Lupita Nyong’o: uma carreira prejudicada pelo racismo de Hollywood

Lupita Nyong’o: uma carreira prejudicada pelo racismo de Hollywood

A trajetória da atriz Lupita Nyong’o revela o pesado preço de ser negra e africana em Hollywood. Apesar de ter chegado ao topo com o Oscar por “12 Anos de Escravidão”, mais de uma década depois ela dá um balanço cru sobre o rumo que sua carreira tomou e o quanto o racismo estrutural da indústria moldou esse percurso.

Em recente entrevista à CNN, a atriz desabafou sobre o tipo de convites que recebeu logo após a premiação. “Depois que ganhei o Oscar, você pensaria, ‘vou conseguir papéis principais aqui ou ali’”, disse ela. Em vez disso, vinham ofertas do tipo: “Oh, Lupita, gostaríamos que você fizesse outro filme onde você é uma escrava, mas dessa vez você está num navio negreiro”.

Esse padrão revela a limitação de visão de Hollywood: a obra que lhe rendeu a estatueta transformou-se em um molde, e não uma porta de entrada para diversidade de personagens. Ela própria enxergou a pressão e muitos veículos especularam se esse seria o “início e fim da carreira daquela mulher africana de pele escura”.  Consciente disso, Lupita optou por recusar papéis que perpetuassem estereótipos, mesmo que isso significasse “fazer um trabalho a menos por ano para não reforçar a visão estereotipada da África”.

Nos anos seguintes ao Oscar, os papéis mais relevantes que ela conseguiu vieram em geral como dublagem, captura de movimento ou participações em franquias, por exemplo, dando sua voz no live-action de “Mogli: O Menino Lobo” e fazendo captura de movimento como Maz Kanata em “Star Wars: O Despertar da Força”. Esse tipo de trabalho, embora ajude a manter presença, não garante a visibilidade dramática ou carga simbólica de um papel protagonista com profundidade.

Lupita Nyong’o em “Nós”.

Por outro lado, quando teve oportunidade de brilhar de verdade, a musa mostrou força e talento: seu desempenho em “Nós” e em “Um Lugar Silencioso: Dia Um”, nos quais ela interpretou as personagens principais. Esses acertos reforçam a ideia de que parte do problema não está nela, mas nas escolhas, ou na falta de escolhas, da indústria: diretores e produtores não-brancos, com sensibilidade e compromisso em diversificar representações, parecem ter papel crucial nesse tipo de oportunidade.

O caso de Lupita Nyong’o evidencia algo que vai além da trajetória individual, escancarando as falhas de uma indústria que escala talentos brancos para tudo logo após o primeiro sucesso, mas reserva quase nada para negras e negros, sobretudo retintos. Vejamos, por exemplo, que muitos atores brancos ganham imediatamente papéis de destaque após o Oscar, com liberdade para migrar entre gêneros, estilos e personagens.

Lucas Martins

Nascido em 2002 na cidade do Rio de Janeiro, cresci com paixão pela literatura e pela música. Sou Bacharel em Publicidade e Propaganda pela Unicarioca e futuro pedagogo pela UERJ. No meu tempo livre, gosto de assistir a filmes e acompanhar cada passo dado por Taylor Swift.

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