Tom Holland adiou Homem-Aranha para estrelar filme do Nolan. Valerá a pena?
Tom Holland revelou recentemente que precisou ter uma conversa nada confortável com a Sony para adiar as filmagens de “Homem-Aranha: Um Novo Dia” e, assim, conseguir participar de “A Odisseia”, o novo épico de Christopher Nolan. Segundo o ator, os dois filmes tinham datas de produção conflitantes e ele precisou literalmente pegar o telefone e pedir que o estúdio mudasse os planos. A boa notícia é que a Sony topou. A melhor notícia, segundo o próprio Holland, é que esse atraso acabou ajudando o novo filme do teioso a ganhar mais tempo de desenvolvimento.
A história já é curiosa por si só, mas ela ganhou uma camada extra por causa de uma piada que existe há anos na internet. Existe uma parcela do público e da crítica que critica o ator por viver quase que exclusivamente de blockbusters descartáveis. Marvel, adaptações de videogame, filmes de ação genéricos… para essas pessoas, o ator ainda não teve aquele trabalho que faça todo mundo dizer: “Ok, agora ele está jogando na liga dos grandes”. As comparações com nomes semelhantes da indústria como Jacob Elordi e até mesmo sua mulher, Zendaya, fazem a situação parecer ainda pior.
A situação fica ainda mais divertida quando tentamos imaginar como essa conversa aconteceu nos bastidores. Afinal, não é todo dia que um ator liga para um estúdio disposto a adiar um dos filmes mais importantes de sua franquia porque recebeu um convite de Christopher Nolan. Dá para imaginar os executivos da Sony ouvindo a proposta e tentando processar a informação. De um lado, estava o próximo capítulo do Homem-Aranha, uma das propriedades mais lucrativas do cinema atual. Do outro, uma adaptação de Homero comandada por um dos diretores mais prestigiados de Hollywood. Parece o tipo de decisão que só faz sentido quando se pronuncia o nome “Christopher Nolan”. No fim das contas, a Sony concordou com a mudança, e talvez alguém na reunião tenha resumido a situação da forma mais simples possível: se existe uma pessoa capaz de convencer um estúdio a mexer em todo o cronograma de um blockbuster, provavelmente é o responsável por “Oppenheimer”.
GANHOU NA LOTERIA OU DEU UM TIRO NO ESCURO?

Existe, todavia, um outro lado dessa história que talvez seja menos comentado. Há uma certa expectativa quase mística em torno de A Odisseia. Para muita gente, este será o momento em que Tom Holland finalmente provará que consegue carregar um filme “de verdade”. Como se os últimos dez anos da carreira dele fossem apenas uma longa audição para ganhar a aprovação de cinéfilos que passam o dia ranqueando filmografias no Letterboxd.
E se isso não acontecer? Se ele simplesmente fizer um bom trabalho, sem roubar a cena ou sem se tornar o principal destaque do longa? Nesse caso, existe o risco de parte da internet interpretar o resultado como uma decepção, mesmo que o desempenho dele seja perfeitamente competente. É uma armadilha curiosa: quanto maior a expectativa criada em torno de um ator, mais difícil se torna corresponder a ela.
