N3ITAN: Conheça o artista carioca que quer inovar no pop
Sabemos que os aplicativos de streaming transformaram a maneira de consumir música e também de se lançar como artista. No geral, isso é muito bom. No entanto, é inegável que há um imediatismo, impulsionado pelas redes sociais, que gera uma massa de canções descartáveis e genéricas.
Por isso, não é surpresa para ninguém que o mercado da música viva um momento complicado. Se tem alguém que entende isso, é Natan Barbosa, mais conhecido como N3ITAN.
Carioca de 25 anos, N3ITAN quer brilhar como cantor e compositor sem precisar recorrer às fórmulas fáceis e batidas. Suas canções autorais abordam os sentimentos que normalmente preferimos evitar.
Em “Minha Doença”, seu single de estreia, ele fala sobre dependência emocional, o sentimento de ser incompreendido e aquela dúvida dolorosa que atinge qualquer um que trabalhe com arte: “Será que um dia vão saber quem sou?”
Agora, sua nova aposta é “Máquina do Tempo”. E, para falar um pouco dessa música e de sua trajetória, N3itan deu uma entrevista ao Amargurado.
Gostaria de saber, para começar, quando você percebeu que queria seguir o caminho artístico?
R: Olha, pra ser sincero, eu acredito que desde criança existia alguma coisa que me chamava pra música. Eu já gostava de cantar no karaokê, por exemplo, ou de assistir desenhos e séries que falavam sobre música, sobre estúdio, sobre bandas. Eu sempre gostei muito desse tipo de conteúdo e foi isso que me fez querer começar a aprender a tocar violão e compor.
Mas acredito que durante a vida a gente é muito influenciado pela sociedade e pelo mundo a seguir um caminho padrão: crescer, estudar, se formar e trabalhar. Então foi como se existisse uma guerra entre a pressão pra que eu me tornasse algo que o mundo gostaria e eu realmente identificar quem eu sou, independente desses enquadramentos da sociedade.
Então, respondendo à pergunta, eu percebi que queria seguir o caminho da música quando consegui me libertar das garras do que a sociedade quis impor pra mim.
Vimos que você também é formado em psicologia. Como você concilia esses dois universos? Sua formação influencia a sua maneira de compor?
R: Então, a psicologia e a música são caminhos que se conectaram na minha vida de uma forma que nem eu esperava. Eu antigamente enxergava muito como caminhos antagonistas, onde, se eu fosse artista, eu não poderia ser psicólogo. Hoje eu consigo ser os dois, conciliando o tempo e, enfim, a energia também, de uma forma melhor do que eu esperava.
E a psicologia influencia totalmente as minhas composições. Eu hoje busco nas minhas letras sempre falar de temas delicados ou temas que as pessoas evitam. Gosto muito de falar de temas psicológicos e mais profundos.
Mas é isso, eu acho que a psicologia me fez enxergar o mundo de forma diferente e isso com certeza fez com que as minhas composições tivessem outra cara.
Há alguns anos, seu som era mais voltado ao sertanejo. Hoje, dá para notar uma pegada mais pop com a mistura de outros gêneros. Dito isso, você se sente dentro de um respectivo ritmo ou você quer transitar entre vários?
Eu acredito que a mudança do sertanejo pro pop foi uma mudança muito além do gênero musical, mas uma mudança interna minha. Então, não pretendo misturar muitos gêneros, mas também não pretendo ficar preso a uma fórmula. Eu quero estar dentro do pop, mas eu quero inovar dentro do estilo.
Não quero que ele seja algo engessado, sempre com a mesma batida e as mesmas letras. Eu acho que esse gênero permite que a gente consiga flutuar entre diversas coisas, diversos ritmos diferentes e propostas musicais diferentes.
Então, eu acho que dentro do pop eu encontrei mais liberdade pra ser quem eu sou, pra falar o que eu quero e me expressar melhor.
Atualmente, quais são suas inspirações na música?
R: Musicalmente falando, principalmente mais no quesito melodia, instrumental e arranjo, eu tenho muito como referência o Jão, Carol Biazin e também Lou Garcia. Eu tenho essa galera do pop que eu escuto bastante e uso como referência musical.
Mas no quesito letra, eu confesso que eu não tenho nenhuma atual. Eu tento sempre trazer a minha cara pras letras e quero, como eu falei, fazer algo diferente do que é vendido hoje no pop. Então acho que no quesito letra não tenho.
Você tem um feat dos sonhos?
R: Atualmente seria o Jão.
Você já viralizou nas redes criticando letras de canções de sucesso dos dias de hoje. O que você sente ao ver o tipo de trabalho que tem ganhado reconhecimento nas plataformas?
R: Olha, eu confesso que não tem como não ficar chateado quando a gente olha pro top 10 do Spotify brasileiro. E vou ainda além: quando a gente olha até pro top 50. É uma coisa que me deixa um pouco indignado, mas já me deixou mais. É uma realidade que eu tento aceitar, mesmo não gostando muito dela.
E acredito que a cena menos visada, menos mainstream, tem muito valor também. Então não dá pra gente ficar se prendendo ao que a maioria da população está ouvindo, até porque a gente sabe que os números das plataformas nem sempre representam o que as pessoas realmente estão ouvindo ou a qualidade do trabalho que está sendo produzido.
Mas eu também não posso te dizer que é legal olhar pro top 10 do Brasil e escutar o que tem lá. Eu não concordo que essas músicas tenham o reconhecimento que elas realmente merecem e tem muita coisa melhor, na minha concepção, do que as que estão hoje nas paradas brasileiras.
Seu último lançamento é “Máquina do Tempo”. Você voltaria no tempo? Se sim, para reviver ou alterar o quê?
R: Máquina do Tempo com certeza é uma música de muita nostalgia, porém eu confesso que tenho enxergado a questão de voltar no tempo de forma diferente depois de gravar e divulgar essa música.
Eu acho que escrevi essa faixa com uma vibe realmente de voltar no tempo pra alterar algo. Mas, hoje eu olho voltar no tempo como uma oportunidade de você só reviver os momentos bons.
Talvez voltar pra aquela data especial que te marcou muito e reviver aquilo. Aquele sentimento que nunca vai voltar, o sentimento específico, exclusivo daquele dia e você poder reviver isso, reviver esses momentos bons, ao invés de focar em algo ruim que você queira consertar.
Por que não voltar pro passado e reviver algo que foi muito bom? Eu acho que eu estou mais nessa vibe.
Depois de “Minha Doença”, “A Viagem” e essa nova faixa, dá para afirmar que vem álbum por aí? Fala um pouco!
R: Olha, eu não posso dizer muita coisa aqui, mas sim, dá pra confirmar que tem álbum vindo aí. Tem muita coisa boa pra chegar. Acho que é só isso que eu posso dizer por enquanto.
A gente espera que vocês tenham conseguido conhecer mais do N3ITAN e que curtam o trabalho dele. Para mais conteúdo sobre música e para descobrir novos artistas, siga o Amargurado!
