Cinema brasileiro além da ditadura: 8 filmes para ficar de olho

Cinema brasileiro além da ditadura: 8 filmes para ficar de olho

Quando se fala em cinema nacional, por causa das recentes premiações, muitos ainda lembram automaticamente de filmes sobre a ditadura militar. Mas a produção recente do Brasil abrange dramas sociais, ficções científicas, westerns sertanejos, terror, adaptações literárias e histórias profundamente humanas. A seguir, reunimos 8 filmes brasileiros lançados entre 2023 e 2025 — alguns já em plataformas de streaming — para provar que a diversidade temática e estética do país vai muito além do passado autoritário.

O Último Azul (2025) — ficção científica sensível

Dirigido por Gabriel Mascaro, O Último Azul explora um Brasil distópico que exila idosos para colônias habitacionais com o pretexto de “liberar espaço” para os mais jovens. A protagonista, Tereza (Denise Weinberg), recusa a ideia e parte numa jornada pelos rios da Amazônia para realizar um último desejo antes de deixar sua casa. Ao longo do percurso, ela encontra Cadu (Rodrigo Santoro) e outros personagens que transformam sua visão de mundo e identidade. O filme venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim de 2025 e estreou nos cinemas brasileiros em agosto, alcançando também o catálogo global da Netflix.

Oeste Outra Vez (2024) — faroeste no sertão

Com direção e roteiro de Érico Rassi, Oeste Outra Vez mergulha no sertão de Goiás para reimaginar o faroeste brasileiro. O filme acompanha Totó (Ângelo Antônio) e Durval (Babu Santana) — dois homens que se tornam rivais violentos após serem abandonados pela mesma mulher, gerando uma escalada de conflitos marcados pela masculinidade tóxica, orgulho e isolamento. A presença de veteranos como Antônio Pitanga fortalece o elenco, e a obra foi um dos títulos pré-selecionados para representar o Brasil no Oscar 2026.

Enterre Seus Mortos (2025) — terror surreal no interior

Marco Dutra adapta o livro homônimo de Ana Paula Maia em Enterre Seus Mortos, um terror peculiar que acompanha Edgar Wilson (Selton Mello), homem responsável por remover animais atropelados nas estradas, junto com o padre excomungado Tomás (Danilo Grangheia). Quando Edgar desrespeita as regras de seu trabalho, eventos estranhos começam a revelar um clima apocalíptico na fictícia cidade de Abalurdes. O filme estreou nos cinemas em outubro de 2025 traz performances impactantes de Marjorie Estiano e Betty Faria.

Sonhar com Leões (2025) — tragicomédia luso-brasileira

Protagonizado por Denise Fraga, Sonhar com Leões é uma coprodução entre Brasil, Portugal e Espanha dirigida por Paolo Marinou-Blanco. A história acompanha Gilda, uma imigrante com doença terminal que decide viver seus últimos dias de forma digna em Lisboa. Com elementos de humor e reflexão, o filme dialoga com temas de identidade, mortalidade e conexão humana. A obra integrou a seleção competitiva do Festival de Cinema de Gramado 2025.

Kasa Branca (2024/2025) — afeto e periferia

Dirigido por Luciano Vidigal, Kasa Branca segue Dé (Big Jaum), um adolescente negro que se dedica a proporcionar os últimos dias de vida de sua avó com Alzheimer. Com a ajuda dos amigos Adrianim (Diego Francisco) e Martins (Ramon Francisco), ele transforma momentos simples em memória afetiva e digna. O filme ganhou prêmios no Festival do Rio e amplia a representação das comunidades periféricas na tela grande.

O Filho de Mil Homens (2025) — adaptação sensível

Baseado no romance de Valter Hugo Mãe e dirigido por Daniel Rezende, O Filho de Mil Homens gira em torno de Crisóstomo (Rodrigo Santoro), um pescador solitário cuja vida muda ao lidar com personagens improváveis em uma pequena comunidade litorânea. A adaptação recebeu elogios pela fidelidade ao tom humano do livro e pela construção de personagens palpáveis.

A Melhor Mãe do Mundo (2025) — drama familiar potente

Dirigido por Anna Muylaert, o filme acompanha uma mãe que luta para proteger seus filhos de condições adversas e de um relacionamento abusivo, encarando a vida como uma aventura que mistura dor e amor. A crítica destacou a atuação de Shirley Cruz e a forma com que a narrativa transforma adversidade em força emocional.

O Último Episódio (2025) — nostalgia, amizade e amadurecimento

O Último Episódio chega como um dos filmes brasileiros que melhor captura a nostalgia afetiva das décadas de 1980 e 1990. Dirigido por Maurílio Martins, que cresceu no bairro de Laguna, em Contagem (MG), o longa mergulha no universo de um garoto de 13 anos chamado Erik que inventa, para impressionar sua paixão platônica, Sheila, a história de que tem em casa a lendária fita com o episódio final do desenho Caverna do Dragão. Essa mentira impulsiona uma aventura em que ele e seus melhores amigos criam soluções para manter a farsa, viver experiências intensas e enfrentar dilemas típicos do amadurecimento.

Por que essas obras merecem sua atenção

Essa lista mostra como o Brasil constrói narrativas originais que exploram desde reflexões existenciais e sociais até gêneros como terror, ficção científica e faroeste. Essas produções provam que o cinema brasileiro vai muito além de uma única temática histórica, abrindo espaço para diversidade de vozes, estilos e estéticas que refletem realidades diversas e provocam debates atuais. Assistir a esses filmes é entrar em contato com perspectivas únicas, talento nacional e histórias que ressoam com públicos amplos em plataformas de streaming e salas de cinema.

Letícia Frazão

Nascida em 2001, na Zona Norte do Rio de Janeiro, bacharel em jornalismo, pós-graduanda em jornalismo cultural pela Uerj. Apaixonada por literatura e cinema desde adolescência, sempre com uma referência sobre cultura pop na ponta da língua.

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