Depois de Backrooms: 5 creepypastas que poderiam virar filmes

Depois de Backrooms: 5 creepypastas que poderiam virar filmes
Backrooms reacendeu o interesse de Hollywood por histórias de terror nascidas em fóruns e comunidades digitais. Divulgação/Reprodução: A24

O sucesso de Backrooms reacendeu o interesse de Hollywood por histórias de terror que nasceram fora dos caminhos tradicionais. O filme da A24, dirigido por Kane Parsons, saiu de uma lenda compartilhada em fóruns, ganhou força no YouTube e se transformou em um dos maiores fenômenos recentes do cinema de horror. Depois disso, ficou mais fácil olhar para outras creepypastas que poderiam virar filmes sem tratar esse tipo de material como algo restrito à cultura digital.

Backrooms nasceu na internet e virou fenômeno nos cinemas pela A24. Reprodução: A24

A história começou com uma imagem publicada no 4chan em 2019, acompanhada da ideia de um lugar infinito, vazio e amarelado, onde alguém poderia “escapar da realidade” por acidente. Anos depois, Parsons expandiu esse conceito em uma série de vídeos no YouTube, misturando estética de found footage, espaços liminares e uma sensação constante de ameaça invisível.

O resultado foi além da bolha. Backrooms se tornou a maior bilheteria global da história da A24 e reforçou o potencial de histórias criadas em fóruns, redes sociais e comunidades de terror online.

Além disso, esse movimento já parece ter começado. Segundo o The Hollywood Reporter, agentes e estúdios passaram a olhar com mais atenção para o Reddit e outros espaços digitais em busca de ideias que possam se transformar nos próximos sucessos do gênero.

Nesse contexto, se Backrooms conseguiu sair da internet e chegar às salas de cinema, outros fenômenos do terror digital também carregam material suficiente para ganhar versões nas telonas. Alguns já são conhecidos pelo grande público, enquanto outros seguem mais restritos a nichos da cultura digital. Ainda assim, todos têm algo que o horror costuma aproveitar bem: mistério, atmosfera sombria, sensação de ameaça difícil de explicar e, em alguns casos, a angústia provocada pelo desconhecido.

Entre as creepypastas que poderiam virar filmes, algumas se destacam justamente por terem uma mitologia aberta, visual forte e espaço para adaptações mais atmosféricas.

The Rake e o terror de uma criatura das lendas digitais

Entre as entidades mais lembradas do terror nascido na internet, The Rake talvez seja uma das mais cinematográficas. A lenda descreve uma figura humanoide, pálida e assustadora, que costuma aparecer durante a noite e observar suas vítimas antes de atacar.

A origem da creepypasta é geralmente atribuída a uma criação coletiva no 4chan, em meados dos anos 2000. Como acontece com muitos mitos digitais, os registros são fragmentados, mas a força do personagem está justamente nessa construção espalhada, quase como uma lenda urbana moldada por várias vozes.

Nas telonas, The Rake poderia funcionar como um terror de invasão doméstica, paranoia e presença física. Sem uma mitologia fechada demais, a criatura permitiria um filme de atmosfera, em que o medo nasce menos da explicação e mais da sensação de que algo está sempre por perto.

Slender Man e o desafio de adaptar mitos da internet

Slender Man, uma das creepypastas que já chegou aos filmes de terror.
Slender Man se tornou uma das lendas digitais mais populares do terror. Reprodução: Internet

Slender Man é provavelmente uma das lendas de terror da internet mais conhecidas pelo grande público. Criado em 2009 por Eric Knudsen, sob o nome Victor Surge, o personagem nasceu em um concurso de imagens paranormais no fórum Something Awful. A figura alta, sem rosto e vestida de terno rapidamente ganhou vida própria em histórias, vídeos, jogos e teorias espalhadas pela internet.

Divulgação/Reprodução: Sony Pictures.

O personagem já chegou aos cinemas em 2018, mas a adaptação não agradou ao público nem à crítica. O problema é que havia material suficiente para algo muito mais interessante. Slender Man funciona melhor quando tratado como uma lenda que contamina imagens, lembranças e comunidades inteiras, não apenas como um monstro perseguindo adolescentes.

Por isso, uma nova versão poderia seguir outro caminho. Em vez de repetir a fórmula do terror genérico, o filme poderia explorar a forma como mitos digitais se espalham, mudam de significado e acabam afetando quem acredita neles.

