The Life of a Showgirl: esse álbum precisava existir?

The Life of a Showgirl: esse álbum precisava existir?

Na última sexta-feira (03), Taylor Swift entregou ao mundo seu 12° álbum de estúdio, o “The Life of a Showgirl”, uma tentativa de retornar ao pop animado com a produção de Max Martin, que a consagrou no gênero na última década. Assim como em todo lançamento da americana, houve quebra de recordes e discussões nas redes sociais.

Fica bem claro, para qualquer um que acompanhe a carreira da loira, que esse projeto busca responder às críticas do “The Tortured Poets Department”. Reclamaram que era longo? Ela fez um disco curto. Reclamaram que era triste? Ela fez um disco alegre. Reclamaram do Jack Antonoff? Ela trocou de produtor.

Em 2018, Taylor chorou ao não ser indicada nas categorias principais do Grammy.

Essa característica “people pleaser” da artista costuma ser benéfica para sua obra. Por mais questionável que seja se moldar aos pedidos da indústria, isso mostra que ela está sempre disposta a ouvir os pontos dos especialistas e dos fãs, tentando resolver os “problemas” que surgem em cada era. No entanto, em “Showgirl”, ela não conseguiu calar as vozes; pelo contrário, elas aumentaram.

O novo álbum atualmente está com nota 69 no agregador Metacritic, sendo a primeira vez que Taylor experimenta uma nota menor que 70. A revista Pitchfork deu uma avaliação de 5.9, a mais baixa para a cantora, e disse que ela parece “relutante em evoluir”. Nas redes sociais, os swifties brigam entre aqueles que amaram e os que detestaram o projeto.

A CULPA É DO TRAVIS!

Quando Travis Kelce revelou ao mundo sua tentativa de chamar a atenção da popstar na The Eras Tour, ninguém achou que realmente existia uma chance de esse romance florescer. Contrariando as expectativas, a “professora de inglês” e o “professor de educação física” engataram um relacionamento e estão prestes a se casar.

No TTPD, Swift chegou a contar um pouco sobre seus sentimentos por Travis. Em “The Alchemy”, ela diz que esse é o tipo de amor que acontece uma vez em cada vida; já em “So High School”, ela confessa se sentir como uma adolescente boba quando está ao lado dele.

Travis é um jogador de futebol americano — o clássico popular da escola e o típico “macho” idealizado por tantas pessoas. Sem querer ofendê-lo, fica evidente que ele não é o tipo de homem que ouviria música clássica ou que leria Dostoiévski, mas sim alguém que ama jogos de tiro e que assistiria aos vídeos do Galo Frito caso fosse brasileiro.

Por isso, muitos ouvintes alegam que ele “não é profundo o suficiente” e que, agora que o quarterback é a “musa” de Taylor, as letras dela ficaram mais rasas e infantis.

Olha, honestamente, eu acho que isso é uma grande balela. Primeiro porque o pop não precisa ser sempre profundo, e as habilidades de Taylor como compositora não precisam ser provadas desde 2010.

Alguns desses comentários alegam que Joe Alwyn, sim, era uma inspiração válida e cheia de poesia. Acho que os autores dessas falas se esquecem, propositalmente ou não, de que o ator foi a inspiração para “ME!”, considerada a pior canção da trajetória da cantora, além de “Gorgeous”, “Paper Rings” e “London Boy”.

É claro que as letras sobre ele são complexas e emocionantes no “folklore” e “evermore”, simplesmente porque a intenção dos álbuns era ser dessa forma. Acho que Taylor errou ao afirmar que “The Life of a Showgirl” teria a mesma qualidade lírica? Sim, porém ainda repudio essa narrativa.

Vale lembrar também que “The Fate of Ophelia”, uma das faixas mais amadas do novo CD, é sobre Kelce. “The Albatross”, do “Poets”, provavelmente também é.

“Todo aquele tempo que fiquei sozinha na minha torre / Você estava apenas aprimorando os seus poderes / Agora consigo entender tudo / Certa noite você me desenterrou do meu túmulo e / Salvou o meu coração do destino de Ofélia.”

Letra de “The Fate of Ophelia”, em tradução livre.
Clipe oficial de “The Fate of Ophelia”.

Outro conselho que a diva pop está ouvindo sem parar nas redes é que ela “precisa tirar um tempo”. Porque é óbvio que lançar um álbum por ano mata seu desenvolvimento artístico, não é? Claro que não…

O tão endeusado “folklore” chegou a menos de um ano após o “Lover”, e o “evermore” chegou poucos meses depois de seu álbum-irmão. O público se acostumou com artistas como Rihanna e Adele, que parecem zero preocupadas em lançar músicas novas, e agora acha que a arte precisa levar anos para ser de qualidade.

Mas, sério, alguém que vive da música e que trabalha e prioriza isso precisa mesmo de meia década para compor 10 canções?

Ok, o que vou escrever agora soará completamente contraditório, mas tentem me entender. Eu acho que “The Life of a Showgirl” chegou muito cedo e Taylor podia ter esperado mais.

A questão aqui não é o tempo — muita coisa pode acontecer no período de um ano. A questão é que os principais acontecimentos na vida da compositora (o noivado e a recuperação das masters) aconteceram enquanto o disco já estava sendo feito. O ponto é que parece que ela não tinha assunto, nem mesmo para doze faixas.

No “The Tortured Poets Department”, ela teve 31 músicas para escrever sobre absolutamente tudo o que tinha direito. Ela falou sobre três namoros, sobre a visão da mídia sobre ela, até mesmo sobre a “The Eras” a mulher falou.

Muita gente reclamou da falta de letras sobre a vida de uma showgirl e dos aspectos negativos da fama, mas não é como se isso fosse ser alguma novidade. “The Lucky One”, “Clara Bow”, “I Know Places” e tantas outras obras já abordam diferentes aspectos dessa realidade.

O novo álbum parece tirar leite de pedra na tentativa de espremer qualquer gota de conteúdo da sua vida. Não é à toa que uma das faixas seja “Ruin the Friendship”, que é totalmente desconexa da proposta do projeto ao resgatar um antigo crush do ensino médio que faleceu.

O conceito de “Honey”, por exemplo, é fraco. Uma música inteira para dizer “Quando me chamavam de ‘querida’ era de forma irônica, mas agora você me chama assim e é legal”. Jura?

“Wi$h Li$t” é outra totalmente dispensável. É fraca lírica e melodicamente, parecendo uma versão inferior a “Glitch”, do “Midnights”. Por outro lado, “Wood”, apesar de boba, é dançante e tem uma ideia legal sobre não precisar mais de superstições, pois o amor teria quebrado qualquer “maldição” na sua vida.

“Actually Romantic” também é uma das poucas que parecem realmente ter o que dizer. Swift escolheu o deboche para responder aos supostos ataques de Charli XCX e entregou uma perfeita canção para indiretas no Instagram Stories.

Diferente do que muitos estão argumentando, não acho que ela precise estar miserável para ser uma boa escritora, mas esse definitivamente não é um dos seus maiores êxitos.

Para “The Life of a Showgirl”, a nota é 3/5.

Lucas Martins

Nascido em 2002 na cidade do Rio de Janeiro, cresci com paixão pela literatura e pela música. Sou Bacharel em Publicidade e Propaganda pela Unicarioca e futuro pedagogo pela UERJ. No meu tempo livre, gosto de assistir a filmes e acompanhar cada passo dado por Taylor Swift.

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