Wicked: comportamento estranho do elenco chama atenção

Wicked: comportamento estranho do elenco chama atenção

A press tour de Wicked deveria ser uma celebração — o momento em que o público vê Ariana Grande e Cynthia Erivo lado a lado trazendo à vida uma das maiores duplas da Broadway. Mas, na prática, a recepção tem sido tudo menos mágica. Nas últimas semanas, cada aparição da dupla viraliza não pelo conteúdo promocional, e sim pelo clima estranho que parece dominar as entrevistas, vídeos de bastidores e até encontros com os fãs.

Comportamentos tensos, olhares perdidos, reações exageradas a barulhos e uma postura corporal descrita por muitos como “assustada” ou “hipervigilante” têm levantado especulações. Paralelamente, a internet mergulhou em discussões sobre a magreza extrema do elenco principal — especialmente Ariana e recentemente a Michelle Yeoh— desencadeando uma avalanche de teorias, críticas e ataques que reacendem os debates e a pressão do público.

Em meio a tudo isso, fãs e historiadores do cinema têm levantado um paralelo curioso (e perturbador): os bastidores de O Mágico de Oz, filme clássico que também ficou marcado por pressões, estresse, manipulações e um ambiente de trabalho caótico. Seriam apenas coincidências? Ou o universo de Oz carrega, desde sempre, uma sombra que agora se reflete na nova adaptação?

Videos que Viralizaram

Em diversos vídeos da press tour, Ariana Grande e Cynthia Erivo parecem deslocadas, tensas ou excessivamente vigilantes. Um dos momentos que mais repercutiu ocorreu durante uma entrevista externa, quando o som repentino de um helicóptero fez Cynthia reagir como se estivesse sob ameaça. Nas redes, muitos comentaram que a atriz parecia entrar em “modo pânico”, respirando rápido e apertando os dedos um contra o outro.

A magreza do elenco e Estranha Dinâmica Entre as Protagonistas

Desde a primeira foto oficial divulgada, a internet se dividiu entre preocupações legítimas, julgamentos agressivos e comentários extremamente invasivos sobre o corpo da artista. Ao longo dos últimos dias, porém, a magreza de Cynthia (Elphaba na trama) e Michelle Yeoh (Madame Morrible) tem reforçado a pauta e dado margem a especulações.

Grande já havia feito um apelo público em 2023 para que as pessoas parassem de comentar sobre seu peso, explicando que versões anteriores de seu corpo — inclusive quando considerada “mais saudável” pela internet — eram, na verdade, períodos difíceis de sua vida. A mensagem, porém, parece ter se perdido no vento.

Efeito Oz”: uma Tradição Sombria?

A comparação com O Mágico de Oz vem se tornando um tópico quente entre fãs. O clássico de 1939, estrelado por Judy Garland, é famoso não apenas pela magia criada na tela, mas também pelos relatos assombrosos dos bastidores — que hoje seriam classificados como abuso, assédio e exploração.

Elenco antigo mágico de OZ (foto; reprodução/ Warner Studios)

Entre os fatos historicamente documentados:

Margaret Hamilton, a Bruxa Má, sofreu queimaduras severas em cena. Garland, então adolescente, foi colocada sob dietas rigorosas e estimulantes para controlar seu peso e energia. Os atores que interpretavam os Munchkins tinham comportamentos considerados agressivos e indisciplinados durante a produção. O ator do Homem de Lata teve reação tóxica à maquiagem metálica e precisou ser internado.

A ideia de que “as bruxas de Oz não têm paz” se tornou quase uma lenda moderna — e está sendo usada agora para comentar a aura pesada da press tour de Wicked.

A cor verde da Elphaba, a dualidade moral das personagens, o tema do isolamento, a pressão gigantesca sobre intérpretes femininas… tudo contribui para alimentar a narrativa de que o universo de Oz carrega um tipo de maldição emocional — ainda que simbólica.

Claro, nada indica que Ariana ou Cynthia estejam vivendo algo remotamente semelhante ao sofrimento imposto a Judy Garland. Mas a comparação nasce justamente da percepção coletiva de que algo está emocionalmente truncado — que esses personagens parecem vir acompanhados de uma carga difícil de carregar.

Letícia Frazão

Nascida em 2001, na Zona Norte do Rio de Janeiro, bacharel em jornalismo, pós-graduanda em jornalismo cultural pela Uerj. Apaixonada por literatura e cinema desde adolescência, sempre com uma referência sobre cultura pop na ponta da língua.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.