedofilia, estupro, AIDS, 11 de setembro e o Holocausto.

Comentários como “gosto quando garotinhos me tocam no meu lugarzinho bobo” e “a melhor coisa de ser estuprada é quando você termina de ser estuprada e pensa: nossa, isso é ótimo, não ser estuprada” viralizaram e mancharam a imagem do diretor.

Na época, Gunn publicou uma longa sequência de desculpas no Twitter, dizendo que seu humor provocador e imaturo faziam parte do passado e que havia evoluído como pessoa:

“Meus dias de dizer algo só porque era chocante acabaram. Hoje tento basear meu trabalho no amor e na conexão, e menos na raiva”.

Mesmo assim, a Disney não hesitou, rompendo o contrato com o diretor: “As atitudes e declarações ofensivas descobertas no feed do Twitter de James são indefensáveis e inconsistentes com os valores do nosso estúdio”, disse Alan Horn, presidente do Walt Disney Studios.

Enquanto a empresa do Mickey fechava as portas para preservar sua imagem familiar, a Warner Bros. enxergou uma oportunidade. Sem o compromisso de ser “family friendly”, o estúdio dono de The White Lotus e Game of Thrones na HBO Max, apostou em Gunn para revitalizar sua franquia de heróis.

Nesse meio-tempo, após a enorme repercussão nas redes, ele acabou sendo recontratado pela Marvel para dirigir Guardiões da Galáxia Vol. 3, mas antes entregou o elogiado O Esquadrão Suicida e, em seguida, assumiu o comando do futuro da DC Studios ao lado de Peter Safran.

Relembrando a carreira de James Gunn

A trajetória de James Gunn explica muito do seu estilo autoral. Criado em Saint Louis, ele gravava pequenos filmes em 8mm com os irmãos e participava do cineclube da escola. Nos anos 90, ganhou bolsa para estudar cinema na Universidade de Columbia e começou dirigindo peças publicitárias.

Sua carreira deslanchou na Troma Entertainment, um estúdio independente conhecido pelo cinema de terror trash e grotesco. Ali, ele desenvolveu o humor ácido e os personagens excêntricos que se tornariam sua marca registrada. Mas foi com os roteiros dos dois filmes icônicos de Scooby-Doo (2002) e do remake de Madrugada dos Mortos (2004), dirigido por Zack Snyder, que ele realmente chamou a atenção de Hollywood.

Ironicamente, apesar da intensa rivalidade entre os fãs dos dois na internet, Gunn e Snyder mantêm uma amizade próxima desde aquela época.

James Gunn X
A internet notou que o estilo narrativo de James Gunn frequentemente gira em torno de “daddy issues” (Reprodução/X)

Em 2006, Gunn estreou na direção com Seres Rastejantes, já exibindo sua marca registrada quando está sem amarras de estúdios: violência, humor ácido e um elenco formado por amigos próximos. Esse estilo retornaria em Super (2010), um “filme de herói” completamente fora da curva, e mais tarde em sua produção Brightburn (2019), que imaginava um Superman do mal (mais um), mostrando como Gunn se interessa por histórias diferentes, estranhas e nada convencionais.

Seu ponto de virada veio com Guardiões da Galáxia (2014), quando transformou personagens obscuros da Marvel em um fenômeno mundial, algo que ele repetiria anos depois na DC com o Pacificador, elevando um personagem quase desconhecido a um dos mais populares da atualidade e a estrela de uma das séries mais bem avaliadas da HBO Max.

  • James Gunn e Jennifer Holland
  • James Gunn e Jennifer Holland

PG Porn e o flerte de James Gunn com o erótico

Dentre todos os projetos de James Gunn antes de estourar na Marvel, um em especial voltou à tona quando a polêmica dos tweets surgiu em 2018. Se hoje muita gente discute se Gunn sexualiza seus personagens, vale lembrar que isso sempre fez parte da sua carreira, mesmo que cause estranheza em parte do público, especialmente em produções da DC.

