Marsupilami transforma o caos em diversão, mas esquece a força de seu protagonista
Adaptar um personagem tão querido quanto o Marsupilami nunca foi uma tarefa simples. Criado por André Franquin nas páginas de Spirou & Fantásio, o animal de cauda infinita conquistou gerações por unir carisma, aventura e um universo repleto de fantasia. Agora, o diretor Philippe Lacheau revisita esse ícone dos quadrinhos franco-belgas em uma nova versão para os cinemas. Em vez de repetir a proposta de Sur la Piste du Marsupilami (2012), o cineasta prefere construir uma comédia familiar marcada pelo humor físico, pelas referências à cultura pop e pelo estilo já conhecido da chamada “Bande à Fifi”.
Apesar da premissa divertida, o longa enfrenta dificuldades para equilibrar seus diferentes elementos. Enquanto algumas sequências arrancam risadas sinceras, outras prolongam piadas que rapidamente perdem o impacto. Ainda assim, o filme encontra força quando concentra sua atenção no verdadeiro protagonista: o pequeno Marsupilami.
O charme do Marsupilami sustenta a aventura
A história acompanha David, funcionário de um zoológico que aceita uma missão arriscada para salvar o próprio emprego. No entanto, tudo muda quando um bebê Marsupilami escapa de um misterioso pacote durante uma viagem de navio. A partir desse momento, perseguições, confusões e encontros inesperados transformam a aventura em um grande espetáculo de humor físico.

O roteiro claramente busca agradar ao público infantil. Por isso, privilegia situações exageradas, personagens caricatos e um ritmo acelerado. Consequentemente, o filme raramente desacelera para desenvolver conflitos ou aprofundar seus protagonistas.
Por outro lado, sempre que o Marsupilami aparece em cena, a narrativa recupera parte de sua magia. O personagem combina expressividade, fofura e personalidade suficientes para conquistar crianças e adultos sem precisar dizer uma única palavra.CGI excessivamente artificial.
Entre o humor exagerado e a nostalgia
Philippe Lacheau permanece fiel ao estilo que consagrou sua carreira. O diretor aposta em piadas visuais, referências ao cinema de aventura e situações absurdas que lembram produções como Alibi.com e Babá Fora de Controle. Em diversos momentos, essa fórmula funciona muito bem.
O excesso de esquetes acaba comprometendo o ritmo narrativo. Em vez de desenvolver uma progressão dramática consistente, o roteiro frequentemente interrompe a história para inserir novas gags. Como resultado, alguns personagens secundários surgem apenas para alimentar o humor, sem exercer qualquer função relevante dentro da trama.
Uma aventura eficiente para toda a família
Marsupilami dificilmente alcança o mesmo impacto cultural do personagem criado por Franquin. O filme prefere investir em uma experiência despretensiosa, voltada principalmente para famílias e crianças pequenas.
Quem espera uma adaptação fiel ao espírito dos quadrinhos talvez sinta falta de uma exploração maior da Palômbia, da relação entre o protagonista e seu habitat natural ou do humor inteligente presente nas histórias originais. Ainda assim, quem busca uma sessão leve encontrará uma aventura simpática, repleta de ação e momentos divertidos.
