Revisitando Álbuns: o Kisses realmente é ruim?
Existe uma teoria antiga na internet sobre uma suposta “maldição do quarto álbum”. O conceito consiste no fato de que o quarto disco de vários artistas costuma ser o mais fraco, ou têm um desempenho inferior aos anteriores. Alguns acreditam que o “Kisses” da Anitta se encaixa perfeitamente, mas será mesmo?
Lançado em 2019, foi o primeiro CD da carioca voltado para o mercado interno. Com inúmeras parcerias nacionais e estrangeiras, foi cantado em três idiomas diferentes, indo do funk ao reggaeton.
Foram dez músicas com dez clipes sendo lançados ao mesmo tempo e, no que diz respeito ao sucesso comercial, não foi o maior acerto da morena, no entanto, algumas músicas como “Banana” e “Onda Diferente” fizeram barulho.
Apesar da dedicação colocada na obra, o comentário mais recorrente é que o “Kisses” é uma bomba e um regresso de quem, anos antes, apresentou “Bang” para o país.
O BEIJO DEU SAPINHO?
Muitas coisas aconteceram no período pré e pós o nascimento do álbum. Parte do público ainda se recuperava do ranço criado na época das eleições, onde muitos se incomodaram com a falta de posicionamento da artista.
Por outro lado, todas as polêmicas com a Ludmilla e os créditos de composição acabaram tirando um pouco do foco do projeto. Enfim, não foi o momento em que Anitta estava sendo mais amada.
Dessa forma, nasceu a “crítica”, que provavelmente é a mais lembrada de todas, do disco. Na época, um integrante do fórum BCharts fez uma resenha chamando o “Kisses” de “playlist genérica de singles”.
O texto, calculadamente pensado para viralizar no Twitter, se tornou muito popular na internet e até mesmo hoje é trazido à tona quando o álbum é mencionado.

A NOSSA OPINIÃO
Bom, sabemos que às vezes a internet segue no efeito manada e muitos sequer dão uma chance para uma novidade, preferindo esperar a opinião de terceiros. Por isso, revisitamos o “Kisses” e vamos analisar faixa por faixa para descobrir se ele é mesmo tão ruim.
ATENCIÓN
Mesmo que as frases de fundo sejam vistas como “cafonas”, essa é uma música extremamente divertida. Ver a intérprete falando “Vocês pensaram que eu não ia rebolar minha bunda em espanhol, né? Tá de sacanagem” na canção de abertura foi incrível.
O clipe conscientiza sobre as prevenções ao câncer de mama, o que obviamente não gerou muito burburinho nos portais pop. No entanto, se for para apontar algum defeito, diria que chamar “Atención” de “outro Show das Poderosas” foi um pouco demais, não chega nem perto.
BANANA
A segunda faixa realmente é um “trunfo”, como descreveu a BCharts, porém está muito longe de ser datada ou bagunçada. A letra que relaciona comida com órgãos sexuais pode até ser criticada por muitos, mas é viciante e não repetitiva como muitos dos lançamentos recentes de Anitta.
“Banana” tem tudo o que um hit precisa: versos criativos, uma boa parceria, um clipe divertido e a aceitação do público. A única coisa que faltou foi um investimento maior no que poderia ser a “Envolver” deste álbum.
Apesar disso, é o clipe mais assistido da era.
ONDA DIFERENTE
É uma pena que essa colaboração tenha gerado tanto conflito, porém é inegável que se tornou um marco, estando presente nos shows de ambas as artistas. Mesmo sendo a maior fatia de português do “Kisses”, continua a proposta do disco e traz uma dose americanizada com os versos de Snoop Dogg.
O rapper acrescenta demais nesse funk, não só por suas rimas, mas pelo carinho que demonstrou com a carioca, chegando até a se apresentar com ela no palco do Coachella anos depois.
SIN MIEDO
Tudo bem que fazer dez clipes tirando a maior parte do dinheiro do próprio bolso é complicado, mas aqui a falta de criatividade foi um pouco longe demais. Bagunçado e sem graça, é um dos maiores erros da iniciativa.
Quanto à música em si, é boa e faz referência a um dos maiores êxitos da música brasileira lá fora. O verso “Ay, si me pego, ay ay, si me pego” é um claro paralelo com a canção de Michel Teló. A produção de DJ Luian e Mambo Kingz está no ponto e gostaria que eles colaborassem novamente com a garota do rio.
POQUITO
O único defeito de “Poquito” é ter sido usada como carro-chefe da era, quando claramente não possuía força para tal. Anitta até tentou usar a força do rapper Swae Lee, que estava bombando na época, mas o desinteresse do americano era tanta que, na única vez que divulgou a canção nas redes sociais, sequer acertou o nome da colaboração.
A insistência da vocalista brasileira em “Poquito” chegou a irritar os fãs. Todavia, acredito que essa é uma das suas melhores na língua inglesa e, definitivamente, merecia mais atenção.
TU Y YO
Ok, essa é a minha menos favorita. A voz de Chris Marshall é muito boa, tanto que a patroa decidiu colocá-lo como feat ao invés de chamar um cantor consolidado. No entanto, é a performance da própria Anitta que me incomoda, principalmente seus agudos na parte do “apaga la luz”.
O vídeo oficial também não apresenta nada de novo, sendo uma versão menos charmosa de “Cobertor” com Projota. Não é à toa que a própria estrela erra a letra dessa no ao vivo. É imemorável.
GET TO KNOW ME
Apesar de ser a mente por trás de clássicos como “Meiga e Abusada” e “Veneno”, que são cheias de personalidade, a compositora de Honório tem a péssima tendência em apostar no genérico quando canta em inglês.
“Get To Know Me” não é o ponto mais alto do CD, mas também não é um grande destaque. A pior parte, claro, é sua franja no videoclipe.
ROSA
Sexy, provocante e viciante, “Rosa” com Prince Royce é um desperdício. Em minha opinião, as melhores canções de Anitta são as sensuais em espanhol, não é à toa que seus maiores sucessos são “Downtown”, “Bellaquita Remix” e “Envolver”.
Aqui, ela perdeu o que poderia ser um grande hit na América Latina. Tudo graças ao péssimo planejamento que o álbum teve. Uma pena.
JUEGO
Um clipe que não diz nada com nada, com péssimos figurinos e penteados. A faixa em si é boa como um “filler”, ou seja, está lá só para constar e ocupar espaço, mas não é ruim. De alguma forma, me remete a algo que Karol G lançaria em 2017 e que, provavelmente, faria sucesso na voz dela.
VOCÊ MENTIU
Uma graça, mas não é o melhor que essa dupla poderia fazer. Anitta tem produções melhores nessa vibe, como “Fica Tudo Bem” e “Will I See You”.
CONCLUSÃO
“Kisses” não é um disco perfeito, mas está bem longe de ser a poluição sonora que muitos tentam pintar. Pelo contrário, diria que é bem melhor que o “Versions of Me”, por exemplo.
Acredito que ele funcionaria muito mais como um EP, da mesma forma que o projeto “Checkmate” de 2017. Apenas quatro músicas lançadas durante quatro meses, sendo elas “Rosa”, “Banana”, “Poquito” e “Onda Diferente”, com menos faixas, seria mais fácil chamar a atenção do público para as principais, gerando números maiores.
Não posso afirmar, mas acho que muitos que odiaram o disco quando lançou, iriam aproveitar muito mais se ouvissem de coração aberto hoje em dia.
E vocês, o que acham do quarto álbum da funkeira? Quais outros vocês querem ver revisitados aqui no Amargurado? Comentem!

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