‘Operação 49’ mira no nacionalismo e erra nos detalhes

‘Operação 49’ mira no nacionalismo e erra nos detalhes

O filme Operação 49 é o mais novo lançamento do streaming Adrenalina Pura+, com estreia marcada para o dia 25 de dezembro. Baseado em fatos reais, o longa é estrelado por Ismail Hacioglu (Oguz); Dogukan Polat (Zeki) e Hande Dogandemir (Sahra); além de direção do diretor Hakan Inan.

Em 11 de junho de 2014, o grupo terrorista ISIS invadiu a cidade de Mossul, no Iraque, e fez 49 cidadãos turcos reféns no consulado da Turquia. A partir disso, uma mega operação de resgate foi operada pelo governo turco, que tinha como prioridade libertar os reféns e repatriar seus cidadãos em segurança. Após o sucesso da operação, o governo revelou que seu grupo especial MIT (Serviço Nacional de Inteligência da Turquia), foram os responsáveis pelo resgate. Com os detalhes sendo guardados em sigilo, o caminho para dramaturgia ficou aberto.

O nacionalismo que não quebra expectativas

Com roteiro de Ilker Arslan e Baris Ardogan, conhecidos por seu trabalho na série ABC do Amor, o filme ‘Operação 49’ mira no nacionalismo e erra nos detalhes. Com foco em como foi orquestrada a operação, vemos nitidamente um esforço para quebrar imaginários externos sobre como seria uma organização de inteligência do país. Em contrapartida, os agentes aparecem todos de terno e gravata, transmitindo a impressão inicial de uma típica agência de espionagem americana. Ao mesmo tempo, o público é constantemente exposto às tecnologias utilizadas pela equipe, como drones de alta performance e uma mega central de controle equipada com sistemas infravermelhos.

De início, a agência conta com agentes altamente experientes, além de firmar acordos com espiões mercenários capazes de se infiltrar em regiões de crise, como é o caso de Sahra, uma atiradora de elite integrante da equipe de resgate. No entanto, o filme não impressiona ao retratar a imagem dos terroristas iraquianos, embora faça um esforço para destacar a potência de uma operação bem planejada já na primeira tentativa de resgate dos reféns. Apesar disso, mesmo com tiros certeiros e uma entrada precisa no primeiro esconderijo, os detalhes acabam deixando a desejar em razão de uma narrativa previsível.

A previsibilidade de ‘Operação 49’

Quando o grupo terrorista escapa por conta de uma simples câmera de segurança, somos arrastados por um plano que se foca no personagem de Oguz. Ele se infiltra no grupo ISIS para capturar o general Ebu Ferec (Sinan Tuzcu), a fim de usá-lo em uma troca de reféns. É a partir deste ponto que caminhamos pelas cenas super aceleradas que vão desde descoberta de seu disfarce, até as trocas de tiro que culminam no sucesso em levar Ferec como refém.

Chega a cansar quando ele foge andando, à vista dos inúmeros terroristas que o procuram. Tantas outras vezes vemos Ferec ter a chance de atacá-lo ou escapar, mas isso também não acontece, nem mesmo quando Oguz está distraído, tentando salvar sua amiga Sahra. Logo depois, vemos Oguz em um ato heróico entrar e sair do esconderijo de Farec sem problemas. É realmente tudo fácil.

Zaki (Ismail Hacioglu) fazendo Farec (Sinan Tuzcu) como refém.
Zaki (Ismail Hacioglu) fazendo Farec (Sinan Tuzcu) como refém.

Um roteiro simplório

O que ajuda o drama de ‘Operação 49’ é o detalhismo do protagonista, que observa pontos chave sobre seu oponente, o “açougueiro” Kasap, interpretado por Hasan Küçükçetin. E é somente este ponto que permite o andamento da trama para um final mais aceitável. Ou seja, quando os reféns são salvos pelo time de operações especiais, enquanto Oguz confronta o antagonista. Embora ele pudesse ter eliminado o lider terrorista bem antes, erros de mira tornam-se aceitáveis para um final mais simbólico, enquanto seu Zeki realiza a escolta dos 49 reféns.

Operação 49 é um fime de ação aceitável e com bons dublês. É provalmente mais uma produção engolida por uma era de consumismo acelerado que a internet e o straming trouxe para o público.

Wesley Souza

Carioca, nascido em 1997, escritor, graduado em Publicidade e Propaganda pela UniCarioca (2022); Mestrando em Comunicação pelo PPGCOM/UFF e autor do livro "Marcado Para Zautar". Apaixonado pela literatura, sempre gostei de escrever e expor minhas opiniões.

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