Stranger Things: como está a carreira dos atores revelados pela série?

Stranger Things: como está a carreira dos atores revelados pela série?

Desde que estreou em 2016, Stranger Things transformou um grupo de jovens desconhecidos em fenômenos globais. Ao mesmo tempo em que a série foi consolidada como um dos maiores sucessos da Netflix, novas carreiras foram lançadas, reposicionadas ou redescobertas. Agora, com o fim da produção se aproximando, o interesse sobre o futuro desses atores é maior do que nunca. O público quer entender quem conseguirá se manter relevante fora do mundo invertido — e quais caminhos cada um escolheu trilhar.

A seguir, um panorama atualizado da evolução profissional dos atores revelados pela série, analisando o impacto da fama precoce, a diversidade de escolhas artísticas e as perspectivas para um pós-Stranger Things.


Millie Bobby Brown

Millie Bobby Brown. (Foto Theo Wargo/Getty Images)

Se existe um nome diretamente associado ao impacto mundial de Stranger Things, esse nome é Millie Bobby Brown. A atriz, que interpretou Eleven e se tornou um ícone pop instantâneo, fez da série um trampolim para uma carreira expansiva.

Após sua estreia, Millie mergulhou em grandes produções. A franquia Godzilla a levou para blockbusters de escala internacional, e a saga Enola Holmes, protagonizada e produzida por ela, consolidou sua força criativa fora das telas. Aos poucos, a atriz moldou sua própria narrativa: ela não é apenas uma adolescente talentosa, mas uma empresária, produtora e figura midiática com forte apelo comercial.

Sua marca de beleza, sua presença em eventos de alto perfil e seu envolvimento na produção de novos filmes demonstram um controle raramente visto em carreiras tão jovens. Millie opera com maturidade de alguém que entende o próprio valor enquanto constrói uma filmografia variada. É muito improvável que sua carreira desacelere após o fim da série.


Finn Wolfhard

Finn Wolfhard no filme “Hell of a Summer” (Foto: Divulgação/Prime Video)

Enquanto Millie representa a estrela mainstream do grupo, Finn Wolfhard encarna o artista versátil. Seu desempenho como Mike Wheeler abriu portas, mas sua postura sempre sugeriu um interesse muito maior que somente atuar.

Finn se destacou rapidamente no cinema graças ao sucesso de It (2017), onde interpretou Richie Tozier e conquistou crítica e público. Depois disso, sua trajetória se tornou ainda mais variada: ele entrou para o universo Ghostbusters, participou de produções independentes e até mesmo dirigiu projetos próprios.

Sua carreira musical também foi construída paralelamente. Primeiro com a banda Calpurnia, depois com The Aubreys, Finn escreveu e lançou músicas originais, mostrando que não pretende ser categorizado como “ator que canta”, mas sim como um artista multifacetado.

É possível que, após Stranger Things, Finn se torne um nome frequente por trás das câmeras. Seu interesse crescente por direção e roteiro indica um futuro artístico mais autoral, menos dependente do brilho de grandes franquias.


Noah Schnapp

Noah Schnapp em the Tutor (Foto: Divulgação/Mubi)

Diferente dos colegas mais midiáticos, Noah Schnapp traçou um caminho menos barulhento, porém constante. Seu papel como Will Byers foi emocionalmente central na narrativa da série, e esse reconhecimento lhe permitiu explorar diferentes tipos de projetos.

No cinema, Noah participou de dramas independentes como o “The Tutor” (2023), comédias e filmes familiares. Sua carreira não seguiu o ritmo acelerado dos protagonistas mais populares, mas isso não indica estagnação. Pelo contrário: a forma gradual como ele tem construído sua filmografia pode beneficiá-lo no longo prazo. Ele não está “preso” a personagens específicos, e transita com naturalidade entre gêneros.

Como muitos atores que crescem diante das câmeras, Noah parece testar possibilidades antes de definir uma identidade artística mais sólida. O fim da série pode ser justamente o momento ideal para que ele busque papéis mais desafiadores e reposicione sua imagem no mercado.


Sadie Sink

Sadie Sink em A Baleia ( Foto: divulgação/Prime Video)

Sadie Sink chegou apenas na segunda temporada, mas rapidamente se tornou uma das grandes revelações da série. Sua atuação intensa como Max Mayfield chamou a atenção do público, dos críticos e da indústria. Não demorou para que roteiristas e diretores enxergassem nela um talento dramático capaz de ir além do universo teen.

Seus trabalhos pós-Stranger Things confirmaram esse potencial. Em A Baleia, Sadie mostrou sua capacidade de lidar com diálogos mais profundos, nuances psicológicas e atmosferas densas. A performance gerou repercussão internacional e colocou seu nome entre os grandes talentos dramáticos de Hollywood.

