Rosalía, com “LUX”, inaugura uma era de simbolismo artístico
Rosalía está pronta para viver um novo capítulo em sua trajetória com “LUX”, seu quarto álbum de estúdio, lançado pela Columbia Records. O projeto, dividido em quatro movimentos e com 18 faixas no total, foi apresentado de forma grandiosa em Madrid. A artista transformou a Gran Vía em um palco a céu aberto, com uma performance que reuniu milhares de fãs e parou o centro da cidade.
Histórico impecável
Nos últimos sete anos, Rosalía mostrou que não existe limite para sua arte. Com “El Mal Querer”, lançado em 2018, ela transformou uma tese de graduação no Conservatório da Catalunha em um fenômeno cultural que misturou o flamenco a batidas urbanas. Já em “Motomami”, a cantora embaralhou gêneros como reggaeton, hip-hop e cumbia, mergulhando em temas sobre fama, desejo e identidade. Agora, com “LUX”, ela revisita suas raízes clássicas para criar algo espiritual, intenso e profundamente simbólico.

O disco tem arranjos assinados por Caroline Shaw, vencedora do Prêmio Pulitzer, e foi gravado ao lado da London Symphonic Orchestra, sob regência do islandês Daníel Bjarnason, conhecido por colaborações com a banda Sigur Rós e trilhas de cinema. O primeiro single, “Berghain”, com participações da Orquestra Sinfônica de Londres, Björk e Yves Tumor traz os primeiros vislumbres dos temas centrais do disco, como a busca por conexão com o divino. A sonoridade do álbum é grandiosa e emocional, unindo ópera, música clássica e eletrônica moderna. Além disso, Rosalía afirmou ao New York Times que quis criar “um antídoto à era da dopamina”, explicando o desejo de oferecer uma experiência mais profunda e duradoura.
Com “LUX”, Rosalía se distancia do tom urbano de Motomami, álbum que lhe rendeu quatro Latin Grammys e um Grammy de Melhor Álbum de Rock ou Alternativo Latino. Enquanto isso, ela dá um passo em direção ao espiritual. Se antes falava sobre empoderamento e desejo com o corpo em movimento, agora o foco é o espírito. Por isso, o disco é dividido em quatro atos que representam a transformação feminina, indo do caos à iluminação, da carne ao divino.
Sobre LUX
São 15 faixas em 13 idiomas, incluindo catalão, árabe, japonês, italiano e português. Além disso, as versões físicas ainda trazem três faixas bônus: “Focu ‘ranni’”, “Jeanne” e “Novia Robot”. O projeto explora a tensão entre o sagrado e o profano, com letras que discutem fé, corpo e transcendência. Assim, o resultado é uma jornada sonora que parece existir entre o céu e a terra.
Em suas letras, Rosalía se inspira em santas e figuras míticas da tradição católica. Um dos principais símbolos é Santa Rosalía de Palermo, que renunciou à vaidade para dedicar-se à fé. Por isso, canções como “Mio Cristo Piange Diamanti” e “Dios Es Un Stalker” exploram a dualidade entre devoção e desejo, dois polos que se encontram de forma intensa e provocante.

O álbum também celebra a força das vozes femininas. Rosalía convida artistas como Björk, Carminho, Estrella Morente, Silvia Pérez Cruz e o coro Escolania de Montserrat, criando uma ponte entre culturas e gerações. Desse modo, a escolha reforça a proposta de LUX: exaltar a multiplicidade do feminino como força criadora e espiritual.
O sagrado
A estética visual do projeto é parte essencial dessa narrativa. Na capa, Rosalía aparece coberta por um véu branco, remetendo à iconografia religiosa. Além disso, o visual reflete o equilíbrio entre pureza e provocação. O lançamento aconteceu no Museu de Arte da Catalunha, em Barcelona, com uma performance que misturou arte e liturgia. Durante o evento, a artista vestiu um traje criado por Demna, diretor criativo da Gucci, e surgiu sobre lençóis brancos com um halo loiro no cabelo, parecendo uma extensão viva da própria obra.

A recepção foi extremamente positiva. Críticos e fãs apontam LUX como o projeto mais ambicioso da carreira da artista. Nas redes sociais, muitos destacaram a forma como Rosalía equilibra o experimental com o emocional. Já veículos como Rolling Stone e Pitchfork elogiaram a coragem estética do álbum, chamando-o de uma das obras mais inovadoras do pop contemporâneo. Assim, o impacto de LUX reafirma a posição de Rosalía como uma das artistas mais visionárias de sua geração.
Com LUX, Rosalía mostra que está em outro patamar. O disco não é apenas uma coleção de músicas, mas um manifesto artístico que une fé, arte e som em um mesmo universo. Por fim, cada faixa é uma peça de um quebra-cabeça emocional, que prova que a cantora segue reinventando o pop e a si mesma a cada era.