The Russian Sleep Experiment como filme de horror psicológico

The Russian Sleep Experiment é uma das lendas digitais mais famosas e perturbadoras da internet. A história fictícia gira em torno de um suposto experimento soviético nos anos 1940, no qual prisioneiros seriam mantidos acordados por dias com o uso de um gás experimental.

A trama poderia funcionar como um terror psicológico em ambiente fechado, acompanhando cientistas, cobaias e a deterioração gradual de todos os envolvidos. Em vez de depender apenas do choque, uma adaptação teria espaço para discutir obsessão científica, desumanização, crítica social e os limites de um experimento conduzido sem ética.

BEN Drowned e o medo dos jogos amaldiçoados

BEN Drowned é uma das creepypastas que poderiam virar filmes.
BEN Drowned mistura nostalgia gamer, lenda urbana e terror digital. Reprodução: Internet

Para quem cresceu lendo histórias de terror na internet, BEN Drowned é um clássico absoluto. Criada por Alex Hall, conhecido como Jadusable, o mito acompanha um cartucho supostamente amaldiçoado de The Legend of Zelda: Majora’s Mask, marcado por um arquivo salvo com o nome “BEN”.

A partir daí, o jogo começa a se comportar de forma estranha. Personagens aparecem fora de lugar, mensagens mudam de sentido e a sensação é de que alguma presença está usando o videogame para se comunicar. Parte da força da narrativa vem justamente da mistura entre nostalgia gamer, glitches e horror digital.

No cinema, BEN Drowned poderia funcionar como uma história sobre obsessão, memória e tecnologia assombrada. Seria uma oportunidade de transformar o medo de um jogo “bugado” em algo maior, sem perder a estética de internet que tornou a creepypasta tão marcante.

Nós já moramos aqui: do Reddit para o audiovisual

Nós já moramos aqui nasceu no Reddit e está em desenvolvimento como filme.
Nós já moramos aqui nasceu no Reddit, virou livro e está em desenvolvimento como filme pela Netflix. Reprodução: Internet/Intrínseca

Um caso mais recente, e talvez ainda mais revelador desse movimento, é Nós já moramos aqui. Antes de chegar às livrarias, a história de Marcus Kliewer nasceu no Reddit, dentro do r/nosleep, comunidade conhecida por reunir relatos de horror escritos como se fossem experiências reais. Publicada inicialmente em quatro partes, a narrativa venceu o prêmio de história mais assustadora de 2021 no fórum e depois foi expandida para o romance psicológico lançado em 2024.

No Brasil, o livro saiu pela editora Intrínseca com uma premissa simples, mas extremamente incômoda. Eve e Charlie compram uma casa antiga para reformar e revender, até que um homem aparece na porta com a esposa e os filhos dizendo que morou ali décadas antes. O pedido parece inofensivo: ele só quer mostrar o antigo lar às crianças. No entanto, quando Eve permite a entrada da família, a situação foge do controle.

A partir daí, Nós já moramos aqui transforma o constrangimento social em terror. A dificuldade de impor limites se mistura à invasão de domicílio, e a casa deixa de ser apenas um imóvel em reforma para se tornar um pesadelo claustrofóbico. Entre fenômenos paranormais, código morse, porões que parecem mudar de tamanho e linhas do tempo cada vez mais confusas, a narrativa cria a sensação de que o perigo não está apenas nos visitantes, mas no próprio espaço ao redor dos personagens.

Além disso, a obra já deu o passo que muitas creepypastas ainda sonham em dar. A história teve os direitos adquiridos pela Netflix e está em desenvolvimento como filme, com Blake Lively ligada ao projeto. Assim, deixa de ser apenas uma possibilidade para Hollywood e se torna um exemplo concreto de como uma narrativa nascida em comunidade online pode atravessar formatos e chegar ao audiovisual.

Por que o interesse de Hollywood?

O sucesso de Backrooms mostra que o público não rejeita histórias nascidas online. Pelo contrário, o que parece fazer diferença é a forma como esse material é adaptado. Quando o cinema entende a essência da lenda, sem tentar explicar demais ou transformar tudo em fórmula pronta, o resultado pode parecer novo mesmo vindo de um mito antigo da web. No fim, as creepypastas que poderiam virar filmes mostram que o terror digital ainda tem muito material para render novas histórias nas telonas.

Roberta Natal

Nascida em 1999, carioca, jornalista em formação e criadora de conteúdo. Apaixonada por literatura, cinema e shows. Uma eterna fangirl desde que se entende por gente, acreditando que somos feitos de tudo aquilo que amamos.

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