“EQUILIBRIVM” traz espiritualidade e o lado artístico da Anitta de volta
Nos últimos anos, Anitta vem deixando cada vez mais claro o quanto temas como fé e espiritualidade são importantes em sua vida. Em seu oitavo álbum de estúdio, “EQUILIBRIVM”, ela explora esse lado em um disco que tem potencial para se tornar um clássico da música nacional.
Indo do reggae ao funk e do pop ao macumbeats, o disco é arriscado em um país com tanta intolerância religiosa, mas a cantora coloca a cara a tapa — e seu discurso de “não faço questão do sucesso” parece realmente válido desta vez.
Anitta abre o álbum com “Desgraça”, uma faixa já impactante, e segue com “Mandinga”, com Marina Sena, que poderia facilmente estar na tracklist de “Coisas Naturais”.
No projeto, ela reúne produtores renomados, muitos deles vencedores ou indicados recentemente ao Grammy Latino. Nas parcerias, ela foi certeira ao escolher nomes populares que, ao mesmo tempo, trazem autenticidade ao projeto, como Luedji Luna e Os Garotin.
Isso contribui para a coesão de “EQUILIBRIVM”, que atinge seu ápice nos momentos em que a carioca lembra que é artista e que pode entregar mais do que apenas hits genéricos moldados pela fórmula do TikTok.
Além da devoção, o romance também se mantém presente em faixas como “Ternura”, “Caso de Amor” e “So Much Love”. “Pinterest” aparece, porém em sua versão em espanhol, o que considero um grande erro. Em um álbum com tanta identidade, qual a razão de escolher a versão estrangeira (ainda menos popular) do single?
Sinto que “Choka Choka”, com Shakira, também destoa da obra. Apesar de ser o hit que a era precisa, parece muito mais parte de “Funk Generation” do que deste álbum. Ainda que Anitta tenha dito que dividiria o “EQUILIBRIVM” em partes para atender ao mercado nacional e internacional, pode ser que os planos tenham mudado.
Fica o questionamento: será que o público hispânico realmente vai ouvir “Várias Quejas”? Não seria mais interessante ouvir a regravação em nosso próprio idioma? É esse tipo de coisa que acaba retirando um pouco da confiança do público na Larissa e que prejudicam a autenticidade de seus lançamentos.
Apesar dessa questão, não dá para negar que Anitta teve coragem e dedicação ao entregar esta era. Destaque para “Deus Existe” e “Vai Dar Caô”, canções extremamente distintas que mostram as melhores versões artísticas da musa.
