Quem é a “classe média do pop” no Brasil?
Recentemente, o renomado The New York Times publicou uma matéria dissecando o conceito de “classe média” da música pop, ou seja, artistas com pouco sucesso comercial, mas que são tratados como superestrelas pelos fãs da internet.
São aqueles cantores aclamados pela galera do Twitter ou do TikTok, mas que você quase nunca ouve uma música tocando em algum lugar.
Entenda que o objetivo do jornal não foi sugerir que os ídolos eram fracassados; muitos dos citados possuem canções de sucesso. No entanto, suas carreiras não alcançam grandes marcos como outros nomes, ao exemplo de uma Adele ou um Bruno Mars.
Entre os citados pela matéria estão Troye Sivan, Ava Max, Bebe Rexha, Rita Ora e Kim Petras. Hoje, iremos tentar aplicar o mesmo conceito para o mercado brasileiro.
Primeiramente, quem é a elite do pop nacional?

Antes de conseguirmos listar quem luta para chegar ao topo, precisamos pensar nos que já estão lá. A elite do pop são aqueles que conseguem quebrar as barreiras do gênero e alcançar os mesmos números que ritmos mais populares no Brasil, como o sertanejo e o funk.
No mês de agosto, tanto Jão quanto Luísa conquistaram o título de maiores estreias da história do nosso Spotify. Hits como “Idiota” e “Penhasco”, juntamente com a presença de ambos no festival The Town, não deixam margem para dúvidas de que ambos estão no alto escalão de seu segmento.
Outros exemplos são Anitta, Glória Groove, Pabllo Vittar e Ludmilla.
VIVI

Virginia Wanderley, mais conhecida como Vivi, possui mais de 30 milhões de seguidores nas redes sociais. No Instagram, representa um número maior do que o de celebridades consolidadas como Taís Araújo e Fábio Porchat
Seria de se esperar que essa quantidade de fãs, que acompanham os vídeos da influencer, se convertesse em número de streams. No entanto, não é o que aconteceu.
A segunda canção de trabalho da jovem de 22 anos, “PLAYGROUND”, até fez certo barulho, conquistando um top 50 no Brasil e 100 em Portugal. Porém, as faixas seguintes, “VINGANCINHA” e “Miami” passaram completamente fora do radar do público.
Sua colaboração com Rebecca e Pabllo Vittar, “AEIOU”, não só foi mal nos charts, como foi motivo de chacota nas redes sociais.
GIULIA BE

Giulia Be é a prova de que ser colocada em uma lista como essa, está longe de ser uma ofensa. A carioca é dona de músicas que viralizaram na internet e que foram bem nas rádios, como “se essa vida fosse um filme”, “(não) era amor” e, claro, seu maior sucesso, “menina solta”.
Além disso, foi protagonista do filme “Depois do Universo”, um sucesso nacional da Netflix.
O fato é que, apesar de possuir visibilidade, ela está longe de ser uma artista estabelecida no mercado e de ser reconhecida pelo público. Os últimos singles do seu mais recente álbum “Disco Voador”, “desficava” e “perfeita”, foram totalmente ignorados pelo público.
THIAGO PANTALEÃO

No final do ano passado, a revista VOUGUE dedicou uma publicação ao cantor e compositor Thiago Pantaleão considerando-o uma grande promessa do pop nacional. O garoto tem potencial, mas, até o momento, não decolou.
Atualmente, conta com menos de 500 mil ouvintes mensais no Spotify. Seus maiores sucessos são “Te Deixo Crazy”, parceria com Danny Bond, e “Desculpa por Eu Não Te Amar”.
Seu maior destaque vem com a atenção que recebe nas redes sociais, graças às suas fotos sensuais e os vídeos em que mostra seu talento rebolando. No Twitter, um de seus vídeos dançando tem quase o mesmo número de visualização que um de seus clipes mais recentes.
CAROL BIAZIN

Carol Biazin é um nome reconhecido tanto por parte do público adolescente quanto pelo adulto.
Alguns a conhecem por suas composições para outros artistas, como “Complicado” de Vitão e Anitta, ou em diversas faixas de Luísa Sonza. Outros lembram de sua segunda colocação no The Voice Brasil em 2017.
Mesmo não sendo dona de nenhum grande hit, tem uma carreira estável e uma legião fiel de fãs. Constantemente é possível ver o nome da artista nos assuntos mais comentados do Twitter.
Em março desse ano, se apresentou no Lollapalooza Brasil, um dos maiores festivais do país. Em seus shows solo consegue levar mais de 2 mil pessoas em apenas uma noite.
Seu último single, “ligações de alma”, é uma parceria com Baco Exu do Blues e tornou-se sua segunda canção a alcançar o top 200 da parada diária do Spotify Brasil.
MARINA SENA

Provavelmente o nome mais polêmico de se estar na lista, Marina Sena está dominando o país aos poucos. Seu maior trunfo, “Por Supuesto”, acumula mais de 100 milhões de reproduções no Spotify.
A vencedora da categoria “Revelação do Ano” no Prêmio Multishow de Música Brasileira de 2021 faz parcerias relevantes, como em “Quase Não Namoro” de Juliette e “APENAS UM NENÉM” de Glória Groove. Um grande destaque em sua carreira, por exemplo, foi marcar presença em “Poesia Acústica 12”.
Não que ela precise de colaborações para chamar atenção. Com seu álbum “Vício Inerente”, conquistou o público nas redes sociais e tem uma das maiores estreias do ano.
Por outro lado, nenhuma das músicas do disco chegou perto de uma boa posição nas paradas. E, com exceção das canções já citadas nesta publicação, Marina não têm outro sucesso expressivo na sua discografia.
A mineira de 26 anos tem tudo para entrar no grande escalão da música, devido sua voz marcante e carisma, mas, por enquanto, isso ainda está longe de acontecer.
Nesse conceito de “classe média pop”, dá para citar muitos outros interpretes. Na minha opinião se encaixam a Day, o Vitão, a Duda Beats e a Urias. Consegue pensar em mais alguém? Deixe nos comentários!

One thought on “Quem é a “classe média do pop” no Brasil?”