“Midnight Sun – Girls Trip” não tem o charme necessário
Lançado na última sexta-feira, 1º de maio, “Midnight Sun – Girls Trip” chega como uma expansão para impulsionar o último projeto de Zara Larsson. A ideia aqui é simples: transformar o álbum original em uma versão deluxe recheada de participações femininas, apostando em releituras e novas dinâmicas para faixas já conhecidas.
Esse formato de revisitar um disco recente com convidados não é exatamente novidade. Lady Gaga fez algo parecido com “Chromatica” ao lançar um álbum remix, assim como Charli XCX com o universo de “Brat”. Em ambos os casos, havia uma sensação de expansão criativa. Aqui, a intenção até existe, mas o resultado não acompanha.
A tentativa de dar uma nova vida ao material de “Midnight Sun” acaba esbarrando em um problema básico: boa parte dessas versões não consegue superar as originais. Em alguns momentos, sequer chega perto. Em vez de soar como uma evolução, o disco frequentemente parece um retrocesso, com escolhas de produção mais genéricas e menos inspiradas do que aquelas que sustentavam o projeto inicial.
Isso também dialoga com a própria posição de Larsson na indústria. Apesar de já ter anos de carreira e alguns hits relevantes, ela ainda não é exatamente uma artista consolidada no primeiro escalão do pop global. Não é atoa que há poucos nomes de peso entre as colaborações aqui, com exceções como Robyn e Shakira.
O TEMPO FECHOU?
A colombiana mais amada do mundo aparece em “Eurosummer”, que era uma das melhores canções do disco. Infelizmente, a artista parece deslocada, como se seu carisma não encaixasse de fato na música.
A sensação é de desperdício, principalmente quando se considera que ela poderia ter funcionado melhor em uma faixa mais central do projeto, como a faixa título. Entretanto, nessa ela convida PinkPantheress, talvez numa tentativa de replicar o apelo de “Stateside”.
Fica evidente que a sueca aposta alto nesse single, mas dentro de um repertório que já oferecia tantas opções mais interessantes, a insistência começa a cansar.
Além dessas, “Saturn’s Return” se destaca negativamente por sua falta de energia, quase sonífera, enquanto “Girl’s Girl” perde boa parte do impacto que tinha anteriormente.
Ainda assim, o projeto não é um desperdício completo. “Blue Moon” ganha uma nova camada bastante eficiente com a participação de Kehlani, puxando para o R&B. Já “Crush” surpreende ao abrir espaço para Eli, que tem pouquíssimos ouvintes mensais, mas chama bastante atenção.
No fim, “Midnight Sun – Girls Trip” até apresenta uma proposta curiosa, mas que não se sustenta na execução. Em vez de ampliar o universo do álbum original, acaba diluindo suas qualidades. Fica explícito que Zara Larsson tem potencial, mas ainda está muito longe de se sentar com as grandes da indústria.
