Puterrier: o queridinho do proibidão que merece o sucesso
Puterrier talvez seja um dos artistas mais interessantes que o funk carioca revelou nos últimos anos. E não necessariamente porque tenha inventado uma fórmula completamente nova, mas porque conseguiu fazer algo que parece cada vez mais raro: construir uma identidade própria. Aos 25 anos, o carioca vem transitando entre funk, grime e música eletrônica, com muita autenticidade.
O resultado dessa mistura aparece em músicas como “Marolento”, “Putaria 2000”, “Atrás da Equipe”, “Delírios de Amor” e “Vou Investir em Você”, parceria com MC Carol que se tornou um de seus maiores sucessos. “Marolento”, por exemplo, já ultrapassou a marca de 50 milhões de reproduções no Spotify, enquanto “Vou Investir em Você” também soma milhões de plays na plataforma.
Mas existe outra característica que ajuda a explicar por que Puterrier conquistou um público tão particular.
Mesmo trabalhando com o proibidão e letras bastante explícitas, o artista foge daquela imagem do homem que precisa performar o tempo inteiro como o mais macho, agressivo e intocável da pista. Seu comportamento público é muito mais descontraído e aberto, algo que acabou aproximando principalmente mulheres e pessoas LGBTQIAP+. A consequência foi criar uma comunidade de fãs que parece muito mais interessada em curtir o personagem, a música e a performance do que em acompanhar aquela velha cartilha da masculinidade frágil.
Foi justamente essa personalidade que ganhou uma vitrine enorme no Rock in Rio 2026. No dia dedicado ao K-pop, Puterrier dividiu o Espaço Favela com MC Carol e acabou roubando a cena ao juntar públicos que, em teoria, não teriam tanta coisa em comum. Ele chamou emos, k-poppers e “crias de favela” para dançar juntos ao som do funk e ainda resolveu brincar com a programação do festival colocando “Gangnam Style”, de PSY, em versão funk.
A participação foi especialmente simbólica porque mostrou exatamente onde Puterrier está chegando. Ele não precisa abandonar o proibidão para conversar com outros públicos. Pelo contrário, leva o gênero para lugares inesperados e parece entender que um bom show não depende apenas das músicas. Figurino, dança, humor e interação também fazem parte do espetáculo.
