Por que a direita está boicotando as Havaianas?

Por que a direita está boicotando as Havaianas?

É claro que, em um ano de tantas polêmicas, iriamos ter debates até os 45 minutos do último tempo de 2025. O mais recente episódio de boicote nas redes sociais envolve a Havaianas, aquela marca de chinelos que é quase um símbolo nacional, e surgiu a partir de uma simples campanha publicitária de fim de ano que agora desembocou em acusações de viés político e um movimento coordenado por grupos bolsonaristas para “cancelar” a marca.

Tudo começou com um comercial estrelado pela atriz Fernanda Torres em que ela diz não querer que as pessoas comecem 2026 “com o pé direito”, mas sim com “os dois pés”, uma expressão popular que normalmente significa ir com tudo, se lançar nas oportunidades, pegar a estrada, aproveitar a vida. Esse tipo de frase existe no português há décadas e não tem nenhuma ligação direta com política, trata-se apenas de brincar com a linguagem. No entanto, não dá para esperar tanto de gente que se recusa a usar o caixa de número 13 no mercado ou de quem via “Alô Diabo” na embalagem da Coca-Cola.

Muitos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e de correntes mais radicais da direita interpretaram a propaganda do chinelo como uma provocação. Políticos e influenciadores desse campo passaram a publicar vídeos queimando ou jogando fora chinelos da Havaianas. A maioria literalmente comprou um item novo para poder fazer a “gracinha” nas redes.

A birra com a Fernanda Torres também não é novidade. Além do desprezo comum dos bolsonaristas à classe artística, também há o fato dela ter ganhado destaque internacional e repercussão política este ano com o filme Ainda Estou Aqui, que trata dos horrores da ditadura militar no Brasil.

Esse tipo de boicote nas redes por parte da direita não é um fenômeno isolado. Há alguns anos, quando o influenciador Felipe Neto participou de uma campanha publicitária da marca de chocolates Bis, isso também foi suficiente para que parte dos apoiadores bolsonaristas chamasse a marca de “comunista” e incentivasse o consumo de concorrentes, sob a hashtag #BisNuncaMais. O resultado? Absolutamente nada mudou e os bombons continuam vendendo como sempre.

Qualquer um que entende minimamente de marketing sabe que uma ação como essas apenas potencializa a marca e também divulga os produtos. Enquanto isso, é um bom momento para calçar suas havaianas e dar boas risadas das publicações.

Lucas Martins

Nascido em 2002 na cidade do Rio de Janeiro, cresci com paixão pela literatura e pela música. Sou Bacharel em Publicidade e Propaganda pela Unicarioca e futuro pedagogo pela UERJ. No meu tempo livre, gosto de assistir a filmes e acompanhar cada passo dado por Taylor Swift.

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