Pressão popular conquista isenção do IR e reacende luta pelo fim da escala 6×1
Depois de semanas de manifestações por todo o país, o medo de novas ondas de protestos fez deputados correrem para aprovar o projeto que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil. Agora, a pressão das ruas mira o fim da escala 6×1, uma das principais pautas trabalhistas de 2025.
O texto prevê que trabalhadores com salários de até R$ 5 mil fiquem isentos do IR, enquanto super ricos e grandes investidores passam a ser tributados, com uma alíquota mínima de 10% sobre lucros e dividendos. A medida tenta corrigir uma das maiores distorções do sistema tributário brasileiro, onde quem ganha menos paga proporcionalmente mais impostos do que quem ganha fortunas.

A força popular
A Câmara dos Deputados viveu dias tensos (para eles). Após uma sequência de atos e plebiscitos populares que se espalharam pelo país, o projeto que garante isenção do IR e taxação dos super ricos foi finalmente aprovado. O motivo não foi exatamente convicção política. Foi medo. Deputados sentiram o peso da pressão popular e entenderam, ainda que a contragosto, que ignorar o povo nas ruas poderia custar caro nas urnas, e na imagem pública.
Mas o que realmente mudou o rumo da votação não foram as planilhas de impacto fiscal. Foi a mobilização popular. Nas últimas semanas, o Brasil viu uma onda de manifestações em defesa dos direitos públicos e na luta contra a desigualdade. Em dezenas de cidades, sindicatos, movimentos sociais e trabalhadores tomaram as ruas com faixas, cartazes e palavras de ordem.
No Rio de Janeiro, o ato em Copacabana se destacou. Reuniu artistas, sindicalistas e representantes de diversas categorias em um protesto marcado por shows e discursos. O recado foi direto: ou o Congresso votava a favor do povo, ou enfrentaria uma nova onda de manifestações e greves. E deu certo. Em poucos dias, o plenário aprovou o projeto praticamente por unanimidade, um gesto que mais pareceu um pedido coletivo de trégua do que um ato de coragem política.

Uma longa luta
Entretanto, a pressão não partiu apenas das ruas. Um plebiscito popular, organizado por centrais sindicais e movimentos de base, reuniu mais de 1,5 milhão de assinaturas em apoio à isenção do IR e ao fim da escala 6×1. O documento foi entregue ao presidente da Câmara e se tornou símbolo de uma retomada de participação política direta da população. A mensagem era clara: o povo está observando, e quem votar contra os trabalhadores será cobrado.
O impacto dessa mobilização é inegável. Parlamentares que antes evitavam o tema passaram a defendê-lo publicamente. Alguns chegaram a admitir, nos bastidores, que “não havia clima para votar contra”. E de fato, não havia. Depois de ver avenidas lotadas e redes sociais tomadas de campanhas, o Congresso logo entendeu que enfrentar essa pauta seria um suicídio político. A pressão popular fez o que raramente acontece em Brasília: colocou o medo do povo acima do medo do mercado.
Agora, o foco se volta para a escala 6×1, regime de trabalho que obriga milhões de brasileiros a trabalharem seis dias por semana, com apenas um de descanso. O governo federal já declarou apoio ao fim dessa escala, e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que a mudança “depende da continuidade da mobilização popular”. A luta, portanto, está longe de acabar. Movimentos sociais se organizam para pressionar o Congresso e impedir que o tema vire apenas uma manobra eleitoral.
O direito de viver para além do trabalho
A pauta é urgente. O fim da escala 6×1 representaria um avanço significativo nas relações de trabalho, garantindo mais tempo de descanso, saúde e qualidade de vida para a classe trabalhadora. Além disso, a taxação dos super ricos e o alívio fiscal para quem ganha menos são passos concretos rumo a uma sociedade com mais equilíbrio. Estas medidas reduzem desigualdades, fortalecem o consumo interno e impulsionam a economia real, aquela que depende do trabalhador, não da especulação.

Ainda assim, o risco de retrocesso existe. Setores conservadores do Congresso já tentam minimizar o impacto da medida e adiar a votação sobre a jornada de trabalho. Por isso, movimentos sindicais e coletivos populares reforçam: a luta precisa continuar nas ruas. É essa força coletiva que empurra o Legislativo a agir quando o discurso da “responsabilidade fiscal” começa a pesar mais do que a responsabilidade social.
A aprovação da isenção do IR foi uma conquista popular, mas não uma dádiva. Foi resultado direto da organização e da pressão. Deputados podem tentar vender como vitória política, mas o país inteiro sabe que o empurrão veio das calçadas, das praças e das redes. Se o povo recuar agora, a agenda trabalhista corre o risco de ser engavetada.
O próximo passo é garantir que o fim da escala 6×1 não se transforme em promessa de campanha. Logo, é ir para a rua outra vez, mostrar que a pressão funciona, e que, no Brasil de hoje, o medo de perder voto é o único argumento capaz de fazer o Congresso legislar para o povo.

