Sabrina Carpenter como Alice: o que podemos realmente esperar?
Em um dos anúncios mais comentados do ano, Sabrina Carpenter foi confirmada pela Deadline como Alice na nova adaptação musical inspirada em “Alice no País das Maravilhas”, com roteiro e direção de Lorene Scafaria (Hustlers). A produção é da Universal Pictures, estúdio que também está por trás do sucesso de Wicked, e já desperta expectativas e comparações inevitáveis.
Embora mais detalhes sobre o filme estejam sendo mantidos em segredo, a escalação marca um momento importante na carreira de Carpenter. Mas o desafio é enorme: reinventar um dos clássicos mais revisitados da cultura pop sem cair na armadilha do “mais do mesmo”.
Carpenter vive um dos auges de sua carreira. Após o sucesso de “Espresso” e de sua turnê mundial, a cantora chega ao cinema com status de estrela pop consolidada. Ela também será produtora do longa, o que indica um envolvimento criativo além da atuação — uma aposta ambiciosa para alguém que tenta firmar o pé em Hollywood.
Pontos a favor: talento, voz e controle criativo
Sabrina chega com o passaporte carimbado no pop. Sua trajetória musical recente, marcada por hits como Espresso e Feather, mostra uma artista segura no palco e capaz de sustentar certas narrativas performáticas. Essa bagagem ajuda e muito quando o assunto é cinema musical, gênero que exige domínio vocal e carisma cênico.
A cantora não é estranha à atuação; ela começou no Disney Channel e estrelou diversos filmes independentes no Festival de Sundance, além de seu papel de destaque como Maya Hart no spin-off de Boy Meets World, Garota Conhece o Mundo.
Mais do que interpretar Alice, Sabrina assume também o papel de produtora, o que significa poder criativo real dentro do projeto. Essa decisão indica que o filme pode refletir o olhar da artista sobre o caos, a fantasia e a feminilidade que atravessam a personagem. O resultado pode ser um Wonderland com DNA pop, visual ousado e emoção à flor da pele.
A diretora Lorene Scafaria, é mais conhecida por seu aclamado filme de 2019, Hustlers, estrelado por Jennifer Lopez e que rapidamente se tornou um forte candidato ao Oscar naquele ano. Ela também dirigiu vários episódios da série mais recente da HBO, Succession, da adorada comédia da Fox, New Girl, bem como episódios da nova série de Rachel Sennott, I Love LA .
Os poréns: uma história mil vezes contada
Mas aí vem a parte difícil. Alice no País das Maravilhas já foi explorada por quase todos os formatos possíveis: animação, live-action, versões psicodélicas, releituras góticas e até videogames. Embora a história original seja do autor Lewis Carroll, que está domínio público, ela é mais conhecida por suas adaptações cinematográficas da Disney, incluindo a animação original de 1951 e a versão em live-action de Tim Burton, estrelada por Mia Wasikowska, Johnny Depp e Anne Hathaway em 2010.

E transformar isso em musical é um salto arriscado. Além de atuar, Carpenter precisará sustentar o ritmo de um universo fantástico que vive de exageros, se não pode virar um problema com a adaptação do musical Cats. Ser convincente como Alice, cantando e navegando por cenários oníricos, exige mais do que talento: requer uma entrega emocional que equilibre loucura e humanidade.
O perigo está em repetir o mesmo encantamento superficial que outras produções já exploraram — um Wonderland bonito, mas vazio de significado.
Comparação inevitável: pode chegar aos pés de Wicked?
E aqui entra a pergunta ácida que ninguém quer fazer, mas todo mundo pensa: será que esse musical pode chegar aos pés de Wicked?
Difícil. Wicked é um fenômeno. Não apenas um musical — mas uma instituição cultural. Ele criou fandoms, memes, trilhas eternas e uma mitologia paralela ao clássico O Mágico de Oz. Para competir nesse nível, o novo Alice precisaria ir muito além do entretenimento: teria que redefinir o que é um musical moderno.
Se o projeto de Carpenter apostar em composições que fiquem na cabeça do público, coreografias memoráveis e uma estética que se torne “cultura de internet”, há chance. Mas se ficar apenas no terreno do “visual bonito + boas intenções”, Wicked continuará no trono, e Alice virará só mais um experimento ambicioso — mas esquecível.
O que observar nos próximos passos
Quando o trailer sair, o público deve ficar atento a detalhes além do visual. O tom da narrativa vai dizer muito: se o filme abraçar apenas o lado fantasioso, ótimo; mas se trouxer camadas de tensão, crítica e emoção, pode surpreender.
Outro ponto essencial é o elenco de apoio. Alice não carrega o País das Maravilhas sozinha. Um Chapeleiro Louco carismático, uma Rainha de Copas imponente e um Coelho Branco expressivo podem transformar o musical em algo muito maior.
E, claro, a trilha sonora será decisiva. As músicas precisam ser mais do que funcionais: têm que grudar, ecoar fora da tela, virar playlist, TikTok, referência. Só assim um musical se transforma em fenômeno cultural.
No fim das contas, há um potencial real de algo especial — Sabrina Carpenter é talentosa, magnética e sabe construir universos pop com consistência. Mas para alcançar o patamar de Wicked, será preciso mais do que carisma e figurinos coloridos. Porém, será preciso criar um filme-evento, um texto que dialogue com o presente e que capture o imaginário coletivo de forma duradoura.
Se conseguir equilibrar o delírio visual de Wonderland com o poder emocional da música, Carpenter pode surpreender até os mais céticos. Mas até lá, o público deve manter a empolgação sob controle: o País das Maravilhas pode ser mágico — ou apenas mais um belo sonho passageiro.