Entre 2008 e 2009, ele e os irmãos criaram a websérie PG Porn, que satirizava a indústria pornográfica com atrizes adultas em situações típicas de filmes pornôs, mas sem mostrar sexo explícito, daí o slogan: “Para pessoas que amam tudo na pornografia, exceto o sexo”. A série já mostrava seu lado provocador e um humor que dificilmente seria bem recebido nos dias de hoje, com participações de estrelas como Sasha Grey, Craig Robinson e Alan Tudyk.

Esse histórico ressurgiu quando os tweets antigos vieram à tona, levando fãs a questionarem se a Disney não conhecia o passado e o “humor Léo Lins” de Gunn antes de contratá-lo. Para muitos, PG Porn foi só um prenúncio das polêmicas que acompanhariam o diretor nos anos seguintes.

James Gunn PG Porn
Comparação entre PG Porn e a atual temporada de Pacificador, feita por um fã (ou hater) (Reprodução/X)

A fórmula já saturou?

A atriz Jennifer Holland, esposa de James Gunn, também entrou no centro das polêmicas. Na série, sua personagem Harcourt já se envolveu com Rick Flag e com o próprio Pacificador, o que gerou piadas e teorias nas redes sobre um possível “fetiche” de Gunn em ver sua parceira contracenando romanticamente com outros homens.

Para alguns, trata-se apenas de Gunn colocando pessoas próximas em papéis importantes em seu universo; para outros, é mais um reflexo da excentricidade do diretor, que insiste em inserir seu estilo provocador de formas mais inusitadas possíveis.

Outro ponto que vem sendo debatido é a repetição de fórmulas. Com diversas produções assinadas por Gunn nos últimos meses, fica difícil ignorar o quão semelhantes elas são: personagens desajustados, humor ácido, violência cômica, piadas prolongadas sobre temas completamente aleatórios, e, não raramente, sexualidade implícita. Será que a fórmula que o levou ao estrelato em 2014 está começando a saturar?

Guardioes da Galaxia, Comando das Criaturas, Scooby Doo
A fórmula de James Gunn vem sendo vista como repetitiva: equipes disfuncionais, humor ácido e fortes laços emocionais.

O estilo de James Gunn ainda é excêntrico ou já passou dos limites?

Seja qual for a conclusão, ele parece confortável em caminhar nessa linha polêmica que envolve sexualização em suas produções. Sua carreira inteira foi marcada por momentos assim, grandes ou pequenos, e talvez seja justamente essa ousadia, combinada com sua “excentricidade”, que mantém seu nome relevante.

As novas produções do universo DC deixam claro que ele não pretende abandonar o estilo que o colocou no topo, mesmo que provoque, incomode e divida opiniões. Recentemente, ele confirmou o segundo filme do Superman com David Corenswet para 2027, indicando que provavelmente seguirá a mesma vibe do primeiro, para frustração de quem não gostou e alegria de quem aprovou a direção de Gunn.

James Gunn X
Parte da internet acredita que James Gunn anda exagerando a um bom tempo em seu estilo de humor e narrativa (Reprodução/X)

Se os próximos projetos continuarem seguindo o mesmo padrão de humor ácido e sexualização, mesmo em obras que não exigem isso, a reação da internet tende a ser ainda mais intensa. O debate pode crescer tanto que, como já aconteceu antes, Gunn pode se sentir obrigado a se pronunciar publicamente em suas redes sociais.

Ainda assim, é inegável que Gunn trouxe frescor a dois universos cinematográficos gigantescos. Ele elevou personagens desconhecidos, deixou sua marca em cada projeto e mostrou habilidade rara em equilibrar drama, humor e criatividade, de um jeito que poucos diretores conseguem. Agora, resta observar se seus próximos trabalhos continuarão seguindo esse nível de qualidade na construção do novo DCU.


E você, já tinha percebido esse padrão nas produções de James Gunn? Gosta do novo rumo que o diretor está dando para a DC? Conta pra gente nos comentários!

Joshua Diniz

Carioca e Caxiense, nascido em 2003, estudante de Comunicação Social- Jornalismo na UNISUAM. Obcecado por tudo que envolva Cultura Geek, games, super-heróis e universos fantásticos. Fã apaixonado de música Folk e Indie, de The Lumineers a Wallows.

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