Sem BAFTA, sonho brasileiro do Oscar se torna mais difícil

Sem BAFTA, sonho brasileiro do Oscar se torna mais difícil

A 79ª edição do BAFTA, considerada por muitos o Oscar britânico, acabou funcionando mais como um lembrete das dificuldades do cinema nacional e de O Agente Secreto na corrida pela estatueta mais desejada de Hollywood do que como um impulso de confiança.

A cerimônia consagrou Valor Sentimental como Melhor Filme em Língua Não Inglesa. Durante a entrega das categorias de atuação, quando coadjuvantes do longa perderam, criou-se uma expectativa de que o filme pudesse estar enfraquecido dentro da própria premiação britânica, que historicamente tende a favorecer produções europeias. Houve quem enxergasse ali uma brecha para surpresas. No fim da noite, porém, foi justamente Valor Sentimental que confirmou força ao levar o principal prêmio internacional da noite.

No paralelo das atuações, a derrota de Timothée Chalamet, apontado como um dos principais rivais de Wagner Moura na temporada, poderia ser interpretada como um pequeno respiro estratégico para a campanha brasileira. Mas é preciso colocar as coisas em perspectiva. Quem venceu foi um ator britânico em um prêmio britânico. O simbolismo pesa menos quando se olha para o cenário da Academy Awards, que tem dinâmica própria e eleitorado diferente do Bafta. Chalamet ainda deve vencer o The Actor Award (antigo SAG).

Timothée Chalamet com seu Golden Globe por “Marty Supreme”.

Hoje, dentro do debate, O Agente Secreto parece chegar mais competitivo do que Ainda Estou Aqui chegou em sua temporada, até pelo impulso que recebeu no Golden Globe Awards. Ainda assim, converter campanha em estatueta é outra história.

A disputa este ano está marcada por contrastes claros. Emilia Perez sofreu desgaste na reta final por polêmicas que atravessaram a divulgação, enquanto Valor Sentimental manteve trajetória estável, sem ruídos públicos, além de contar com nomes de peso de Hollywood no elenco e um diretor amplamente respeitado pela crítica internacional.

O resultado do BAFTA não encerra o sonho brasileiro, mas funciona como um alerta. A temporada mostrou que entusiasmo de público e crítica não garante voto na Academia.

Lucas Martins

Nascido em 2002 na cidade do Rio de Janeiro, cresci com paixão pela literatura e pela música. Sou Bacharel em Publicidade e Propaganda pela Unicarioca e futuro pedagogo pela UERJ. No meu tempo livre, gosto de assistir a filmes e acompanhar cada passo dado por Taylor Swift.

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