Erika Hilton se torna mulher mais votada da história e desponta como símbolo da esquerda

Erika Hilton se torna mulher mais votada da história e desponta como símbolo da esquerda

A eleição de 2026 terminou com um resultado histórico para Erika Hilton (PSOL-SP). Aos 33 anos, a deputada foi reeleita para a Câmara dos Deputados com uma votação recorde de 1.528.226 votos, tornando-se a mulher mais votada da história do Brasil para o cargo. O número supera com folga o recorde anterior, de Joice Hasselmann, que havia recebido 1.078.666 votos em 2018. No ranking geral, Erika ficou atrás apenas de Lucas Pavanato (PL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG), ambos com mais de 2 milhões de votos.

O crescimento de Erika impressiona também quando comparado à própria trajetória eleitoral. Em 2022, quando foi eleita pela primeira vez para a Câmara, ela recebeu 256.903 votos. Quatro anos depois, sua votação foi multiplicada por aproximadamente seis, consolidando a deputada como uma das principais figuras da esquerda brasileira e uma das vozes mais conhecidas na defesa dos direitos da população LGBTQIA+.

A votação acontece em um momento de expansão das candidaturas LGBTQIA+ no país. Levantamento do Instituto Plena Cidadania divulgado pela Agência Brasil apontou 514 candidaturas LGBT+ nas eleições de 2026, crescimento de 57% em relação a 2022. Entre os candidatos a deputado federal, o número passou de 116 para 214, alta de 84%. A presença também se espalhou por mais partidos: enquanto em 2022 havia candidaturas LGBT+ em 23 das 32 legendas, neste ano elas apareceram em 27 dos 30 partidos que disputaram a eleição.

O movimento é particularmente significativo para a esquerda, que historicamente concentrou boa parte dessas candidaturas. Mas o sucesso individual de Erika também expôs uma contradição para o PSOL. O sistema eleitoral brasileiro para deputados é proporcional: os votos recebidos pelos candidatos e pela legenda são somados para determinar quantas cadeiras cada partido ou federação poderá conquistar. Depois, os candidatos mais votados dentro daquele grupo ocupam as vagas.

Em São Paulo, a federação PSOL/Rede recebeu quase 3 milhões de votos, mais do que a federação formada por PT, PCdoB e PV, que teve cerca de 2,7 milhões. Mesmo assim, o PSOL ficou com seis cadeiras, enquanto o grupo petista chegou a 11. Segundo levantamento do Metrópoles, a concentração dos votos do PSOL principalmente em Erika Hilton e Sâmia Bomfim dificultou que outros candidatos da federação atingissem a votação mínima necessária para ocupar vagas.

UMA NOVA ESPERANÇA

Postagem de comemoração de Erika Hilton (Reprodução: @hilton_erika)

O resultado ganha ainda mais peso diante da composição política que começa a se desenhar para o próximo Congresso, infestado de conservadores. Nesse cenário, a força eleitoral de Erika a coloca em uma posição de destaque dentro da esquerda. Sua votação demonstra a existência de uma base ampla para candidaturas que associam pautas sociais, direitos LGBTQIA+ e combate às desigualdades.

Mais do que um recorde individual, a eleição de Erika Hilton representa, portanto, uma mudança importante na dimensão eleitoral da representação LGBT+ no país. A deputada, que já havia feito história como uma das primeiras parlamentares trans do Congresso, chega ao segundo mandato com uma votação que a coloca entre os principais fenômenos eleitorais de 2026. O desafio agora será transformar essa força individual em influência política coletiva dentro de uma Câmara que continuará sendo palco de disputas entre diferentes projetos para o país.

Lucas Martins

Nascido em 2002 na cidade do Rio de Janeiro, cresci com paixão pela literatura e pela música. Sou Bacharel em Publicidade e Propaganda pela Unicarioca e futuro pedagogo pela UERJ. No meu tempo livre, gosto de assistir a filmes e acompanhar cada passo dado por Taylor Swift.

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