5 livros que Bolsonaro pode ler na cadeia e que você deveria ler em casa!
Todos já sabemos que Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, mas o que ganhou destaque foi o fato de nos últimos dias foi que, como qualquer preso, ele pode recorrer a um fenômeno curioso: remição de pena por leitura. A lógica é que a cada livro literário, filosófico ou científico que o preso ler, comprovar com uma resenha, e tiver o aval da Justiça, pode haver a redução de quatro dias da pena.
A lista oficial elaborada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape-DF) e homologada pela Justiça traz dezenas de títulos que discutem racismo, ditadura, democracia, gênero, injustiça social, temas sensíveis e de grande densidade histórica.
Justamente isso que virou piada nas redes sociais, a ideia de que Bolsonaro e outros militares de extrema-direita lerem obras como “Pequeno Manual Antirracista” ou “Ainda Estou Aqui” é simplesmente difícil de acreditar. Para ser honesto, é difícil imaginar o ex-presidente lendo qualquer coisa que não seja uma mensagem de texto.
De qualquer forma, vale a pena olhar para alguns livros citados como possíveis escolhas para você adicionar a sua própria lista. Essas obras resistem ao tempo, provocam perguntas e emancipam o pensamento.

O Perigo de Uma História Única — Chimamanda Ngozi Adichie
Esse ensaio poderoso faz o alerta de que reduzir uma pessoa, uma cultura, um povo a uma única narrativa, muitas vezes construída por quem detém poder, é perigoso. Chimamanda mostra como histórias únicas moldam percepções distorcidas, alimentam estereótipos e apagamentos. Ela convoca o leitor a buscar múltiplas visões, a questionar versões hegemônicas da história, a enxergar a complexidade por trás de identidades e experiências.
Tudo É Rio — Carla Madeira
Um romance contemporâneo que navega pelas memórias, pela dor e pelas esperanças de quem viveu por muitos anos à margem da sociedade. A autora constrói personagens vulneráveis, com trajetórias marcadas por abandono, preconceito e luta por dignidade e sua escrita mergulha nos dilemas humanos, na construção da identidade, nas fissuras da alma e da sociedade.
Um Defeito de Cor — Ana Maria Gonçalves
Romance monumental que atravessa gerações e percorre séculos a partir da trajetória de uma mulher negra arrancada da África e transformada em escrava no Brasil colonial. A narrativa expõe a brutalidade da escravidão, resgata ancestralidade e mostra como o legado de dor e luta se desdobra até os dias atuais. É uma obra que incomoda, que angústia e, ao mesmo tempo, humaniza quem foi historicamente desumanizado.
O Conto da Aia — Margaret Atwood
Distopia terrivelmente plausível que imagina um futuro autoritário onde mulheres perdem direitos básicos, são reduzidas a funções reprodutivas, controladas por um Estado opressor. Atwood constrói uma ambientação fria, claustrofóbica, mostrando o quanto poder, militarismo, controle sobre o corpo e o silencio imposto sobre vozes dissidentes podem destruir liberdades.
Na Minha Pele de Lázaro Ramos
Memórias e reflexão de Lázaro Ramos narrando sua trajetória como homem negro no Brasil, as barreiras, os preconceitos, as dúvidas, e os acertos. Ele compartilha vivências pessoais para iluminar temas como racismo estrutural, identidade, representatividade, pertencimento.

