“Pânico 7” não é ruim como querem que você pense

“Pânico 7” não é ruim como querem que você pense

Ontem (25), a pré-estreia do sétimo volume de “Pânico” deu o que falar e dividiu opiniões. A franquia slasher dos anos 90 nunca teve unanimidade. Muita gente ama o segundo e o terceiro filmes, assim como há quem os odeie. Quanto ao quinto e ao sexto longa, existe grande divergência sobre serem inferiores à trilogia original ou adições interessantes ao universo.

No entanto, talvez seja a primeira vez que o público reage tão mal logo de início. Ainda que haja elogios, a maioria dos comentários nas redes sociais é negativa. Mas será que “Pânico 7” é tão ruim assim?

É importante ressaltar que esta é uma obra que está sendo “boicotada” por muitos. A demissão considerada injusta de Melissa Barrera, por se posicionar contra os ataques de Israel à Palestina, foi uma decepção para parte do público, que já foi ao cinema com vontade de odiar o filme, o que torna as críticas bastante enviesadas. Além disso, um número considerável de pessoas sente saudade das irmãs Carpenter e gostaria de vê-las de volta.

Eu, que nunca fui fã da ideia delas como protagonistas, não senti a ausência da dupla. Pelo contrário, considero o retorno de Neve Campbell extremamente necessário para a saga e não consigo acreditar que algum fã realmente ache que ela não seja essencial para a história.

Começando pelo início, a cena de abertura não está entre as mais fortes da franquia. Há, sim, um grande acontecimento que deveria ser simbólico, mas ele se perde e acaba diminuindo a própria relevância. A sequência também é mais longa do que deveria, com um desenvolvimento arrastado.

Na trama, Sidney assume a posição de mãe superprotetora que esconde seu passado da filha Tatum, interpretada por Isabel May, ao mesmo tempo em que desaprova o namoro da jovem. Tudo vira de cabeça para baixo quando ela recebe uma ligação de Stu Macher, um dos Ghostfaces originais, supostamente morto há 30 anos.

Ele está realmente vivo ou é apenas um deepfake? Essa é a pergunta que guia a história.

Matthew Lillard caracterizado como Stu.

Você gosta de filmes de terror?

Assim que os acontecimentos se intensificam, o ritmo se torna frenético. “Pânico 7” é um banho de sangue quase ininterrupto, com cenas de ação bem executadas e mortes que beiram o grotesco. Entre os melhores momentos estão a cena do teatro, o trecho em que mãe e filha ficam presas dentro da parede e a primeira aparição de Gale Weathers.

Courteney Cox tem um tempo de tela inferior ao dos últimos filmes, o que é compreensível, já que o foco está na família de Sidney. Ainda assim, ela é tratada como a estrela que é e surge em cena sendo celebrada como os heróis da Marvel em “Vingadores: Ultimato”.

Isabel May, por sua vez, começa como a típica “mocinha sem sal no drama adolescente”, um clichê do gênero. Seu crescimento ao longo do enredo é positivo e pode fazê-la conquistar o público no futuro.

Os demais personagens não recebem o mesmo destaque. Um exemplo é Mckenna Grace, nome mais relevante do núcleo teen, que acaba desperdiçada com pouco tempo de tela. O foco então recai sobre Chad, vivido por Mason Gooding, e Mindy, interpretada por Jasmin Savoy Brown, que, para mim, estão em seu melhor momento na franquia.

Com uma hora e cinquenta minutos de duração, “Scream 7” prende a atenção a cada segundo, e o tempo passa sem que se perceba, até o terceiro ato. É aí que o problema começa.

A maioria das reviews na internet repete a mesma frase: “O filme é bom, mas o final destrói tudo”. Considero essa opinião um pouco exagerada. Não gosto de descartar uma obra apenas porque os últimos 30 minutos não me agradaram, mas entendo a frustração.

A revelação da(s) pessoa(s) por trás da máscara decepciona, e a motivação para o crime não soa tão impactante quando já foi utilizada anteriormente. Na minha visão, a razão em si nem é o principal problema. O que falta é desenvolvimento e tempo de tela para que haja brilho no(s) personagem(ns).

O que me surpreende é ver gente tratando isso como novidade. Tirando o primeiro e o quarto filme, quais Ghostfaces são realmente interessantes e bem construídos? Lembro que, em “Pânico 2”, quando Mickey foi revelado, minha reação honesta foi perguntar “quem é esse mesmo?”. Na sequência, a descoberta de que Sidney possuía um irmão secreto foi surreal de tão ruim. Amber, por exemplo, é carismática, mas sua motivação é realmente boa? E o que dizer da ruiva que forjou a própria morte como se fosse uma grande reviravolta?

Jill Roberts, de “Pânico 4”, hoje é lembrada como um ícone, e o filme é aclamado por muitos fãs. No entanto, na época do lançamento, teve uma das piores repercussões da história da criação de Wes Craven, e sua motivação foi considerada ridícula por parte da crítica. A bilheteria, em 2011, foi tão decepcionante que os planos de uma sequência imediata acabaram engavetados.

Por isso, acredito que o calor do momento não define o que “Pânico 7” é ou o que ainda pode se tornar no futuro. Vá ao cinema e tire suas próprias conclusões.

Por aqui, nossa nota é 4/5.

Lucas Martins

Nascido em 2002 na cidade do Rio de Janeiro, cresci com paixão pela literatura e pela música. Sou Bacharel em Publicidade e Propaganda pela Unicarioca e futuro pedagogo pela UERJ. No meu tempo livre, gosto de assistir a filmes e acompanhar cada passo dado por Taylor Swift.

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