O Diabo Veste Prada 2: A sequência que ninguém sabia que precisava
Falar de uma possível continuação de O Diabo Veste Prada é, antes de tudo, lidar com um clássico moderno que praticamente se sustentou sozinho durantes os últimos 20 anos — e isso já cria um problema: uma sequência precisa justificar sua existência para além da nostalgia, o filme original se tornou maior que a própria narrativa, funcionando quase como um retrato definitivo de uma era antes do digital.
Em 2006, capturava um momento específico da indústria — o auge das relevâncias das revistas de moda e de um modelo hierárquico rígido — que hoje está em declínio. E, ironicamente, é justamente isso que a própria sequência tenta explorar: A revista Runaway com as ramificações do digital e a perda de relevância do seu império, o segundo não se trata mais apenas de moda e Miranda, é sobre as mudanças que aconteceram na indústria de tecnologia e mídia. As pessoas ao redor do mundo veem a jornalismo e a moda de forma diferente agora.
Se antes era sobre uma jovem que acabou de chegar aos em Nova York para perseguir um carreira naquela época e se encontrar como pessoa, a onde tudo era tão glamoroso e fascinante. Esta sequência é sobre o que acontece quando se conquista o tão almejada carreira, embora engraçada, é bem realista e até meio séria.
O enredo
O filme se inicia com a revista mergulhada em uma crise grave devido ao polêmico fast fashion, agravada pelo momento delicado que o mercado editorial atravessa — seja no caso de revistas ou jornais. Nesse cenário, Miranda (Meryl Streep), antes vista como uma figura inalcançável, é obrigada a sair de sua posição de poder e encarar uma realidade bem menos confortável.

E Andrea (Anne Hathaway) é demitida do jornal na mesma noite em que recebe um prêmio importante da crítica, e, tomada pela frustração de ver a profissão que sempre idealizou sendo desvalorizada em meios aos cortes de orçamento, acaba se vendo envolvida na missão — por obra dos destino ou não — de ajudar Miranda a salvar a revista da decadência.
No centro disso tudo, surgem questionamentos: a mídia conseguirá se manter relevante na era digital e se não entregue as mãos de bilionários egomaníacos? E o que define a moda e arte para além do seu valor comercial e das IAs que podem replicar tudo hoje em dia? O longa não oferece respostas definitivas, mas se permite explorar com leveza e refletir sobre o que consumimos hoje me dia.
E apesar de tudo isso, a sequência ainda consegue entregar muitos looks icônicos, desfiles glamourosos, participações ainda mais especiais como o estilista Marc Jacobs, Lady gaga, e até as grandes nomes do mundo editorial americano. E na medida certa, consegue entregar referências aos acontecimentos do primeior filme sem apelar totalmente a nostalgia dele. Apenas um problema, o plot de romance da Andy é completamente irrelevante para história, e podia ter sido cortado.
Elenco e produção
Com o retorno da equipe criativa original, incluindo o diretor David Frankel e a roterista Aline Brosh Mackenna, E graças a isso, narrativa se mantém fiel à essência de suas personagens. Anne Hathaway e Meryl Streep mantêm a mesma química como se o tempo nem tivesse passado. Blunt, Tucci retomam de onde pararam com atuações fabulosas. E, honestamente, uma espera de 20 anos é um preço pequeno a pagar por um grupo tão icônico.
Os novos personagens como Amari (Simone Ashley) tornam isso uma experiência divertida e prazerosa, Stanley Tucci e Anne trazem de volta aquele calor e química característicos que tornaram o original tão especial. Por fim, O Diabo Veste Prada 2 é afiado e abertamente glamuroso, é um filme melhor que a maioria das sequências de legado, engraçado, charmoso e oportuno com sua trama sobre o estado encolhido da mídia.