Ela também retornou ao teatro, reafirmando sua formação original e conquistando indicações importantes da crítica. Sadie é vista como a atriz do elenco que mais naturalmente fará a transição para papéis adultos complexos — aqueles que exigem entrega emocional e gama interpretativa ampla.

Se mantiver essa linha de projetos, é bem provável que seja reconhecida futuramente como uma das grandes atrizes de sua geração.


Caleb McLaughlin

Alma de Cowboy (2021) (Foto: divulgação/Netflix)

Caleb McLaughlin já tinha um histórico sólido antes de entrar na série, principalmente por sua participação na Broadway, onde interpretou Simba em O Rei Leão. Esse começo no teatro lhe deu uma base técnica que aparece em seus trabalhos atuais.

Após ganhar fama como Lucas Sinclair, Caleb investiu em filmes como Alma de Cowboy (2021), em séries e em sua presença digital, sem se apressar em construir uma filmografia extensa. Sua carreira pode não ser a mais comentada entre os integrantes do elenco, mas ela é organizada e consistente. Com o tempo, essa estratégia tende a se mostrar vantajosa.

O ator também se dedica a causas sociais, especialmente discussões sobre saúde mental e representatividade.


Gaten Matarazzo

Gaten Matarazzo em Honor Society (Foto: Divulgação/ Paramount Plus)

Gaten Matarazzo é um dos membros mais queridos do elenco, tanto pelo papel como Dustin quanto por sua postura natural e carismática. Ele também possui uma carreira teatral extensa, iniciada antes da série e retomada durante os hiatos entre uma temporada e outra.

Seu envolvimento com programas de TV como “Grite, você está sendo Filmado” (2019-2021) e Honor Society (2022) demonstram um profissional que não se limite a um tipo de genêro. Gaten se mantém conectado à música, ao teatro e às telas, criando uma carreira híbrida — algo que pode ser muito vantajoso no cenário atual, em que artistas multifuncionais ganham destaque.

Além disso, sua postura pública sobre a displasia cleidocraniana, condição que ele possui, é vista de forma muito positiva. Ele conversou sobre o tema com naturalidade e ajudou a aumentar a visibilidade de pessoas com a mesma condição.


Charlie Heaton

Charlie Heaton em Os novos Mutantes (Foto: Divulgação/20th Century Studios)

Charlie Heaton não era um total desconhecido ao entrar no elenco, mas Stranger Things certamente o transformou em um rosto global. Seu histórico com a música — especialmente com bandas alternativas — traz um ar mais indie ao seu perfil, o que também se reflete nas escolhas de papéis.

Heaton tende a preferir produções dramáticas como MarrowBone (2017), mas recentemente participou de Os Novos Mutantes (2020) da Marvel. Ele parece menos interessado em Hollywood tradicional e mais próximo do cinema britânico ou de projetos autorais.

Essa postura pode criar um nicho interessante para ele após o fim da série. Muitos atores consolidaram carreiras longas ao escolher produções pequenas porém marcantes, e esse caminho pode ser o mais natural para Charlie.


Maya Hawke, Joe Keery e o segundo grupo de revelações

(Netflix/Divulgação)

Embora não sejam exatamente “mirins” quando entraram na série, Maya Hawke e Joe Keery se tornaram igualmente marcantes e construíram carreiras sólidas. Ambos também possuem envolvimento com música, além de projetos no cinema e em séries de sucesso.

Maya Hawke, filha de Ethan Hawke e Uma Thurman, já carrega herança artística e aproveitou a projeção de Stranger Things para expandir sua carreira em Hollywood e na música folk. Já Joe Keery, intérprete do carismático Steve Harrington, também se destacou como músico sob o nome Djo, e lançou álbuns muito elogiados pela crítica.

Eles representam uma segunda leva de talentos impulsionados pela série, cada um com uma identidade artística bem definida.


O desafio pós-Stranger Things

Todos os atores revelados pela série enfrentam agora o mesmo desafio: crescer diante do público sem ficar presos aos personagens que os lançaram. Para muitos deles, a transição já está acontecendo. Os mais versáteis — Millie, Finn, Sadie e Maya — demonstram interesse em carreiras amplas e variadas. Outros, como Noah e Caleb, avançam de forma mais gradual, o que pode ser igualmente eficiente a longo prazo.

O fato é que Stranger Things não formou apenas ícones temporários; formou trajetórias consolidadas em construção, cada uma com um estilo próprio. E, ao que tudo indica, o cenário pós-série será fértil para praticamente todos eles, desde que continuem encontrando projetos que valorizem seus talentos.

Letícia Frazão

Nascida em 2001, na Zona Norte do Rio de Janeiro, bacharel em jornalismo, pós-graduanda em jornalismo cultural pela Uerj. Apaixonada por literatura e cinema desde adolescência, sempre com uma referência sobre cultura pop na ponta da língua.

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