“Truque de Mestre – O 3° ato” é um retorno cheio de tropeços

“Truque de Mestre – O 3° ato” é um retorno cheio de tropeços
Crítica Truque de Mestre 3: um retorno cheio de truques e tropeços - Foto: Truque de Mestre – O 3º Ato/Divulgação/Paris Filmes

Depois de anos de espera, Truque de Mestre – O 3º Ato chega com a missão de reacender a chama da franquia que conquistou o público com truques inteligentes, ritmo frenético e personagens carismáticos. Após o sucesso das sequências anteriores, a Paris Filmes traz o longa aos cinemas brasileiros a partir de 13 de novembro.

O novo capítulo marca o retorno do elenco original: Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Dave Franco, Mark Ruffalo, Morgan Freeman e, claro, Isla Fisher como Henley. Além disso, temos a chegada de Rosamund Pike, e uma nova geração de mágicos com Justice Smith, Ariana Greenblatt e Dominic Sessa.

Crítica Truque de Mestre 3: um retorno cheio de truques e tropeços
Foto: Truque de Mestre – O 3º Ato/Divulgação

Crítica

O filme começa com pressa, quase como se tivesse medo de perder o público logo nos primeiros minutos. Em ritmo acelerado, apresenta todos os personagens e suas novas funções, enquanto tenta contextualizar os anos que se passaram. Entre cenas apressadas e informações jogadas, a trama se encaixa quando os Cavaleiros se reúnem novamente, agora, com a missão de recuperar o Diamante de Coração, uma joia raríssima avaliada em milhões de dólares pertencente à poderosa empresa de tecnologia da Veronika (Rosamund Pike), uma vilã elegante e calculista.

Quando os Cavaleiros viajam até o castelo na França, o enredo ganha um tom mais sombrio. Lá, eles se encontram com Thaddeus Bradley (Morgan Freeman), figura central da saga, para tentar entender as verdadeiras origens do diamante e o envolvimento da empresa de Veronika. Aos poucos, o grupo descobre que a companhia esconde um passado sombrio: foi construída com dinheiro sujo, vindo de operações de lavagem e do financiamento de grupos nazistas no século passado. É nesse ponto que o filme começa a encontrar o equilíbrio entre o mistério e o espetáculo visual, embora ainda tropece em algumas transições bruscas. A sequência tem potencial, mas o filme exagera nas tentativas de criar impacto visual. Há um trecho de “show off” dos personagens com mágicas e truques que beira o brega.

Uma vibe besta

A partir daí, o filme mergulha em uma sequência quase ininterrupta de lutas e perseguições policiais. Embora as cenas sejam bem filmadas, o excesso torna tudo cansativo e previsível e desnecessário. A narrativa, que sempre girou em torno da astúcia dos personagens, acaba se transformando em uma sucessão de pancadarias e fugas improváveis.

O destino de Thaddeus é um dos maiores tropeços do roteiro. Infelizmente, um final fraco para um personagem que sempre foi crucial.

Em paralelo, o roteiro tenta equilibrar o drama com momentos cômicos, especialmente nas cenas de Merritt (Woody Harrelson), que sofre com situações absurdas. Essas sequências tentam aliviar a tensão, mas muitas vezes quebram o ritmo da narrativa. Já a volta de Lula (Lizzy Caplan) funciona como um respiro. Sua química com o grupo é natural, e ela recupera o humor e a leveza.

Abraçando o ideal, durante a festa de Veronika, para o lançamento do carro de Fórmula 1 de sua empresa, toca Abracadabra de Lady Gaga. É durante esta cena que o filme toma um rumo mais intenso entre a briga da empresária com os mágicos.

Crítica Truque de Mestre 3: um retorno cheio de truques e tropeços
Foto: Truque de Mestre – O 3º Ato/Divulgação

Plot interessante

Nos momentos finais, o tom se eleva. Os Cavaleiros estão em perigo, e a tensão cresce até o grande truque final que, felizmente, entrega um desfecho coerente e bem amarrado. A revelação faz sentido dentro do universo da franquia e deixa um gostinho de satisfação, mesmo que o caminho até lá tenha sido um pouco turbulento.

No fim das contas, Truque de Mestre 3 é um retorno divertido, porém irregular. Ele mantém o espírito da franquia, mas exagera um pouco na ação. Ainda assim, a presença magnética de Rosamund Pike faz o filme valer o ingresso. É um espetáculo que, apesar dos tropeços, ainda sabe entreter.

Giovanna de Paula

Nascida em 2003 no interior do Rio de Janeiro, jornalista em formação pela UFRJ e entusiasta da versatilidade e poder da comunicação. Desde cinema e música pop até história e política, amo poder estudar, escrever e comunicar sobre diferentes pontos que fazem o mundo o que ele é, e suas intersecções.

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