Além de “O Agente Secreto”, conheça o trabalho de Kleber Mendonça Filho
“O Agente Secreto” ainda nem chegou ao circuito comercial oficialmente, mas já coleciona elogios mundo afora. A passagem pelo Festival de Cannes rendeu a Kleber Mendonça Filho o prêmio de Melhor Direção e colocou o longa de vez sob os holofotes internacionais. Aclamado pela mídia e cotado para ser indicado em várias categorias do Oscar, ele consolida esse momento nobre do cinema brasileiro.
Se engana, porém, quem acredita que a trajetória do pernambucano começou agora. Antes de se aventurar nesse thriller político, já havia construído uma filmografia respeitada, marcada por olhares atentos sobre a cidade, a memória e as tensões sociais do país. Hoje, a gente relembra alguns desses filmes que ajudam a entender por que a obra foi tão aguardada.

Entre os filmes de Kleber Mendonça, “Bacurau” talvez seja o que mais conquistou público e crítica de forma simultânea. Codirigido com Juliano Dornelles, o longa começa com a morte de Dona Carmelita, matriarca de uma pequena comunidade no sertão pernambucano. Logo depois, os moradores percebem que algo estranho acontece: Bacurau desaparece dos mapas digitais, caminhões de água não chegam mais, celulares e internet são cortados. Aos poucos, a comunidade descobre que está sendo alvo de um grupo de estrangeiros perigosos.
O filme mistura elementos de ficção científica, faroeste, distopia, ação, cenas de violência explícita, mas tudo isso voltado para refletir sobre abandono, neocolonialismo, resistência coletiva, identidade local e desigualdade. “Bacurau” enceu o Prêmio do Júri em Cannes 2019.

“Aquarius” aprofunda temas de memória, propriedade, resistência individual diante de forças coletivas. A protagonista Clara (Sônia Braga), viúva e aposentada, vive num prédio antigo à beira-mar, em Recife, e se recusa a vender seu apartamento apesar da pressão de uma construtora que quer demolir ou reformar tudo. É o embate entre a própria identidade e o assédio do “progresso” capitalista.
O filme foi ovacionado internacionalmente e muitos esperavam uma possível indicação ao Oscar. Todavia, a recepção calorosa não foi suficiente para levá-lo à corrida pelo prêmio. Isso porque o Ministério da Cultura e a Comissão de Seleção optaram por indicar outro título (Pequeno Segredo, de David Schurmann), em meio a uma forte polêmica política.
As suspeitas são que tudo tratou-se de um boicote político, já que parte do elenco e da equipe do longa havia protestado publicamente contra o processo de impeachment de Dilma Rousseff. O caso repercutiu por todo o mundo.

Diferente dos anteriores, “Retratos Fantasmas” é um documentário estilo ensaio cinematográfico que chega a ser quase sensorial. Kleber volta ao centro do Recife, revisitando cinemas de rua, espaços que tiveram grande importância cultural e como locais de convívio, Ele capta não só memórias pessoais suas, mas também os apagamentos urbanos, as transformações da cidade, a gentrificação e o sumiço de espaços coletivos.
Dessa vez, não teve jeito. Selecionaram “Retratos” para representar o Brasil no Oscar 2024. Apesar de não chegar à lista final, o nome de Kleber foi reforçado mais uma vez.

“Recife Frio” é um curta-metragem que, embora pequeno em duração, já mostra traços do que viria a ser Kleber Mendonça Filho: Recife como personagem, clima, humor somado a crítica social e misturas de gêneros. Nessa produção, há uma mudança climática estranha: a cidade tropical vira fria. É um lamento de amor pelo Recife, uma reflexão sobre espaço urbano, ecologia.
O diretor assumiu que cogitou fazer uma versão mais longa da história, mas que o curta é bom o suficiente.

“O Som ao Redor” também foi selecionado pelo Brasil para o Oscar. A obra observa um bairro de classe média em Recife, quando uma empresa de segurança privada surge na vizinhança e tudo muda.
O elenco conta com Irandhir Santos (Tropa de Elite 2), Maeve Jinkings (Vale Tudo) e outros nomes talentosos. Para quem se interessar, ele está disponível no catálogo da Netflix até o fim deste mês.
A filmografia de Kleber Mendonça Filho ainda tem várias outras pérolas que merecem o prestígio. Qual o seu filme preferido do pernambucano? Deixe nos comentários!


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