It’s Not That Deep de Demi Lovato entrega pop divertido e nada profundo
Demi Lovato está de volta ao pop, e, sinceramente, ainda bem! Depois de dizer que nunca mais voltaria ao gênero, a cantora lançou It’s Not That Deep, um projeto que celebra a leveza, o humor e a energia que sempre fizeram parte da sua essência. Após a fase roqueira de Holy Fvck, Demi finalmente reencontra o caminho onde brilha de verdade.
A volta do pop sem culpa
Desde o visual até a sonoridade, o álbum deixa claro que o objetivo é se divertir. A estética é colorida, simples e “office trash chique”, com aquele ar de desordem proposital, o que lembrou muito os clipes da última era de Troye Sivan. É bagunçado com estilo, e funciona muito bem.

A faixa de abertura no Youtube é uma versão live de Let You Go, diferente dos streamings, o que particularmente causou um impacto muito interessante, marcante, com uma vibe etérea e vocais impecáveis. É o tipo de introdução que faz qualquer lovatic se emocionar. Poderia ter seguido com a mesma estratégia para o disco.
Balada, pista e nostalgia dos anos 2000
Os singles como Fast são de fato genéricos, mas cumprem o propósito com maestria, grudando na cabeça. Here All Night é o destaque entre eles: animada, divertida e construída com perfeição, pura energia de pista. O toque eletrônico e os adlibs dão um charme de pop dos anos 2000.
Sorry to Myself traz uma boa letra, mas o beat é fraco e deixa a desejar. Já em Say It, a letra é linda, fofa, doce, e o ritmo nostálgico, lembrando um pouco You Don’t Know Me do Jax Jones, com quem Demi já trabalhou e pode ter influenciado a faixa.
Mas o auge da diversão vem com Frequency e Kiss. As faixas são o puro deboche e liberdade, feitas pra pular, dançar. Como a segunda diz, é divertido beijar! É o tipo de música que só a Demi conseguiria entregar com tanta autenticidade e carisma.
Entre acertos e deslizes
Before I Knew You traz o momento mais “Taylor Swift” do álbum, beeem água de salsicha, genérico e esquecível. Já Ghost é puro drama demi-lovático pois ela nunca consegueria lançar um album sem um high note: vocais intensos, letra profunda e entrega emocional no talo. É impossível não sentir algo ouvindo.
No fim, o disco cumpre o que promete. É dançante, leve e nada pretensioso. Mesmo sem entregar o hit que salvaria o verão (como a própria cantora brincou), It’s Not That Deep é coerente, divertido e cheio de personalidade.
Um pop que é puro escapismo

Comparar com Brat, da Charli XCX, é perda de tempo. Aqui, Demi abraça um pop mais tradicional, com batidas de balada e um toque nostálgico que remete à sua fase Unbroken, mas de forma mais madura. É genérico em alguns momentos, mas nunca malfeito.
O projeto é consistente, coeso e reflete uma artista que já entendeu o próprio valor. Demi pode até continuar sendo o “flop eterno” das piadas internas do fandom, mas está feliz, saudável, linda e entregou um álbum que é exatamente o que o pop precisava: diversão sem drama.
Nota: 3,5/5

