Sucesso de público e crítica, “Uma Vida em Cores”, chega ao Teatro das Artes

Sucesso de público e crítica, “Uma Vida em Cores”, chega ao Teatro das Artes

O teatro brasileiro ganha mais um encontro potente entre memória, arte e afeto. Depois do sucesso da primeira temporada, “Uma Vida em Cores” chega ao Teatro das Artes, no Shopping da Gávea, trazendo Rosamaria Murtinho no papel da icônica empresária e designer Iris Apfel. Com texto e direção de Cacau Hygino, o espetáculo mergulha em temas como envelhecimento, liberdade criativa e troca entre gerações.

A montagem carrega um simbolismo especial. Aos 93 anos, Rosamaria divide o palco com a própria neta, Sofia Mendonça, criando uma conexão real que ultrapassa a ficção. A temporada acontece entre 18 de abril e 21 de junho, com sessões aos sábados e domingos, às 18h.

Inspirada na trajetória de Iris Apfel, referência mundial de estilo e irreverência, a peça celebra uma mulher que transformou autenticidade em marca registrada. Consequentemente, o espetáculo também discute o etarismo e questiona os limites impostos à maturidade feminina.

Uma amizade que virou teatro

A origem da peça começou muito antes da estreia. Em 2017, o ator e autor Cacau Hygino descobriu Iris Apfel pelas redes sociais e decidiu conhecê-la pessoalmente. Intrigado pela personalidade vibrante da empresária, ele iniciou uma longa tentativa de contato até finalmente conseguir encontrá-la em Nova York.

Rosa Murtinho como Iris Apfel (Foto: Desiree do Valle)

Dessa experiência nasceu uma amizade verdadeira. Posteriormente, Hygino criou o monólogo “Através da Iris”, estrelado por Nathalia Timberg e apresentado em diversas cidades brasileiras até a interrupção causada pela pandemia.

Agora, o autor retorna ao universo de Iris Apfel sob uma nova perspectiva. Em vez do monólogo original, a nova montagem aposta no diálogo entre gerações e transforma a narrativa em uma troca emocional entre mulheres de idades diferentes.

Avó e neta dividem emoções no palco

Rosamaria Murtinho aceitou interpretar Iris Apfel com uma condição especial: atuar ao lado da neta Sofia Mendonça. A partir disso, Cacau Hygino reformulou a dramaturgia e construiu uma relação ainda mais íntima entre as personagens.

Na trama, Sofia interpreta Emily, uma jovem jornalista da Vogue americana encarregada de entrevistar Iris. Entretanto, o encontro profissional rapidamente se transforma em uma conversa profunda sobre amor, luto, legado, escolhas e identidade.

Rosa Murtinho e Sofia Mendonça (Foto: Desiree do Valle)

Enquanto isso, Simone Soares assume o papel de Juliet, fiel escudeira de Iris. O espetáculo mistura memória afetiva, humor e emoção, além de incorporar fatos reais da vida da empresária americana, incluindo sua longa relação com o marido Carl Apfel.

No palco, a convivência real entre Rosamaria e Sofia adiciona autenticidade à narrativa. Dessa maneira, a peça reforça a importância do diálogo entre diferentes gerações em um momento no qual o teatro também busca novas formas de conexão com o público.

Cacau Hygino amplia universo biográfico

Além de dramaturgo, Cacau Hygino construiu uma trajetória consistente como biógrafo de grandes nomes da cultura brasileira. O autor escreveu livros sobre artistas como Zezé Motta, Nathalia Timberg, Irene Ravache e Nicette Bruno.

Paralelamente, Hygino desenvolve novos projetos ligados ao universo da moda e da cultura internacional. Entre eles está “A Soberana”, inspirado na editora Diana Vreeland, além de “Lee & Blow”, espetáculo sobre Alexander McQueen e Isabella Blow.

Com “Uma Vida em Cores”, o autor reafirma seu interesse por figuras que desafiaram padrões e transformaram suas áreas de atuação. Ao mesmo tempo, o espetáculo fortalece o teatro como espaço de reinvenção, memória e permanência.

Assim, a montagem une diferentes tempos, experiências e sensibilidades em uma homenagem emocionante à criatividade feminina. Entre lembranças, humor e afeto, Rosamaria Murtinho transforma Iris Apfel em símbolo de vitalidade artística e liberdade até o último instante da vida.

Letícia Frazão

Nascida em 2001, na Zona Norte do Rio de Janeiro, bacharel em jornalismo, pós-graduanda em jornalismo cultural pela Uerj. Apaixonada por literatura e cinema desde adolescência, sempre com uma referência sobre cultura pop na ponta da língua.

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