Fracasso de “Moana” comprova: público quer novas histórias

O desempenho abaixo do esperado do live-action de Moana pode representar mais do que um tropeço isolado para a Disney. Mesmo estreando em primeiro lugar nas bilheterias norte-americanas, o filme arrecadou apenas US$ 95 milhões em seu primeiro fim de semana, valor considerado decepcionante para uma produção com orçamento estimado em cerca de US$ 250 milhões. O resultado ficou abaixo das projeções do mercado e reacendeu o debate sobre o desgaste da estratégia de transformar clássicos animados em versões com atores reais. 

Nos últimos anos, o público já demonstrava sinais de cansaço com esse modelo. Embora alguns remakes tenham sido sucessos estrondosos, como “Lilo & Stitch”, produções mais recentes vêm sendo criticadas justamente por parecerem versões inferiores das animações que as inspiraram. Em muitos casos, falta um motivo convincente para revisitar histórias que ainda permanecem extremamente populares em sua forma original. A situação de “Branca de Neve”, por exemplo, mostrou que isso pode ser até mesmo prejudicial para a marca. 

Com Moana, porém, existe um agravante que torna a situação ainda mais delicada: o tempo. O filme animado foi lançado em 2016, apenas dez anos antes da adaptação em live-action. Para um remake, esse intervalo é curto demais para despertar o principal combustível desse tipo de projeto: a nostalgia.

Quem assistiu ao original quando criança ainda é um público muito jovem, que dificilmente sente saudade da obra da mesma forma que aconteceu com clássicos como O Rei Leão, A Bela e a Fera ou Aladdin

Ao mesmo tempo, as crianças de hoje, que também são a audiência desejada, não possuem qualquer apego específico à nova versão. Diante de uma programação disputada, é natural que muitas famílias escolham produções como Toy Story 5 ou Minions & Monstros.

The Rock no live action de Moana.

O POVO PEDE, O POVO ASSISTE!

Isso ajuda a explicar uma aparente contradição vivida por Hollywood. Enquanto executivos insistem em remakes e propriedades já conhecidas, os espectadores demonstram que não estão rejeitando franquias por completo. Sequências continuam arrecadando bilhões de dólares em todo o mundo.

A explicação passa também pelo bolso, pois com o ingresso cada vez mais caro, ir ao cinema virou um investimento. Em vez de apostar em um filme sobre o qual sabem pouco, muitos preferem gastar dinheiro com uma continuação de uma franquia que já conhecem e gostam. É uma escolha mais segura para quem busca entretenimento em um mercado onde cada ida ao cinema pesa no orçamento. Mas isso não significa que o público tenha perdido o interesse por novidades. Muito pelo contrário.

O enorme sucesso de Backrooms e Obessesão mostra justamente o oposto. Nenhum dos dois chegou cercado pela força de uma marca consolidada ao longo de décadas. Ainda assim, conquistaram espaço graças ao boca a boca, às redes sociais e à curiosidade dos espectadores. Obsessão, por exemplo, ultrapassou a marca de US$ 400 milhões mundialmente após estrear como uma produção independente de baixo orçamento. Backrooms também se consolidou como um fenômeno ao transformar uma popular creepypasta da internet em um dos filmes mais comentados do ano. 

Esses casos reforçam uma mensagem importante para os estúdios: o problema não é a falta de interesse do público por histórias inéditas. O problema é o que Hollywood está ofertando e no que está investindo no marketing. 

Lucas Martins

Nascido em 2002 na cidade do Rio de Janeiro, cresci com paixão pela literatura e pela música. Sou Bacharel em Publicidade e Propaganda pela Unicarioca e futuro pedagogo pela UERJ. No meu tempo livre, gosto de assistir a filmes e acompanhar cada passo dado por Taylor Swift.

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