O Fim da Rua não é o Jurassic Park da geração, mas diverte

O Fim da Rua não é o Jurassic Park da geração, mas diverte

Dirigido por David Robert Mitchell, responsável pelo aclamado “Corrente do Mal ” (It Follows), “O Fim da Rua” acompanha um casal a beira de um divórcio e seus dois filhos em uma vida pacata em uma cidade simples dos Estados Unidos dos anos 80. No entanto, tudo muda quando eventos estranhos começam a ocorrer no bairro, como o aparecimento de uma planta extinta no jardim.

De repente, um evento cósmico transporta a vizinhança inteira para um lugar desconhecido — que, como logo descobrimos, é um ambiente pré-histórico repleto de dinossauros.  Denise (Anne Hathaway) e Greg (Ewan McGregor) precisam, então, deixar de lado os problemas do casamento e trabalhar ao lado dos filhos para sobreviver. 

Mitchell consegue construir uma atmosfera de tensão bastante eficiente, há boas escolhas visuais e uma preocupação clara em transformar a vizinhança em um espaço ameaçador. O filme também é tecnicamente competente, com bons efeitos, fotografia e sequências de ação que ajudam a vender a escala daquela situação. Nem todas as escolhas, porém, funcionam com a mesma eficiência. Em alguns momentos, o jogo de câmeras parece pouco natural e chama mais atenção para si do que deveria. 

Também existe um problema bastante conhecido em filmes desse tipo: em determinados momentos, os personagens precisam agir de maneira pouco inteligente para que o roteiro consiga avançar. Nada que não estejamos acostumados para obras deste gênero, mas, pelo menos O Fim da Rua não chega a ofender a inteligência do telespectador. 

Outro ponto que pode dividir opiniões é o humor. Algumas cenas de comédia aparecem em meio à tensão e acabam fugindo um pouco do tom estabelecido pelo restante do filme. Por outro lado, é justamente essa mistura de ação, terror, aventura e humor que provavelmente fará com que o longa consiga divertir bastante gente. É claro que a produção não terá o impacto que “Jurassic Park” teve para o cinema em 1993, mas garanto que é bem melhor que a última tentativa da franquia com Scarlett Johansson e Jonathan Bailey.

Anne Hathaway e Ewan McGregor em cena.

E é impossível falar de O Fim da Rua sem falar de Anne Hathaway. A atriz, que parece estar em absolutamente todos os filmes deste ano — e deveria estar mesmo — mais uma vez mostra que não importa o tamanho ou o gênero da produção: ela vai entregar. Denise é a líder da família e Hathaway consegue dar à personagem a potência necessária para comandar as situações mais caóticas sem transformá-la em uma caricatura de “mãe durona”. Existe força, mas também existe sensibilidade.

Ewan McGregor também funciona bem como Greg, compondo uma dinâmica familiar que ajuda a sustentar o lado mais humano da história. Mas quem merece uma menção especial é Christian Convery, intérprete de Brian. O jovem ator, que ganhou destaque como Gus em “Sweet Tooth”, da Netflix, mostra mais uma vez que é uma das grandes promessas de sua geração.

Vale fazer também um alerta importante: apesar de ter dinossauros e uma premissa que pode parecer convidativa para crianças, não é um filme infantil. O longa recebeu classificação indicativa para maiores de 14 anos no Brasil e apresenta cenas fortes.

É claro que o subgênero de filmes de fim do mundo e sobrevivência não será revolucionado, mas tem qualidade principalmente ao assumir sua própria identidade em vez de tentar reproduzir o que Spielberg fez décadas atrás. Para um mês de agosto que não exatamente está lotado de grandes lançamentos, pode ser uma boa pedida.

Lucas Martins

Nascido em 2002 na cidade do Rio de Janeiro, cresci com paixão pela literatura e pela música. Sou Bacharel em Publicidade e Propaganda pela Unicarioca e futuro pedagogo pela UERJ. No meu tempo livre, gosto de assistir a filmes e acompanhar cada passo dado por Taylor Swift.

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